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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os menores livros do mundo



O livro com várias versões do Pai Nosso
A Bienal do Livro de Alagoas trouxe uma mostra dos ditos “menores livros do mundo”. Em parte, isso é verdade. Eles são os menores livros do mundo comercializados. Os livrinhos são oriundos do Peru e já fazem sucesso há muito tempo, apesar do preço similar a um livro de tamanho normal com preço médio de R$ 22,00.
 Os livros abordam temas e autores variados e possuem o texto na íntegra. Com capa dura e impressão impecável, eles são um item para colecionador nenhum reclamar. Entre os mais famosos e vendidos temos: Alice no país das maravilhas, o Evangelho segundo o Espiritismo, Sonhos de uma noite de verão, Dom Casmurro, Iracema, Dom Quixote de La Mancha (em 2 volumes), Fábulas de Esopo, Pinóquio, entre outros.
Para os mais aficionados ainda há uma estante para armazenar os livros miniaturas.
Por algum tempo o  menor livro do mundo foi um com o Pai Nosso em diversas línguas, tendo apenas 5 mm (isto mesmo, milímetros).
O verdadeiro menor livro do mundo
Mas o verdadeiro detentor do título de menor livro do mundo tem as dimensões de 2,4 x 2,9 mm. O livro é tão pequeno que cabe facilmente em uma moeda de 1 centavo.
Creio que os livros peruanos (impressos pela Ciex) merecem o título de menores livros do mundo por possuírem o conteúdo total de uma obra e ser possível lê-los sem o uso de lupa.
Abaixo, uma pequena descrição de um dos livros em miniatura da Ciex:

Ficha Técnica: Mini livro, em português, capa dura com acabamento artesanal, com 440 paginas, com marcador de página, texto integral e é 100% legível.
Dimensões: 5 x 6 x 2 cm
É um presente ideal para quem ama a leitura ou para o simples colecionador. 

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

The Devil Inside - 1º trailer do filme


O nome do filme me levou a pensar que se tratava de uma adaptação de um antigo jogo, onde um cara participava de um reality show para matar demônios. Nada de mais? Agora acrescente a isso o fato de ele ter uma mulher demônio em seu corpo e usá-la para combater estas criaturas até chegar ao boss do jogo. Melhorou?


 
Este trailer mostra um pouco da luta de uma mulher (a brasileira Fernanda Andrade) para provar que sua mãe não assassinou três pessoas por vontade própria ou loucura, mas que ela estaria possuída por demônios. A busca se inicia quando a mulher descobre que as mortes ocorreram durante um ritual cristão de exorcismo. Em sua peregrinação para salvar a mãe, ela vai até Roma, onde busca respostas para o que ocorreu. Uma equipe de exorcistas e especialistas em fenômenos paranormais da igreja Católica vem ajudá-la a provar, através de filmagens e documentando um novo ritual de exorcismo, a inocência da mãe, presa por longo tempo em um manicômio.
As cenas são bem violentas e a caracterização dos personagens indica um apuro na produção do filme. Especial atenção às cenas de "contorcionismo", onde o som de ossos sendo deslocados incomoda - ou agrada - bastante.
O filme tem previsão de estréia em território norte-americano para janeiro de 2012.

Prévia do livro "O Coração dos Heróis" de David Malouf


A editora Leya já nos brindou com ótimas publicações. Podemos citar, entre elas, a trilogia dos Dragões de Éter (Raphael Draccon), Guerra dos Tronos, Sangue Quente, o Estranho Mundo de Tim Burton entre outros. Tive o prazer de lê-los e, com base no padrão editorial da Leya, creio que este novo livro não irá decepcionar. O pano de fundo da trama é a Guerra de Tróia, tendo por base as visões de Aquiles (grego) e Príamo (troiano). Contudo, para os mais desconfiados, eis o prímeiro capítulo para que tirem suas próprias conclusões. Boa leitura!
Cliquem abaixo para ampliar e tenham um bom divertimento.





Arte e música contra o aquecimento global.


Descobri este vídeo pelo Sedentário. A mensagem é simples, o que não diminui em nada o mérito de estar extremamente bem elaborada. Vale ver até o fim.



MUSIC PAINTING - Glocal Sound - Matteo Negrin from Smile Lab on Vimeo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Inclusão Social: obras de arte para cegos



Nascimento de Vênus - original
O Museu Tátil Grego (em Athenas) existe desde 1984. Ele tem como principal característica dar acesso para as pessoas com deficiência visual às obras de arte clássicas. Usando cópias de obras de arte, o museu permite que seus visitantes toquem-nas, descobrindo as nuances que, para os cegos, antes eram inacessíveis. 
Um empreendimento de tal porte é algo raro. Apenas cinco museus em todo o mundo possuem um acervo similar. Artefatos religiosos, vasos, estátuas e esculturas ficam à disposição dos visitantes para que através do tato, descubram o quanto a arte pode ser bela.
Crianças entre 6 e 12 anos, cegas ou não, são convidadas a tocar as obras e, pelo tato, conceituar o que sentem. Máscaras são disponibilizadas para os que enxergam normalmente, fazendo com que estes tenham uma breve noção do universo dos que foram privados da visão. É uma experiência diferente e inesquecível. 
Nascimento de Vênus - relevo
Na Itália, em Florença, a obra de arte “O nascimento de Vênus” de Botticelli é mostrada em uma nova versão. A pintura está disponível em alto-relevo, feita em uma resina especial, na galeria Uffizi. A beleza da pintura foi transposta rigorosamente para a textura, dando a oportunidade aos deficientes visuais de "ver" os motivos que levaram esta obra a ser considerada um clássico da pintura Renascentista.
Apesar de ter dimensões menores, "O nascimento de Vênus" não perde em expressão à obra original.
“Isso parece um sonho. Além da alta qualidade do produto, agradecemos este gesto, que basicamente é uma forma de criar uma sociedade que nos inclui”, disse animado o presidente da União Italiana Cegos de Florença, Antonio Quatraro. Quatraro disse que o sonho tornou-se realidade, pois permite que milhares de pessoas como ele que não enxergam, toquem a ‘Vênus’.
A Galeria Uffizi disponibiliza outros trabalhos em relevo e Braille. A experiência tátil de Florença será estendida para outros museus na Itália.
Só quem já viu um deficiente visual curtindo a descoberta de uma imagem pelo tato, pode descrever a  alegria do momento. Lucas Radaelli é um exemplo disso quando, em uma visita ao escritório do Jovem Nerd, teve acesso aos pôsteres de filmes em 3D - Tubarão, O poderoso Chefão, Rocky etc - e ampliou a percepção daquilo que ele apenas tinha imaginado por comentários de outras pessoas. Fantástico. Acesse este link do YouTube e veja como foi: Nerd Office S02E18.
Esta iniciativa tem que ser aplicada aqui também em nosso país. Ajude a divulgar esta notícia. É hora de "abrir os olhos" das pessoas que realmente têm poder para melhorar o padrão de vida dos deficientes visuais.

fontes: Museu de Athenas e Deficiente Ciente


terça-feira, 25 de outubro de 2011

A morte do Pequeno Príncipe *



Textos longos são difíceis de ler pela internet. Alguns não apresentam conteúdo, outros até apresentam algo, mas não estão elaborados com a atenção que o leitor merece. Pensando nisso, estou postando este artigo publicado aproximadamente em 1974. O texto é um relato claro e muito bem escrito sobre o autor de O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry, e suas aventuras e obstáculos até a morte em plena Segunda Guerra Mundial. 
Leiam, pois temos muita coisa espalhada por aí, porém poucos trabalhos mostram respeito pela vida de Saint-Exupéry e também por você, leitor e fã. Garanto que, ao final da leitura, irão ter uma visão melhor de Antoine, além de compreender um pouco mais de suas obras e sua vida. 
Não tenha medo de se aventurar. Eu não tive.
Digitei tudo com muita paciência e atenção. Não exclui uma única sílaba ou alterei o que quer que fosse. Vocês lerão o material da época, como foi escrito. Espero que gostem.
Boa leitura!
Franz Lima.

Saint-Exupéry era um homem angustiado, que vivia procurando se entender com outros seres humanos. Muitas vezes incompreendido pessoalmente, ele teve, entretanto, seu trabalho sempre entendido e admirado. Autor de livros famosos e premiados como O Pequeno Príncipe, Correio Sul, Vôo Noturno, Terra dos Homens, Piloto de Guerra e outros, Saint-Ex era, acima de tudo, um piloto. Tinha verdadeira obsessão por voar. Tanto que, uma vez, proibido de voar, não conseguiu mais escrever.  E quase morreu de tédio e de fome, em Paris. Mesmo odiando a guerra, quis participar dela em vôos de reconhecimento. “Eu lutarei contra qualquer um que pretenda subtrair a um indivíduo, ou a um grupo de indivíduos, a liberdade do homem” – escreveu então. E lutou até a morte. Morreu voando, como gostava de viver.

Um dia de outono de 1926. O jovem Antoine de Saint-Exupéry se apresenta no aeródromo de Montaudran, perto de Toulouse, ao diretor de exploração das linhas Latécoère que, com meios precários e tenacidade furiosa, abre no céu as primeiras rotas da aviação comercial.
Esse diretor é Didier Daurat, chefe temível e temido, que impõe a todos implacável disciplina.
Saint-Exupéry diz:
- Senhor, eu gostaria de voar.
Daurat responde:
- O senhor fará como todos os outros, seguirá fila.
Seguir a fila, em Montaudran, significava vestir o macacão azul de mecânico, trabalhar no hangar, desmontar motores, limpar cilindros, escovar velas e mergulhar as mãos em óleo queimado.
Saint-Exupéry, menos preparado que qualquer outro para essa rude existência, aceita tudo. Muito mais como uma espécie de alegria interior. Em todo caso, ele se tornou, como escreveria em Terra dos Homens, o “companheiro” que se misturava à equipe anônima, para todos apenas Saint-Ex.
“A grandeza de uma profissão – acrescentaria ele – talvez esteja antes de mais nada no fato de unir os homens.” Se esta profissão for dura, perigosa, forjará ligações mais estreitas, mais sólidas. Saint-Exupéry levava o correio voando sobre a Espanha onde enfrentava terríveis tempestades, depois sobre o deserto, no meio do calor tórrido ou no meio do vento de areia. Isto depois de ser sacramentado “piloto de linha”, título que mais ambicionava. Ele compartilhava – a partir de então – a vida destes pioneiros do céu, voando fosse qual fosse o tempo, em aviões frágeis, sujeitos a panes súbitas e freqüentes.
Correio do Sul foi escrito em pleno deserto
Um dia Saint-Exupéry foi enviado a Cap Juby, um posto perdido em pleno deserto africano. E viveu lá, num barracão, em companhia de três mecânicos, um macaco e um camaleão “mergulhado em reflexões intermináveis”. Sentado sobre sua cama de campo,  entre um vôo e outro, ou à noite enquanto os mecânicos dormiam ele escrevia um romance: Correio do Sul, seu primeiro livro. Pode-se dizer, com certeza, que Saint-Exupéry encontrou seu caminho graças ao avião e ao deserto.
Depois de ter passado dois anos em Juby, ele foi nomeado diretor do Correio Aéreo Argentino, filial na América do Sul da Société Française, e se estabeleceu em Buenos Aires.
Alguns capítulos de Terra dos Homens – um de seus mais famosos romances – têm datas do tempo em que o escritor e piloto estava na América do Sul. São o fruto das longas meditações sobre os homens dos quais se afastou, sobre os companheiros que ele reencontra em cada escala, e sobre a profissão. Profissão de piloto ou jardineiro, “porque além da ferramenta e através dela, é a velha natureza que reencontramos, a do jardineiro, do navegador, do poeta”. Será sobrevoando a terra dos homens que nascerão e se formarão os temas que o escritor desenvolverá nos seus depois tão elogiados livros.
Na América do Sul, Saint-Exupéry voa especialmente de noite. Vôo Noturno nasce ali.
Saint-Exupéry mistura a meditação à ação e desdobra seus temas numa linguagem rara, inscrevendo-os sobre uma pano de fundo, ao mesmo tempo rude e maravilhoso. O ano em que foi editado Vôo Noturno, 1931, foi crucial para o piloto. Trouxe glória ao escritor e fixou, para o homem, a era dos anos dolorosos que somente terminaria com a sua vida.
A Aero Postale – ou Companhia do Correio Aéreo – passava por sérias dificuldades financeiras agravadas por sórdidas rivalidades políticas. Beppo de Massimi, diretor-geral, foi colocado na situação de se demitir. Didier Daurat, a quem o sucesso assim como sua dureza tinha legado inimizades irredutíveis, foi mandado embora.
Após o sucesso de Vôo Noturno, Saint-Exupéry pediu uma licença para se dedicar inteiramente à literatura. Era o que tinha decidido. Mas ele logo se convenceria de que uma atividade era irremediavelmente ligada à outra, que o escritor não podia abrir mão do aviador.
Somente escrever não lhe satisfazia. O avião era o instrumento ideal, já que lhe permitia carregar o correio, através do qual os homens separados por grandes distâncias, estreitavam “laços”.

AS DÍVIDAS SE ACUMULAVAM...

Os substanciosos direitos autorais que tinham sido trazidos pelo sucesso de Vôo Noturno se derreteram entre os dedos de Saint-Exupéry. Nada mais restava ao antigo diretor da Aero Postale Argentina, tanto mais que ele estava sendo ajudado agora nas prodigalidades e esbanjamento por Consuelo, sua jovem mulher, que ele conhecera em Buenos Aires e que era ao mesmo tempo bonita, inteligente, extravagante e tirânica. Privado de seu avião, Saint-Exupéry não escrevia mais. Entretanto a inatividade está lhe pesando. Ele pediu sua reintegração na Air France, que, após a liquidação da Aero Postale, absorvera esta empresa. A Air France recusa-se a reassumir o piloto Saint-Exupéry, porém aceita destiná-lo ao serviço de propaganda. Ele fica neste emprego o tempo necessário para fazer uma viagem à Indochina e uma série de conferências nas grandes cidades do mediterrâneo.
Saint-Exupéry vive em Paris, com um ser desamparado. Perdeu o interesse por tudo e tem apenas 35 anos.
De 1931, quando foi editado Vôo Noturno, até 1939, quando surge Terra dos Homens, ele não escreve mais nada. Entretanto, é preciso viver e o escritor não sabe limitar-se. As dívidas vão se acumulando, acontecendo até de ter cortados telefone, gás e eletricidade, por falta de pagamento.
Sim, é necessário viver, mas isso deve ser uma espécie de plenitude: ganhar a vida, voar, escrever. É o período das grandes expedições aéreas. A aviação avançou consideravelmente nos últimos anos.
Alguns pilotos, em sua maioria solitários, tentam em longos percursos bater recordes de velocidade. Um francês, André Japy, numa corrida rumo a Tóquio tinha estabelecido a ligação Paris-Saigon em 87 horas. Um prêmio de 150 mil francos (aproximadamente 400 mil cruzeiros de hoje), estava sendo oferecido a quem batesse esse recorde. Saint-Exupéry pensa que com um Simoun, avião rápido, com hélice a passo variável, seria possível melhorar sensivelmente essa performance. A expedição foi preparada em condições deploráveis, e acabou na noite de 29 de dezembro de 1935, no deserto da Líbia.
Em janeiro de 1938, ele tenta estabelecer a ligação por ar entre Nova York e a Terra do Fogo.
A 15 de fevereiro, em companhia de uma piloto chamado Prévot, Saint-Exupéry decola de Nova York. Eles não iriam muito longe. No dia seguinte, a expedição termina lamentavelmente na Guatemala.
Os dois aviadores não morrem por milagre. Saint-Exupéry fica gravemente ferido. Depois disso, torna-se jornalista. Esta atividade não lhe convém, por contrariar sua imperiosa necessidade de independência. Mas através de reportagens a respeito de acontecimentos onde o lado humano desempenha o papel principal, o escritor restabelece ligação com grandes temas que lhe são caros. Em seus artigos reencontram-se a mesma riqueza de descrição, a mesma emoção comunicativa de seus livros. O desfile de 1º de Maio de 1935 em Moscou, de um povo inteiro rumo à praça Vermelha onde Stalin espera, inspira-lhe uma página calorosa, publicada no Paris Soir. Suas reportagens sobre a guerra da Espanha, para o Intransigeant (agosto de 1936) e para o Paris Soir (junho de 1937) são ainda mais comoventes. Afinal é isso mesmo que representa seu pensamento. Ele é contra qualquer ditadura, qualquer autocracia, sejam elas de onde forem.
Mas que ninguém se engane, ele não adere à linhas políticas. Certos homens “viviam de sentimentos e no plano dos sentimentos – escreve ele – eu nada tinha a objetivar nem aos comunistas, nem a Mermoz (nesta época Mermoz militava no movimento Cruz de Fogo), nem a ninguém no mundo que aceitasse dar sua própria pele, e julgasse ser preferível a  todas as coisas o pão dividido entre companheiros”.
Em maio de 1939, às vésperas de uma guerra que iria durar seis anos e cobriria de sangue o mundo inteiro, a Academia Francesa de Letras laureia Terra dos Homens que tinha sido publicado três meses antes. Quando Saint-Exupéry fez a última revisão em Terra dos Homens, estava voltando da Alemanha. Ele tinha visto, ao lado de uma França despreocupada e dividida - onde se cultivava a lenda de uma Alemanha em decadência, povoada por escravos subalimentados -, uma Alemanha dinâmica, fanatizada por uma propaganda perigosa. Voltou de lá inquieto e sem ilusões a respeito do futuro. Saint-Exupéry, que odiava a guerra, queria, no entanto, participar dela. E, apesar de um relatório médico que o declara "não apto para missões de guerra", ele usou suas mais influentes relações para ser convocado para uma esquadrilha de combate. Consegue, afinal. E, num dia de outono de 1939, ele chega a Orconte, em Champagne, França, no grupo 2/33 de reconhecimento, isto é, no setor mais perigoso da aviação militar. 
A vida na esquadrilha significa para Saint-Exupéry - além do ato de voar e todos os seus riscos - o reencontro com os companheiros. Encontramos um Saint-Exupéry muitas vezes alegre e cantando na hora do rancho. E também, em certos momentos, solitário e meditativo.
Ele, tão afastado de qualquer religião (sempre porém envolvido por um certo misticismo), participaria da guerra, "por amor e por religiosidade interior". Mas infelizmente compreenderia bem cedo a inutilidade do sacrifício que se exigia de seus camaradas e dele mesmo. Em 10 de maio de 1940, Hitler lança a ofensiva. E, nem por terra, nem nos céus, a França tinha como se defender. Nada, para evitar uma derrota, da qual Saint-Exupéry conhecia as causas. Ele sofria por causa da desordem, da impotência, das mortes inúteis. Mas todos os dias, junto com seus companheiros, continuava arriscando a vida, mesmo sabendo que tudo aquilo era insensato e vão. Depois da derrota francesa, os vôos são suspensos e o sofrimento toma conta dele mais uma vez. Saint-Exupéry resolve então ir aos Estados Unidos, onde tem relações, alguns amigos, um editor. E, após dois meses passados em Agay, na casa de sua irmã Gabriele ele abandona a família, sua velha mãe - que mais teria necessidade dele, neste trágico momento - e parte para os Estados Unidos. Lá fica profundamente decepcionado com a opinião que os norte-americanos têm da França

INCOMPREENDIDO PELOS FRANCESES

A derrota francesa, tão rapidamente consumada, deixou-os estupefatos. Eles não têm a menor indulgência com os franceses em geral. "Com que direito eles fazem isso?" - pergunta Saint-Exupéry em nome de todos aqueles que lutaram. E deseja loucamente mostrar aos norte-americanos o que foi a luta, o que foram as "missões sacrificadas". 
Saint-Exupéry escreve então Piloto de Guerra, que foi publicado nos Estados Unidos em fevereiro de 1942, sob o título de Flight to Arras. Este livro teria naquele país uma ressonância considerável. Influenciaria fortemente a opinião pública num país onde o sentimento público pesa sobre as decisões do Governo.
Entretanto, se Saint-Exupéry pode se orgulhar de ter marcado um ponto apreciável entre todos, ele seria, por outro lado, vítima dos ataques dissimulados dos seus compatriotas refugiados nos Estados Unidos. Eles esquecerão tudo o que há de grandeza em Piloto de Guerra.
Na verdade, isto se devia ao fato de Saint-Exupéry ter-se recusado a segui-los em seus desígnios políticos. Ele se recusou a aderir ao gaulismo que não tinha o mesmo sentido para os refugiados do que para aqueles que continuavam a lutar.
E isto jamais lhe seria perdoado.
O piloto então se tornou amargo, triste e facilmente irritável. Estava sofrendo agudamente. E, apesar dos amigos, se sentindo muito sozinho. Seu desconhecimento de inglês, que ele nunca quis aprender, impede-o de ter relações interessantes, interlocutores à altura. O exílio começa a pesar. Saint-Exupéry sabia que sua terra estava debaixo da opressão e da miséria; e a angústia daqueles que estão "fechados" na noite alemã o atormentava. Ele sente vergonha de ter partido.
Saint-Exupéry trabalha em sua casa - um pequeno apartamento no 21º andar - ou então num pequeno restaurante onde várias vezes ele passa parte da noite. Em menos de dois anos ele escreve: Piloto de Guerra, Carta a um Refém, O Pequeno Príncipe e várias páginas da Cidadela.
"Essencial é viver para o retorno" - escrevia Saint-Exupéry em sua Carta a um Refém. E pensava no dia em que os Estados Unidos colocariam seu poderio a serviço daqueles que estavam lutando contra o nazismo.
Mas, para ele, não poderia ser um simples retorno de viajante nem sequer o retorno ardorosamente desejado do exílio. Ele não poderia falhar com a grande missão que se tinha atribuído desde o desembarque norte-americano na África do Norte, em 6 de novembro de 1942: reengajar-se numa esquadrilha de combate. Saint-Exupéry encontraria, desta vez, dificuldades ainda mais árduas do que aquelas que ele teve de vencer em 1939. O avião de guerra confiado pelos Estados Unidos aos franceses é um P-38 Lightning, que atinge 700 km/h.
Os norte-americanos tinham estabelecido uma idade limite para o piloto de avião em 35 anos. Saint-Exupéry já tinha 43.
Mas, apesar de tudo, ele conseguiu. E, desde os primeiros vôos no Lightning, ficou maravilhado: "já pilotei uma máquina de corrida" - escreveu com o entusiasmo de um garoto possuidor de um brinquedo maravilhoso.
Ei-lo, a partir daí, novamente engajado na ação que libera, e que lhe daria, junto com o direito de ser, o direito de falar. Ele reencontrava, em sua plenitude, sua vocação maior. Ela pesava sobre ele como uma força e o obrigava a entregar-se completamente. Já conhecemos bem esta vocação. Depois de aparecer em Montaudran, ela não parou de se reafirmar no céu do correio, no deserto, nos céus de batalha. Ela provocava o gesto animal de matar, alimentava a linguage, alentava o poeta. Ela era devotada inteiramente ao serviço dos homens.
Saint-Exupéry alcança o território de La Marsa, perto de Tunis, donde alça vôo para sua primeira missão sobre a França invadida. Esta missão lhe permite sobrevoar a Provença, onde vive à sua espera sua velha mãe, e ele volta meio feliz, meio melancólico. Mas retomou efetivamente seu lugar de piloto de guerra.
Trouxe informações preciosas e, como escreveria mais tarde, reviu "a França ao mesmo tempo tão próxima e tão longínqua... como se estivéssemos dela separados há séculos."
De volta da sua segunda missão, fez uma má aterrissagem, e seu aparelho foi danificado. Este pequeno acidente serviu de pretexto aos norte-americanos para proibir Saint-Exupéry de pilotar o Lightning, para o qual tinha sido excepcionalmente autorizado. Esta decisão, e sobretudo suas conseqüências, foram para Saint-Exupéry um golpe terrível. Depois de ter tentado tudo em vão, para que ela fosse reconsiderada, ele deixou La Marsa e partiu para Argel. Lá, instalado junto ao dr. Pelissier, "num quarto idiota" e, segundo ele, levando uma "vida de cela sem religião", ele chegará pela primeira vez, sem dúvida, ao mais profundo desespero.
Já não voa. Considera-se separado para sempre dos companheiros que, no céu, vão participar da vitória que já se pronuncia. Quando, depois de oito meses desta vida deprimente, Saint-Exupéry, graças ao general Chassin, retomou seus vôos, suas missões de guerra, escreveu a um amigo: "enquanto estou passeando, na França eu continuo sendo caluniado..."
Na véspera de sua morte, numa carta endereçada a Pierre Dalloz, falando sobre a pane de um de seus motores a 10 mil metros sobre Annecy, ele ironizaria tristemente: "Enquanto eu estava navegando sobre os Alpes, à velocidade de tartaruga e à mercê de todos os caças alemães, brincava suavemente, pensando nos superpatriotas que proibiam meus livros na África do Norte. É cômico".
Na primavera de 1944, depois de muitas cartas e encontros, Saint-Exupéry foi novamente designado para o grupo 2/33, onde encontrou alguns sobreviventes dos mortíferos combates de 1940 e o Lightning com que retomou seus vôos sobre a França ocupada. Reencontrou também sua alegria. Na hora do "rancho", como nos velhos tempos, ele ria, bebia, cantava e parecia ser feliz. Porém essa alegria era apenas superficial.

A INDEFERENÇA DIANTE DA MORTE

Suas últimas cartas nos trazem pensamentos que os que estavam perto dele ignoravam. Ele escreveu a uma amiga, na véspera da sua morte: "Vou concluir rapidamente esta carta. Um companheiro está para decolar daqui a alguns momentos. É a única chance de te alcançar. A minha profissão é difícil. Em quatro ocasiões escapei por pouco. E isto me é vertiginosamente indiferente".
Solidão

O grupo 2/33 estava instalado na Córsega, no território de Borgo, ao sul de Bastia. O verão foi quente. O sol queimava os rochedos perto do mar. As agulhas secas, caídas dos pinheiros, estalam debaixo dos pés. A noite trazia com a sombra o frescor e a calma. Os aviões repousavam como se fossem grandes pássaros adormecidos. As cigarras se calavam. A brisa cantava docemente entre os pinheiros e os eucaliptos. Estávamos em 30 de julho de 1944. Saint-Exupéry, sozinho no seu quarto, preparava a missão para o dia seguinte. Será sua nona missão. Ele tinha, então, ultrapassado largamente os cinco vôos que lhe tinham sido permitidos pelo general Eaker. Ele andou mendingando outros e ninguém teve coragem de recusá-los.
- Tenho necessidade - diz Saint-Exupéry. Necessidade de voar, certamente, mas também necessidade de escapar de um mundo onde sofria demais. Arriscar no céu esta vida que parece não conter mais nada... Arrancar-se dos seus próprios despojos, abandoná-los para sempre, já que ele pensa com freqüência na morte e muitas vezes a deseja. Entretanto, os que velam por ele querem evitá-la a todo preço. Um regulamento formal exigia que todo piloto que estivesse a par dos segredos de desembarque não podia mais voar. Porque ele, se fosse feito prisioneiro e torturado poderia informar o inimigo sobre a iminência da operação. Foi, portanto, decidido que o comandante Saint-Exupéry seria posto a par, a 1º de agosto, do segredo do desembarque nas costas da Provença.
Na manhã de 31 de julho Saint-Exupéry decolou para sua última missão. Em torno estavam o mar, a costa, os cumes nevados dos Alpes. Sobre o lago de Annecy, minúsculo quando visto de 30 mil pés de altitude, Saint-Exupéry virou e começou a fotografar. A ordem determinava "missão a leste de Lion". Lion ficava lá embaixo, à direita. É a cidade natal de Saint-Exupéry, que ele deixou bem jovem. Mais perto, perto da massa sombria das florestas, estava invisível sua velha casa que encerra as lembranças de uma infância feliz.
Um olhar para essas coisas longínquas, um suspiro que enche o coração; a missão estava terminada.
O piloto pára a máquina fotográfica e toma o rumo de volta. Era necessário, mais vez abandonar o céu, lançar um último olhar para estas cidades, estas aldeias onde homens, mulheres e crianças esperavam sua libertação.
Novamente, na frente do piloto, aparecia o mar, cintilando sob o ardente sol do meio-dia. O horizonte vibrava impreciso, mergulhado na luz relampejante, enquanto que na vertical se destacava nitidamente a costa da Provença.
Ao pé daquelas rochas vermelhas enfeitadas pela ressaca, estava escondida Agay, onde Antoine vivera junto de sua irmã Gabrielle, horas calmas e deliciosas. Muitas páginas da Cidadela tinham sido escritas lá. Lá, também, Saint-Exupéry casara-se com Consuelo.
Nesta terra de Provença, que o avião já ia deixando atrás, uma velha mãe esperava seu filho. O canto dos motores que vêm, de tão alto, até ela, estaria levando uma mensagem?
Saint-Exupéry reduziu seus motores. O avião começou a descer. Em poucos instantes, ele pousaria na terra dos homens; do comandante, que o espera sempre com uma ponta  de inquietação, por causa de seu desespero para com os aviões de caça inimigos; dos companheiros, que temem por sua distração lendária que mais de uma vez quase lhe custara a vida.
Saint-Exupéry meditava e sonhava, como gostava de fazer; abandonava-se ao encantamento da descida. Mergulhado em suas meditações, deslumbrado pelo sol que brilha bem em frente, o piloto deixou de ver o caçador inimigo que bordeja, se coloca à sua frente e que não se revelará a não ser através do terrível rastro luminoso das balas? Quais seriam os pensamentos de Saint-Exupéry neste último minuto, em que a morte chega?
O autor de Terra dos Homens via, na morte, mais do que o fim da vida, uma conseqüência da vida. E escreveu: "o que dá um sentido à vida, dá um sentido à morte". Ele via, ao mesmo tempo, um prolongamento: "cada existência estala em torno de si como se fosse uma vagem seca e liberta seus grãos". Isto apareceu em Cidadela.
Mas em  Correio do Sul, ele escrevera, muitos anos antes: "O homem não se suprime quando morre: ele se confunde. Ele não se perde: reencontra-se. E a morte se torna troca suprema, último dom de uma vida cumprida a uma vida que continua".



* Esta matéria foi publicada originalmente na revista “Grandes Acontecimentos da História”, nº 22, da Editora Três, na década de 1970 e está transcrita na íntegra. A ortografia não foi adaptada às novas normas. A publicação foi registrada, na época, no Registro de Censura Federal sob o nº 405. P. 209/73 e é de autoria de Marcel Migeo.




segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tim Burton: Dark Shadows aborda vampiro na década de 1970
























Chloe Moretz
A mais recente produção do diretor Tim Burton (Alice no país das maravilhas, 9: a salvação, entre outros) será Dark Shadows e abordará a existência de Barnabas Collins, um vampiro da era Vitoriana que é libertado no ano de 1972, e suas experiências com a família remanescente e os segredos que cada um deles tem.
O elenco conta com o já conhecido Johnny Depp, Helena Bonham Carter (esposa de Tim), Michelle Pfeiffer e a atriz destaque do filme "Kick-Ass", Chloe Moretz. A jovem atriz declarou que o vampiro de Depp é "complexo e torturado", dando ênfase ao caráter psicológico do personagem.
O diretor reforçou, recentemente, que não irá filmar em 3D. Burton já utilizou a tecnologia em "Alice", mas não quer fazer uso do recurso neste filme.
A produção já está em curso na Inglaterra (Londres) e tem estréia prevista para 11 de maio de 2012. O seriado original (1966 a 1971) apresentou monstros clássicos do cinema como o lobisomem, bruxas e fantasmas, além do vampiro que Depp interpreta. As primeiras imagens de Barnabas lembram o torturado vampiro Nosferatu.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Coleção Itaú de livros infantis - Confirmação de recebimento




Sempre haverá quem duvide da veracidade de campanhas do porte da "Leia para uma criança". Mas não há nada melhor para provar que a coisa funciona do que a foto dos livros recebidos em casa.
A foto foi enviada pelo leitor Daniel Justino (@danjustino). 
Não percam tempo. A distribuição dos livros é limitada a uma remessa por CPF  e está condicionada à duração do estoque. Cliquem AQUI e cadastrem-se para receber em casa, sem despesas, os três livros da nova coleção infantil do Itaú.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Escriba Café e o podcast de Christian Gurtner


Estou produzindo um podcast. Fato 1.
Descobri que o negócio é difícil demais. Fato 2
Descobri o excelente trabalho de Christian Gurtner com seu podcast do Escriba Café e ainda não compreendo como ele consegue fazer isso alone in the dark. Fato 3.
As surpresas na internet tendem a durar pouco. Novos fatos, virais ou notícias são propícios a nos fazer esquecer de muita coisa boa que rolou ou continua acontecendo pela WWW. Mas não há como negar que alguns trabalhos, feitos apenas por amor e dedicação de seus idealizadores, superam essas ondas de informações e acabam se impregnando em nosso cotidiano. Exemplos podem ser citados em lotes: papo na estante, nerdcast, matando robôs gigantes, rapaduracast, grifo nosso e muitos outros de qualidade indiscutível. Alguns se tornaram rentáveis, o que, absolutamente, não é regra. 
Foi transitando pela blogosfera que encontrei o escriba. Não que o desconhecesse, pois é indiscutível que ele já está presente na realidade de muitos. Mas foi uma grata surpresa para mim. Eu recebi recomendações (como todos nós recebemos e, quase sempre, ignoramos, seja por falta de tempo ou de paciência) sobre a obra de Gurtner. 
Hoje, já ouvi muitos episódios do escriba, porém o que recomendo (ouçam, não se arrependerão) é o último em que o assunto abordado é a trajetória de Jack, o estripador. A narrativa está incrível. A produção demonstra o empenho dele para ter um ótimo resultado (os efeitos sonoros encaixaram-se com maestria) e a pesquisa não fica devendo em nada. Um ponto importante, ressaltado pelo próprio Christian, é a finalidade do podcast: incentivar a pesquisa sobre o tema em pauta. Divertimento e cultura em formato mp3, facilmente acessíveis.
Enfim, ouçam e tirem suas conclusões.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A nova Guy Fawkes - Kirsten Christian e o Bank Transfer Day




Fontes: Revista Época (LUCAR HACKRADT) e MyBankTracker.

Uma iniciativa que, inicialmente, não causaria qualquer impacto em sua região é hoje, sem dúvida, um exemplo a ser seguido. O Bank Transfer Day é o protesto que não tem como ser desprezado, pois atinge as instituições financeiras em seu alicerce e, ao mesmo tempo, no ponto mais fraco: o dinheiro.

Na onda dos recentes protestos que tomam diversas cidades dos Estados Unidos, a ativista americana Kristen Christian, de 27 anos, criou o Bank Transfer Day (Dia da Transferência Bancária, em tradução livre). O que começou como um pequeno evento em sua página no Facebook já tem mais de 43 mil pessoas confirmadas e ganhou apoio e adesão dos integrantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street). Ela propõe que os correntistas de grandes bancos transfiram suas contas para instituições menores e de âmbito local no dia 5 de novembro.
Entusiasmada, Kristen disse a ÉPOCA estar feliz com o resultado da campanha, e espera poder dar um recado às instituições financeiras americanas. Ela, que entoa o coro dos manifestantes que dizem constituir "os 99%" da população americana insatisfeitos com o sistema financeiro e capitalista, afirma que quer abrir os olhos da parcela da população que vem sendo referida como “os 1%”. “Acredito que os americanos tenham chegado a seu limite máximo de paciência”, afirmou.
ÉPOCA - O que é o movimento Bank Transfer Day?
Kristen Christian - O Bank Transfer Day encoraja os cidadãos americanos a retirar seu dinheiro de instituições bancárias corporativas e capitalistas e a depositá-lo em uniões de crédito sem fins lucrativos, onde seu dinheiro acabará tendo impacto maior sobre a comunidade local. Durante muito tempo, esses bancos corporativistas administraram mal os investimentos das pessoas, além de terem mantido políticas de negócios sem nenhuma ética. A recém-instituída taxa mensal de US$ 5 pelo uso de cartões de débito, por exemplo, afeta diretamente as classes mais pobres e os trabalhadores - consumidores que ganham menos de US$ 20.000.
ÉPOCA - O que vocês esperam conseguir com o Bank Transfer Day?
Kristen - Me parece que os grandes bancos estão administrando muito mal os investimentos, incluindo aqueles recebidos de resgates financeiros. Nossa taxa de desemprego está maior do que já esteve em décadas. Em resumo, estamos com sérios problemas. Os grandes bancos não estão fazendo nenhum esforço para conter seus gastos e nem para reinvestir dinheiro nos Estados Unidos, então acredito ser a hora de os cidadãos se levantarem e se organizarem para parar de investir nessas instituições e redirecionar seu dinheiro a uniões de crédito locais.
ÉPOCA - O movimento surgiu quase que em paralelo com o Occupy Wall Street. Qual a relação entre vocês?
Kristen - Não há nenhuma ligação entre o Bank Transfer Day e Occupy Wall Street (ou com o grupo Anonymous). O que houve é que o pessoal do Occupy Wall Street adotou recentemente os objetivos do Bank Transfer Day. Mas eu não sou uma das organizadoras do Occupy e nem participei de forma alguma do movimento deles.
ÉPOCA - Mas você se considera “uma dos 99%”?
Kristen - Acredito fortemente que nenhum de nós jamais conseguirá manter contato direto com o 1% [da população mais rica]. Então sim, eu sou uma dos 99%.
ÉPOCA - Por que você acredita que os americanos decidiram finalmente se organizar contra o sistema financeiro?
Kristen - Acredito que os americanos tenham chegado a seu limite máximo de paciência. Eles não querem mais assistir passivamente a seus fundos de investimentos serem usados para custear estilos de vida luxuosos dos grandes banqueiros, especialmente enquanto tantos outros americanos estão sofrendo para pagar suas contas no final do mês.
ÉPOCA - E por que marcar a data do manifesto para 5 de novembro? O que há por trás dessa data?
Kristen - O dia e as campanhas visuais escolhidas para o manifesto foram pensados para substituir qualquer conotação prévia que esse dia tivesse pela memória do dia em que os cidadãos americanos se uniram em solidariedade e juntaram esforços para financiar o desenvolvimento de suas próprias comunidades locais.
[5 de novembro nos Estados Unidos tem vários significados simbólicos. Foi nesse dia que, em 2006, Saddam Hussein foi condenado à morte depois de os EUA terem invadido, em uma campanha militar cara, o Iraque. Mas o sentido usado pelo movimento vem de um atentado terrorista mal planejado que acabou dando errado em 1605, quando o inglês Guy Fawkes falhou em conseguir explodir parte do Parlamento Britânico, ficando o dia conhecido como o Dia de Guy Fawkes, ou dia da traição.]
ÉPOCA - Um fato curioso é que o Bank Transfer Day ganhou visibilidade graças à internet. Como foi o trabalho de divulgação?
Kristen - O movimento começou como um evento no Facebook que compartilhei com 500 amigos. A intenção não era começar nada em nível nacional, mas educar aquelas pessoas mais próximas de mim dos benefícios de realizar operações bancárias junto a uniões de crédito. Não houve propaganda, estratégias de marketing ou eventos oficiais do Bank Transfer Day. O movimento todo ganhou vida nas mídias sociais.
ÉPOCA - Uma das razões usadas por você para sustentar o Bank Transfer Day é a Emenda de Durbin. De que trata essa emenda e como ela afeta os americanos?
Kristen - A Emenda Durbin foi uma proposta do senador de Illionois Dick Durbin. Ela era parte da Reforma Dodd-Frank de Wall Street e do Ato de Proteção ao Consumidor de 2010. Seu texto se tornou Lei em 1º de outubro deste ano. Segundo a lei, fica reduzido em 50% o valor médio que os varejistas têm que pagar por transações no cartão de débito - até então, eles pagavam em média 44 centavos cada vez que uma transação era feita no débito. A partir de 1º de outubro, o Federal Reserve [Banco Central americano] limitará a taxa a não mais que 21 centavos mais 0,05% da transação (2 centavos em média) e mais um centavo para emissores de cartões que trabalhem com sistemas de prevenção de fraudes. A medida não afeta cartões de crédito, e os bancos continuarão a receber quase 2% do valor de cada transação feita.
ÉPOCA - Você acredita que as pessoas participarão do Bank Transfer Day?
Kristen - Sim. Acredito que as pessoas que apoiam o Bank Transfer Day foram sinceras ao prometer que transfeririam seus investimentos para instituições locais. Preciso dizer que estou animada e ansiosa para ver os impactos que isto terá! 

Os comentários a seguir são de minha inteira responsabilidade (Franz Lima):
Bom, antes de mais nada, peço desculpas por usar na íntegra a reportagem da Época. Gostaria de deixar o link, mas é de vital importância tê-la completa por aqui. Explico as razões:
a) O fato de postar aqui não irá tirar leitores do autor da matéria ou da revista. Muito ao contrário, ela os estimulará a procurar por mais material de qualidade.
b) Estou usando a matéria para fazer ponte entre meu pensamento (abaixo descrito) e a realidade nos EEUU.
Dito isto, vamos aos fatos. Quais os motivos que levaram uma cidadã, uma mera mortal, a comprar uma briga com os grandes bancos, os detentores do dinheiro e do poder? Insatisfação é um dos motivos. Raiva seria outro. Incredulidade no que diz respeito à atenção com os menos favorecidos é uma motivação plausível. Enfim, muitos motivos poderiam ter sido os responsáveis pelo despertar desta gigante, porém eu acredito em um motivo mais forte: a crença na força do coletivo. Não foi assim durante a campanha dos "caras-pintadas" pelo impeachment de Fernando Collor? Não foi assim na Revolta da Chibata? Quantos movimentos começaram silenciosamente e produziram mais barulho que uma explosão? Estes movimentos foram encabeçados por pessoas comuns, como nós, que tinham na vontade de mudar o grande diferencial para o sucesso. Kristen é apenas uma entre muitas pessoas que mudam o mundo diariamente. Chico Mendes e Gandhi são outros exemplos. Todos ficaram diante do dilema de parar e aceitar a vontade dos poderosos ou, arriscando a própria vida, lutar e congregar forças com outros "comuns". Todos eles mostraram que o exemplo pode ser seguido. Somos muito fracos diante do poder do dinheiro. Somos frágeis diante das armas e da força. Mas não há força capaz de silenciar a coletividade. Quando agrupadas, as hienas são capazes de medir forças com os leões...
O que me chamou a atenção nesta notícia foi a ousadia de Kristen. Ela expôs sua realidade, criticou e propôs uma atitude para mudar a injustiça que aflige não apenas ela como muitas outras pessoas. Quantos tem coragem de assumir as rédeas de uma "revolução"? Ela teve. E outros a seguiram.
Todos os dias reclamamos de nosso trabalho, da falta de aumento, da extorsão dos juros bancários e de infinitas outras situações. Todos os dias silenciamos ao ficarmos frente a alguém de poder, pois podemos ser perseguidos, criticados ou despedidos caso essas reclamações cheguem aos ouvidos dos "líderes". Todos as noites somos perseguidos pelos pesadelos de nossa covardia. Que tal dar um basta e tomar uma atitude? Que tal reescrever o futuro e entrar para a História? Mude seu comportamento e entre na guerra. Mude a História (ainda que apenas a sua). Você tem tudo para sair do ostracismo e lutar pelo que é seu... basta querer. Até quando irá se deixar levar pelo que lhe é imposto?
Who watches the watchmen?





segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Promoção: Fear of the dark. O que o assusta?



Aos leitores:
Recebi alguns e-mail e mensagens via twitter com reclamações sobre a participação no sorteio dos livros. Bem, para evitar injustiças, façamos o seguinte: concorrerão ao sorteio de um novo livro (German Warships of World War I – John C. Taylor) todos os que comentarem neste post sobre o tema “O que realmente lhe traz medo?”. O autor da melhor postagem, além de receber o livro, terá seu temor transformado em um conto, a ser publicado aqui. O resultado será lançado no dia 20 de novembro.
Então, o que estão esperando? Exponham o que mais lhes aterroriza.

P.S.: Agradeço aos que visitam e divulgam este site. Tenho me esforçado bastante para trazer matérias interessantes e com conteúdo relevante. Peço desculpas por não postar com mais freqüência, mas prefiro ter um a dois posts por dia com qualidade a uma dezena com baixo padrão.



sábado, 15 de outubro de 2011

O otimismo geral da nação - Revista Época


Matéria publicada originalmente no site da Revista Época neste post.

"Leia meu comentário no final e dê sua opinião" 

 Para celebrar sua 700ª edição, ÉPOCA refez a pesquisa de opinião de seu lançamento, em 1998. Resultado: os níveis de confiança e satisfação são recordes. O que explica o perene otimismo brasileiro?

RICARDO MENDONÇA, COM ALEXANDRE DE MELO, KEILA CÂNDIDO E LEOPOLDO MATEUS
Que o brasileiro esbanja otimismo sobre o futuro não é novidade. Há exatos 70 anos, o austríaco Stefan Zweig cunhou a famosa expressão “Brasil, país do futuro”, que captava a atmosfera esperançosa do país e acabou virando título de seu livro mais conhecido. Cientificamente isso também já foi comprovado. Em 2009, uma pesquisa mundial feita pelo Gallup World Poll mediu o grau de satisfação com a vida em 144 países. As pessoas precisavam responder quão felizes estavam numa escala de 0 a 10. A média 7 atribuída pelos brasileiros colocou o país na 17a posição no ranking mundial, seis posições à frente da própria colocação no ranking anterior, de 2006. Considerando o PIB per capita, que colocava o Brasil em torno do 50o lugar no mundo, esse desempenho já chamava a atenção. Quando os pesquisadores do Gallup perguntaram sobre a expectativa de felicidade para 2014, o Brasil virou campeão mundial. Com nota 8,7, apareceu em primeiro lugar na lista de 144 países. Agora, dois anos depois, uma ampla pesquisa exclusiva constatou que o otimismo brasileiro está calçado na realidade econômica, reflete a melhoria da vida no presente e – a despeito dos problemas – está em ascensão.
Para celebrar sua edição número 700 – esta que você tem em mãos –, ÉPOCA decidiu refazer a pesquisa sobre satisfação com a vida e expectativa de futuro que foi tema da capa da edição número 1 da revista, em 25 de maio de 1998. No levantamento de 13 anos atrás, ÉPOCA estreou nas bancas mostrando o retrato de uma nação moderadamente otimista, menos ufanista que seus vizinhos latinos, mas algo descrente da legitimidade da democracia. Parecia razoavelmente satisfeita com a vida, mas muito preocupada com o problema do desemprego. Falava-se naquele momento que a autoestima do brasileiro estava “saindo do fundo do poço”. O que mudou nessa sociedade, 700 edições depois, é o mote da atual pesquisa. Ela foi levada a campo pelo Instituto MCI no mês passado, com as mesmas perguntas de 1998, elaboradas então pelo centro chileno Latinobarômetro e aplicadas aqui pelos institutos Mori Brasil e Vox Populi.
Apesar de problemas crônicos como corrupção e violência, o país que emerge da consulta parece viver um momento de intensa satisfação, inédita desde a redemocratização, há pouco mais de 25 anos. Tostão, o ex-craque de futebol, hoje cronista, escreveu, dias atrás, um artigo em que captura essa sensação: “O complexo de vira-lata (que Nelson Rodrigues atribuiu aos brasileiros) continua presente. Porém, existe hoje, bastante forte, o sentimento oposto, o complexo de grandeza (...) Existe hoje uma euforia em parte da sociedade, como se o Brasil estivesse uma maravilha e muitos outros países falidos”.
A pesquisa encomendada por ÉPOCA mostra uma nação contagiada por esse “complexo de grandeza”. Há um sentimento de satisfação vários graus acima daquele constatado no fim dos anos 1990, algo que nem sempre é explicável pelas circunstâncias imediatas ou pelas ainda difíceis condições de vida da maioria. O otimismo parece fazer parte da psicologia brasileira mesmo em momentos de crise. Quando as coisas vão bem para o país, como agora, ele transborda. A que se deve isso?
O sociólogo e jornalista Muniz Sodré trata disso no livro A comunicação do grotesco: introdução à cultura de massa no Brasil. Sodré relaciona mecanismos psíquicos e sociais que passaram a fazer parte do “ser brasileiro”. Além do “espírito de conciliação”, do “personalismo generalizado”, do “gosto pelo verbalismo” e da “transigência nas relações raciais”, ele dedica especial atenção ao que chama de “otimismo generalizado” – que, segundo Sodré, muitas vezes transborda para o ufanismo. Para tentar explicar a origem desse fenômeno, o autor volta aos anos 1930, quando o cenário político, econômico e social passou por profundas transformações. Com a ascensão de Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, o governo passou a incentivar um modelo de integração nacional calcado na industrialização, na urbanização e na complexidade do aparelho estatal, que fortaleceu o nacionalismo. O rádio se consolidou como instrumento de difusão da ideia de brasilidade. A cultura foi contaminada por esse clima de euforia ufanista e passou a reproduzi-lo em cancões como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. As riquezas naturais (“Essas fontes murmurantes, onde mato minha sede...”) começaram a ser decantadas. Num cenário de orgulho cada vez mais retumbante, até Deus virou brasileiro. O otimismo se exacerbou e o ufanismo tornou-se uma característica nacional. O Brasil se converteu no “país do futuro”, diz Sodré, um país grandioso, de enorme potencial, de gente simples, mas trabalhadora. “Deixam de existir limites entre o Brasil real e o Brasil possível”, escreveu ele.

A reportagem na íntegra está disponível para assinantes da Revista Época ou adquira seu exemplar em bancas.

Nota: o índice de aprovação e satisfação dos brasileiros é fruto de uma pesquisa e, portanto, não é um retrato verdadeiro da situação de todos os nossos compatriotas. Sempre restará muito o que fazer, pois as diferenças sociais e o descaso dos políticos no tocante aos menos favorecidos ainda é algo vergonhoso. 
O otimismo é uma das ferramentas para que possamos progredir. Porém, indubitavelmente, precisamos de reformas urgentes nas áreas tributárias, de sáude, segurança e educação. É inaceitável ver políticos manipulando votações e aumentando os próprios salários como se isso fosse correto. É inaceitável saber que um policial e um professor recebem quatro vezes menos que um ascensorista. É ridículo o desprezo dado aos bombeiros. Quais os motivos que justificam gastos enormes com ajuda humanitária a outros países se, em nosso próprio território, temos fome, miséria, violência e mortalidade em níveis de Terceiro Mundo?
Vamos nos valer dos sorrisos e do otimismo para buscar sempre algo a mais. Não é correto acreditar que as coisas estão melhorando se isso só atingir uma parcela do povo. TODOS devem ter direito aos benefícios que estão disponíveis a apenas uma minoria. 
O Brasil é o país do futuro, não duvido, mas em minha mente ainda paira um trecho de uma música que diz: "E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero...".
(Franz Lima)

1001 HQ que você precisa ler antes de morrer


Fonte: Bleeding Cool

O Brasil entrou com cinco obras em quadrinhos na seleção "1001 HQ que você precisa ler antes de morrer", entre os quais podemos citar: Maurício de Sousa (Turma da Mônica), Fábio Moon e Gabriel Bá (Daytripper) e Lourenço Mutarelli (O dobro de cinco).
Newsletter de Daytripper
















O editor, Paul Gravett, é um influente crítico no mercado dos quadrinhos e responsável pela revista Escape, onde foram lançadas as primeiras obras de nomes como Neil Gaiman, Campbell Eddie, Dave McKean, Robinson James, Rian Hughes, Kane Shaky, Woodrow Phoenix, Lápis Savage e muito mais. Ele se tornou a primeira referência para qualquer jornalista britânico que deseje uma visão mais ampla em histórias em quadrinhos, além de organizar o Festival Comica a cada ano.


O livro foi elaborado com o colaboração de vários representantes do mundo, incluindo o Brasil (com o autor do “Almanaque dos Quadrinhos”, Carlos Patati). Paul Gravett afirmou que haverá atualizações da publicação em seu site, onde a mesma encontra-se completa para consultas. Veja algumas imagens com uma prévia do livro:






sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Não tenha medo do escuro - Teaser e Trailer


Remake de uma produção para a TV de 1973 - pela rede ABC - e produzido por Guillermo Del Toro (Labirinto do Fauno), Don´t be afraid of the dark (não tenha medo do escuro) é uma dos raros filmes de terror da atualidade que não utiliza o recurso dos banhos de sangue e tripas arremessadas para chocar. Contrariando os mais recentes filmes, somos apresentados a uma produção que usa o suspense para impor o medo, ainda que a computação gráfica e outros recursos não sejam descartados. A história não apresenta muitas novidades. Uma menina (Bailee Madison) se muda com o pai (Guy Pearce) e a namorada dele (Katie Holmes) para um casarão do século XIX (teias de aranha, cortinas, sombras, portas estilizadas, escadas sinistras e uma lareira que mais parece um crematório dão o tom do lugar) habitado por malignas e misteriosas criaturas lá aprisionadas. Tudo corre bem até que Sally, a menininha, liberta-os sem querer. É o início do medo...
Não os ouça. Não apague as luzes. Não os deixe sair.
Acesse a página do filme e veja fotos, baixe wallpapers e faça uma busca pela casa.
TEASER

TRAILER

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como estimular o gosto pela leitura durante a infância


Simone Miletic e a filha Carol em exposição sobre o
livro 'O Pequeno Príncipe' (Foto: Arquivo pessoal)
Matéria publicada originalmente no G1. Autora: Ana Carolina Moreno.

Ao acordar nesta quarta-feira (12/10), Carol Miletic, de 8 anos, vai ganhar, além de uma boneca, um livro de presente no Dia das Crianças. A obra, que pertence à série Monster High, estrelada por monstros adolescentes, vai se somar aos cerca de 50 itens da biblioteca da garota, segundo as contas de sua mãe, a contadora Simone Miletic, de 35 anos.
Por incentivo dos pais, leitores inveterados, e da escola, Carol lê no mínimo um livro por semana - média bem superior à das  crianças brasileiras entre 5 e 10 anos, que leem 6,9 livros por ano (a grande maioria deles por indicação escolar).
O número, relativo a uma pesquisa nacional do Instituto Pró-Livro publicada em 2008, é pequeno em comparação a outros países, como o Japão. O Ministério da Educação, Ciências e Tecnologia japonês afirmou que as crianças retiraram em média 35,9 livros das bibliotecas públicas em 2007. Esses dados são colhidos a cada três anos desde 1954.
No Brasil, a faixa etária que mais lê é a das crianças de 11 a 13 anos, segundo a pesquisa. São 8,5 livros por ano, sendo que apenas 1,4 deles foram lidos fora da escola. A partir dessa idade, a freqüência de leitura cai: a média da população brasileira acima de cinco anos é de 4,7 livros lidos por ano.

Segundo Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo, não é possível obrigar ninguém a ter o gosto pela leitura, mas é muito difícil que alguém sem incentivo na infância venha a se interessar pelos livros no futuro.
"O que a gente pode fazer é semear. Nós não nascemos leitores, nos tornamos leitores por convívio e contato. É permanente mesmo, começa na gestação e se estende por toda a vida”, diz ela.
No estudo do Instituto Pró-Livro, a mãe é citada pela maioria dos leitores como principal inspiração para cultivar o hábito. Os números também mostram como a família pode incentivar - ou frear - a leitura. Entre as pessoas que se declararam não leitoras (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa), 85% afirmou que nunca ganhou um livro de presente.
Já entre os leitores, a porcentagem de pessoas que foram presenteadas com um livro sobe para 52%.
O exemplo dos pais também conta: 60% dos leitores se acostumaram a ver os pais lendo durante sua infância, enquanto 63% dos não leitores nunca ou quase nunca viu esse costume dentro de casa.

Saiba mais pelo link do G1 e curta a matéria na íntegra.




terça-feira, 11 de outubro de 2011

Escritor brasileiro é o mais produtivo do mundo



    Esperar editora é utópico, diz autor recordista em livros publicados.
            Ryoki Inoue, autor de 1.100 livros, dá dicas para publicar de forma independente.
O autor com o maior número de livros publicados forneceu informações e dicas para que outros autores possam também divulgar e vender seus produtos. A reportagem foi assinada por Daniel Buarque e está disponível na íntegra pelo Portal G1.
Cansado das dificuldades e da manipulação das grandes editoras, Inoue criou sua própria editora onde lança suas obras. Hoje, ele investe em lançamentos de outros escritores, oferecendo serviços de consultoria, edição e impressão. Uma parte interessante do relato de Ryoki é a afirmação de que “os escritores devem assumir o papel de principais divulgadores e vendedores dos próprios livros”.  “Esperar que apareça uma editora que invista em sua obra é bastante utópico”, afirma.
A matéria ainda foca na importância das vendas independentes como forma de divulgação do trabalho de escritores iniciantes, uma vez que as grandes editoras não lançam edições com apenas 200 ou 300 livros. Um exemplo concreto do sucesso da publicação independente é o best-seller Eduardo Spohr que transformou seu livro – antes restrito a um público específico – em um sucesso nacional e internacional. Outro ponto importante abordado é a posição de algumas editoras na seleção de obras de autores, onde fica evidente a importância da qualidade do que é apresentado para seleção e publicação.
Não conheço os escritos do autor, mas o que quero frisar neste post é o esforço e os resultados obtidos pela persistência.
O site de Ryoki Inoue é www.ryoki.com.br. Acesse e saiba mais sobre o autor mais prolífico do mundo (segundo o Guinness Book).
Ryoki é o Pelé da literatura.”
Alexandre Garcia, Rede Globo TV



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