{lang: 'en-US'}

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Arquivos Genghis Khan - Parte III


Finalizando a série em três partes sobre o imperador e conquistador mongol Genghis Khan, apresentarei a vocês o escritor de romances históricos (obras ficcionais com embasamento em material histórico) Conn Iggulden. Conn já obteve grande sucesso com a quadrilogia "O Imperador", onde relata episódios da vida de Júlio César, o chefe militar e político da antiga Roma que obteve grandes sucessos em campanhas de guerra e também ficou gravado na história como o amante de Cleópatra, rainha egípcia que lhe deu um filho.
Mas seu trabalho mais longo é a série sobre Genghis Khan. Com cinco livros publicados na Inglaterra (no Brasil ainda dispomos apenas de quatro livros da série publicados), Conn Iggulden ganhou notoriedade e tornou-se respeitado no meio literário por seu afinco nas pesquisas para os livros que escreve. Tanto na série "O Imperador" quanto na "O Conquistador", ele provou a seriedade de seu trabalho, mesmo não sendo um historiador.
O detalhamento e a narrativa de suas obras levaram muitos a compará-lo a Bernard Cornwell, outro escritor de romances históricos que, aliás, é amigo pessoal de Conn e um grande incentivador de sua obra.
Veja abaixo a descrição de seus livros sobre Genghis Khan, suas conquistas e a sequência de seu Império após morte.


Livro 1 - O lobo das planícies: Temujin tinha apenas 11 anos quando seu pai foi morto. Filho do líder da tribo, o menino foi então abandonado, e começou a vagar pelas planícies. Em pouco tempo, Temujin dominava o arco-e-flecha, demonstrando grande habilidade com armas. Reunindo outros excluídos como ele, logo dominaria diversas tribos. A grande jornada apenas começava, um novo imperador estava nascendo: Gêngis Khan. O lobo das planícies é o primeiro volume da série O Conquistador, que recria a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes.


Livro 2 -  Os senhores do Arco: O grande Khan nasceu nas planícies da Ásia Central para unir as tribos mongóis divididas pela guerra. O maior dos guerreiros deseja criar uma nova nação nas planícies e montanhas da Mongólia. E contará com seus irmãos Kachiun e Khasar e seus valentes e disciplinados guerreiros para conquistar as ricas cidades do império Jin.
Para atingir seus objetivos, ele precisa destruir o antigo inimigo, que manteve seu povo dividido, atacar suas fortalezas e cidades muradas e encontrar uma maneira de combatê-lo, enquanto lida com seus generais indomáveis, irmãos ambiciosos e os filhos crescendo.



Livro 3 - Os ossos das colinas: Gêngis uniu as tribos rivais, tornando-as uma nação, e liderou seus exércitos contra seus mais antigos inimigos. Agora, ao oeste das planícies da Mongólia, seus emissários são mortos e suas tentativas de negociação, repelidas. Assim, ele envia suas forças em várias direções, nomeando seus filhos e irmãos como generais. A descoberta de novos territórios, a cobrança de tributos dos povos conquistados e a devastação das cidades que ousam resistir fazem parte da política para minimizar as rivalidades entre os herdeiros e escolher entre eles aquele que será seu sucessor.


 Livro 4 - Império da prata: Após a morte do grande líder Gengis Khan, seus herdeiros batalham entre si, por intrigas ou confrontos diretos, para decidir quem será seu sucessor. Seu filho Odegai é quem sai na frente nesta disputa, construindo uma nova capital para o império mongol. Em meio a isso, o habilidoso general Tsubodai, homem de confiança de Gengis Khan e Odegai, marcha para a Europa cruzando a Rússia, disposto a invadir e conquistar a França Medieval.
Com um exército desorganizado e sem um líder forte, parece que a queda do reino francês é inevitável. Porém Tsudobai, em seu momento de glória, terá que fazer escolhas mais difíceis do que esperava.

 
Livro 5 - O Conquistador (provável título): Conquistador (ainda não lançado no Brasil) conta a história de Kublai Khan - um homem extraordinário que deve ser lembrado ao lado de Júlio César, Alexandre, o Grande e Napoleão Bonaparte como um dos maiores líderes do mundo já conheceu.
Deveria ter sido uma época de ouro, com um império de vastas terras conquistado pelo poderoso Gengis Khan. Em vez disso, a imensa nação Mongol está lentamente perdendo terreno, engolida por seus inimigos mais antigos. Uma nova geração surgiu, mas a longa sombra do Grande Khan ainda paira sobre todos eles...

Os sonhos de um império que se estende de mar a mar permanecem. Mas, para construí-lo, o novo khan deve primeiro aprender a arte da guerra. Deve tomar guerreiros de sua nação até os confins do mundo conhecido. E quando o cansaço o abater, quando for ferido, ele terá que enfrentar seus próprios irmãos na sangrenta guerra civil.

Li e recomendo os três primeiros livros da série. A trama é extremamente bem elaborada e tem base histórica, apesar das inclusões ficcionais para dar maior credibilidade à narrativa. O quarto livro da série foi lançado recentemente em nosso território e, por enquanto, não há previsão para o lançamento do quinto e último volume sobre a vida de Genghis Khan e seus ascendentes.

Para complementar, acessem O Nerd Escritor e saibam um pouco mais sobre a passagem de Conn Iggulden na Bienal de 2010 em São Paulo, onde fiz algumas perguntas ao autor e, como todo bom fã, consegui o autógrafo em um de seus livros.
Conn e Franz - Bienal 2010

“Uma história brilhante. Eu queria tê-la escrito. Uma leitura maravilhosa.”  - sobre a série "O Imperador".
— Bernard Cornwell

 Aos que leram as três partes sobre este mito da História, deixo meus sinceros agradecimentos. Caso tenha ocorrido algum erro ou incoerência, contatem-me por e-mail ou twitter.
Abraços.
Franz.

A arte de Franz Lima - Parte II


Amigos, estes novos desenhos são frutos diretos de bons momentos de lazer. Desenhar é um hobby tão bom quanto ler. Assim, eis mais três trabalhos meus da década de 90. Abraços e um bom divertimento.
Este desenho reflete bem o contexto financeiro da época - sem o Euro
O desenho acima é uma pequena amostra do perfil econômico da época (1991). Os países europeus ainda tinham uma moeda própria, sem qualquer perspectiva de surgimento de uma moeda e economia únicas. Outro fato interessante é o uso de estereótipos para representar cada país. Destaque para o Irã e sua principal moeda: o refém.
Relembro que esta ilustração é uma brincadeira para enfatizar o caráter extremista de alguns setores iranianos, principalmente por conta do regime dos Aiatolás que foi financiador de grupos radicais.
Ilustração da antiga revista Heavy Metal
Este segundo desenho é uma reprodução de uma ilustração da revista Heavy Metal. A publicação mostrava trabalhos de grandes ilustradores (Moebius, Crepax e outros) e foi sucesso durante muito tempo.
Violador, o inimigo principal de Spawn
Este último desenho é a reprodução de um sketch de Todd McFarlane, autor de Spawn - o soldado do inferno - onde foi feito um estudo do maior inimigo de Spawn, o Violador (um dos irmãos Flebíacos e demônio de grande influência nos círculos infernais).


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Promoção: concorra a um exemplar de "Filhos do Éden"




O Natal está chegando e para comemorar, estarei sorteando um exemplar de Filhos do Éden, do Eduardo Spohr. Para concorrer, basta usar o twitter com a seguinte mensagem: "Quero ganhar um exemplar de Filhos do Éden - do Eduardo Spohr - através do  @FranzEscritor. king.to/Uno". Não se esqueça de seguir-me pelo twitter. Quanto mais retwittar, maiores as chances. Boa-sorte.
O sorteio será dia 23/12 e é válido para todo o território nacional.

Hungry Hobos - desenho esquecido da Disney - é encontrado


Por Mike Collett-White - Reuters 

LONDRES - Um desenho perdido de Walt Disney, cuja criação é anterior ao Mickey Mouse, foi descoberto em um arquivo de filmes britânicos e será oferecido em leilão em Los Angeles, em 14 de dezembro.
"Hungry Hobos" foi um dos 26 episódios que traziam "Oswald, o Coelho Sortudo", um personagem criado por Disney e pelo cartunista Ub Iwerks em 1927 para a Universal Studios.
A primeira produção com Oswald, amplamente considerado um protótipo para o famoso Mickey Mouse, foi rejeitada pelo estúdio de Hollywood, mas a segunda, "Troubles Trolley", deu o pontapé inicial a uma série bem sucedida.
Robert Dewar, diretor comercial da Huntley Film Archives, uma das maiores bibliotecas independentes de filme da Grã-Bretanha, disse que ele e seus colegas encontraram a única cópia remanescente de Hungry Hobos durante uma catalogação de rotina no início deste ano.
"Nós temos mais filmes do que você pode imaginar", disse ele à Reuters, acrescentando que apenas cerca de 40.000 do arquivo de 80.000 filmes estão totalmente contabilizados.
"Nós achamos que este (Hungry Hobos) parecia um pouco suspeito." Amanda Huntley, que trabalha no arquivo, acrescentou que quando o filme foi verificado, "nós não conseguíamos acreditar nos nossos olhos. Para um arquivista, encontrar uma obra-prima perdida é incrível - você simplesmente não acha que isso vai acontecer com você."
Dewar disse que o arquivo pretende usar o dinheiro arrecadado com a venda para ajudar a preservar a sua biblioteca. Os leiloeiros esperam que o filme de 5 minutos e 21 segundos seja arrematado por 30 a 40 mil dólares.
O personagem de Oswald apareceu em várias formas ao longo dos anos, mas a importância de Hungry Hobos é de que ele faz parte da primeira série associada diretamente com Disney.
De acordo com Dewar, somando-se a importância do filme está o fato de que ele foi ao ar em 14 de maio de 1928, um dia antes da primeira exibição experimental de Mickey Mouse. É um dos vários episódios da série original, que ainda acredita-se estar perdida.
Em 1928, Disney pediu a Universal mais dinheiro, mas seu pedido foi rejeitado, provocando a decisão de se separar do estúdio. Iwerks foi junto com Walt Disney e eles desenvolveram a criação mais famosa, Mickey Mouse, uma versão de Oswald.
"Oswald é um proto-Mickey", disse Dewar. "Se você vê-lo, você vê o mesmo formato da cabeça, as orelhas, os maneirismos." Ele acrescentou que a Walt Disney Co., a empresa de entretenimento global, estava ciente da descoberta.

Fonte: UOL

É interessante ver os "protótipos" de desenhos clássicos. O Pernalonga teve um esquilo como precursor que possuia todos os artifícios e manias do coelho.

Ator que interpreta Bane fala sobre a violência do personagem


Em entrevista a versão britânica da Empire Magazine, o ator Tom Hardy (“A Origem”) comentou sobre Bane, seu personagem em “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”.
De uma forma bem descontraída, Hardy fez comentários sobre o estilo de luta de Bane,enfatizando a agressividade do personagem. O ator se demonstrou bem empolgado ao descrever as características de Bane. “Ele é brutal, muito brutal…ele é como uma bola de demolição…capaz de se safar com qualquer coisa. Ele é um terrorista tanto na sua mentalidade, como na sua forma de agir. Ele é horrível”, disse.
Sobre a grande cena de luta filmada em Nova York a poucos dias,  o ator comentou as dificuldades encontradas. “É impressionante. Quando você está treinando em sala de ensaios e ‘ok, sei que vou lutar com estes sete caras… e então eu me encontro com o Batman’. Vai tudo bem até adicionarem mil pessoas em cena, todas vestidas como os sete que você deveria bater – afinal de contas, eles são todos políciais – e eu não sei onde estão os meus policiais. Mas o coreógrafo garante: ‘Eles vão encontrar você’”, declarou o astro.
O novo filme do herói de Gotham City é um dos mais aguardados para o próximo ano. Na trama, Batman tornou-se um perseguido pela lei, após ter sido acusado de ter assassinado Harvey Dent em uma busca liderada por seu amigo Comissário Gordon. Então, ele precisa lidar rapidamente com a chegada do novo vilão Bane, responsável por uma onda de caos e destruição em Gotham City, enfrentar velhas feridas com a enigmática Selina Kyle e salvar a cidade antes de que tudo seja perdido para sempre.
Christopher Nolan (“A Origem”) dirige o longa e é responsável pelo roteiro,  juntamente com seu irmão Jonathan Nolan (“O Grande Truque”) e David Goyer (“Batman Begins”). Além de Hardy, estão no elenco os atores Christian Bale (“O Vencedor”), Gary Oldman (“O Livro de Eli”), Morgan Freeman (“Invictus”), Joseph Gordon-Levitt (“500 Dias Com Ela”), Anne Hathaway (“O Diabo Veste Prada”), Marion Cotillard (“Inimigos Públicos”), Juno Temple (“Ano Um”), entre outros.
A estreia acontecerá no dia 20 de julho do próximo ano, chegando ao Brasil uma semana depois, no dia 27

Notícias sobre "A familia Addams" de Tim Burton. Projeto não morreu.


Havia boatos de que Tim Burton pretendia fazer uma versão animada de A Família Addams. Bem, inspirado pelo seriado dos anos de 1960 e os dois filmes de Barry Sonnenfeld, além das ilustrações do próprio Charles Addams, ele realmente pretende criar seu próprio filme sobre a excêntrica e fantástica família, usando tecnologia 3D e a técnica de animação por stop-motion. Alguns dos representantes de Burton disseram: "Não há verdade na história. Tim não alinhou qualquer um de seus próximos projetos." Embora isso tenha sido dito, não há nada que exclua tal projeto da lista de novas realizações do diretor Tim Burton. 
Durante a conversa sobre o seu próximo filme Despicable Me, o produtor Christopher Meledandri disse que a família Addams está acontecendo e que Burton está realmente participando. Ele também confirmou que Burton não usará animação por computador e em vez disso fará uso da boa e velha animação stop motion, usada em filmes como The Nightmare Before Christmas e Noiva Cadáver.   Há também uma chance de que o filme de animação será lançado em preto e branco, no entanto, não há decisões finais feitas sobre essa questão. E, mesmo com todos esses detalhes, Meledandri fez ressaltar que o filme é apenas um projeto precoce ainda.
Percebi que  Burton levou as coisas um passo longe demais com Alice no País das Maravilhas, mas há algo sobre este projeto que sugere que pode ser o caminho certo para Burton. Não há como negar que a animação stop-motion é hipnotizante e muito mais viva do que a animação de computador padrão. Além disso, optando por usar os Addams "como fonte de material", dará a Burton uma desculpa adequada para ficar mais dark e, mais importante, algo que faria o seu filme mais original ao invés de apenas um remake ou reboot de filmes de Sonnenfeld. O filme todo em preto e branco é bastante intrigante também. Poderia desviar a atenção da técnica de animação, mas é também algo que nunca vimos nos modernos filmes de animação.

Fonte: Cinema Blend 
Recentemente Meledandri disse ao site Collider.com em 19 de março de 2011:
"Larry Karaszewski e Scott Alexander (escritores de Ed Wood ) estão escrevendo o roteiro, e nós trabalhamos por fases a história inicial com eles e Tim [Burton] e eles estão fora, escrevendo o roteiro agora, enquanto falamos. Tim é provavelmente a pessoa mais ocupada que alguém poderia ser, mas o mais importante é que, quando ele tem um script na mão para estudar e decidir sobre ele, precias, primeiramente, findar seus trabalhos atuais e, assim, não pode se mover mais rápido do que Frankenweenie e Dark Shadows, seus projetos recentes. Assim que Tim encerrá-los, haverá ainda um lugar para fazer o filme."

A esperança de uma produção de Burton sobre a família Addams não está condenada ao limbo. Vamos aguardar por novas notícias sobre este grande projeto.

The Art of Tim Burton - Lançamento edição importada


Livro contém mais mil ilustrações exclusivas do cineasta que servem de crônica aos seus 40 anos de carreira.

Tim Burton acaba de lançar um edição especial "The Art of Tim Burton", um livro onde o realizador de "Edward Mãos de Tesoura" e "Sweeney Todd" apresenta grande parte dos esboços e desenhos originais que inspiraram as personagens dos seus filmes.
Depois da exposição do seu trabalho no MoMA, um dos museus de arte mais importantes de Nova Iorque e todo o mundo, ter tido uma afluência que o coloca em 3º no ranking das exposições mais visitadas naquele museu - sendo precedido apenas pelos pintores Picasso (1980) e Matisse (1992) - Tim Burton apresenta grande parte da origem do seu trabalho e, ainda, algumas confissões íntimas nas 434 páginas do livro de arte.
O livro está disponível por menos de 300 dólares (cerca de 225 euros) e as mais de mil ilustrações que contém – que apresentam um certo grau de intimidade por terem sido feitas para que nunca fossem vistas – estão organizadas por separadores com nomes saídos diretamente do universo de Burton, como "Misunderstood Monsters" (monstros incompreendidos) e "Freaks, Friends and Foes" (aberrações, amigos e inimigos), segundo exemplifica a revista Vanity Fair.
Tal como na exposição, as ilustrações da autoria do cineasta – um desenhista compulsivo - que incluem esboços em cadernos e blocos de notas e, até mesmo, em guardanapos de restaurantes, servem de crônica da carreira de 40 anos do realizador.
Todas as personagens de Burton ficaram, assim registadas, com pormenores estéticos e detalhes íntimos sobre o processo criativo do cineasta a concebê-las e representá-las tal como aparecem nos filmes.
A edição especial do livro "The Art of Tim Burton" conta ainda com comentários de vários colaboradores, ao longo do tempo, assinados, entre outros, por Johnny Depp, Winona Ryder, Martin Landau e, ainda, a companheira Helena Bonham Carter.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Capas simulam o visual de um livro no iPad


Com o advento do livro eletrônico, alguns passaram a sentir falta do prazer de andar por ai com um livro embaixo do braço.
Para esses a boa notícia é que já existem capas para iPad que imitam livros.
Algumas tem cara de livro moderno, outras de livros antigos e tem até capa que imita livro em madeira.
A capa vem com a dupla vantagem de funcionar como um invólucro protetor para o equipamento ao mesmo tempo em que disfarça o tablet – afinal, em um país em que poucos leem, quem vai se interessar em roubar um livro?

A autora do post original realmente acertou. Nunca sequer ouvi falar de alguém que teve seu livro roubado. O visual de livro dado ao iPad foi uma idéia bem legal. Será que farão algo similar para o Kindle? 




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Resenha do longa de animação “Batman – Ano Um”



Animação respeita o fã da HQ original


As informações abaixo não são Spoillers, leia sem medo.

Cheguei a pensar que este seria mais um longa que por ser baseado em uma HQ, onde o fato de muitos fãs já conhecerem a trama, provocaria nos produtores uma reação de despreocupação com o produto final. Explico. Há desenhos animados em longa ou curta-metragem que se baseiam em quadrinhos. Fruto ou não da pouca imaginação dos roteiristas, o fato é que as adaptações são uma realidade cada vez mais presente, principalmente a partir da década de 1990. Algumas adaptações – não apenas de 90 em diante – trazem um conteúdo agradável para o fã, para os que desconheciam o trabalho e também para os especialistas neste tipo de produção. Obras como “A bela e a fera”, “Alladin” e “Aeon Flux”, baseadas em fábulas, histórias de outros povos ou quadrinhos são grandes transposições de seu formato original para a animação. Outras produções como “Avatar, o último dobrador de ar”, “Coragem, o cão covarde” e outras mais são resultado direto da vontade de criar algo inovador e interessante para todas as faixas etárias. 

“Batman – Ano Um” não pode pecar. A história é bastante popular e, entre os fãs do Morcego, está no mesmo patamar que “A piada mortal”, “Asilo Arkham” e “O Cavaleiro das Trevas”. David Mazzuchelli ilustrou magnificamente as idéias que Frank Miller – como roteirista – expôs. O resultado é uma expansão no passado do Batman, mostrando as dificuldades e dilemas do jovem Bruce Wayne para se tornar o mais ameaçador combatente do crime. Os primeiros dias do Morcego são realmente muito complicados.

E é isso que vemos no longa-metragem animado. Wayne ainda é um jovem atormentado pelo desejo de combater o crime, ainda sofre com a perda dos pais. Mesmo sendo um combatente preparado anos a fio para a guerra, sua inexperiência o coloca em péssimas situações.

Paralelamente a isto, acompanhamos o tenente Gordon, transferido há pouco tempo para a polícia de Gotham. Um agravante: sua esposa está grávida. Outro agravante: sua honestidade não é compatível com a realidade policial que encontra.

A animação está fiel aos quadrinhos. A transposição da nona arte para o desenho animado não destrói o que Miller e Mazzucchelli construíram. A violência permanece, mas não gratuitamente, apenas para nos mostrar o quanto uma grande metrópole (em qualquer lugar do mundo) pode ser cruel e impiedosa. 

As dúvidas e temores de dois combatentes do crime – Wayne e Gordon – são relatados de forma convincente e não irão decepcionar os fãs da HQ. De igual forma, os que ainda não conhecem a obra original irão findar a animação com vontade de ler e ver uma das histórias em quadrinhos mais influentes na mitologia do Cavaleiro das Trevas.

Considere que a HQ recebeu um complemento ao ser animada, propiciando uma outra visão aos fãs de "Ano Um".
Contudo, não vá esperar algo inovador visualmente ou com um roteiro revolucionário. A revolução que “Batman – Ano Um” fez já está presente em quase todas as produções posteriores à HQ. Um grande influenciado por esta história e suas ilustrações foi Christopher Nolan em “Batman Begins” e, além do que já citei, isso já basta para mim.

Franz.

A Bela e a Fera: nova versão 3D


Um desenho já aclamado como clássico, "A Bela e a Fera" retornará em janeiro de 2012 no formato 3D.
Veja abaixo o novo trailer desta magnífica obra dos estúdios Disney.





Fonte: Omelete

Humor negro de um crioulo: A lenda


Reza a lenda que Uoxinton chutava bastante já dentro da barriga da mãe, mas chutava com estilo- nada de força. A mesma lenda também conta que ao nascer sua mãe disse "Que lindo!", o pai disse "Meu filho!" e o medico ficou calado. Mas, a verdade é que a mãe pensou "Que fofo", o pai pensou "Pelo menos é macho" e o médico riu - só que ninguém pôde ver por causa da máscara cirúrgica- e pensou que já havia visto piores.
A lenda diz que sua primeira palavra foi 'gol', que no dia do seu segundo aniversario ganhou a primeira bola, que aos dois anos já conseguia fazer embaixadinhas e no dia seguinte marcou o seu primeiro gol. Aos sete anos, já reproduzia todos os dribles que assistia na TV, aos oito começou a inventar os seus próprios e quando ele tinha nove anos três meses e vinte e cinco dias aconteceu o inevitável. Deixou de falar na primeira pessoa do singular.

Foi meio confuso no começo, por um tempo a mãe chegou a pensar que ele tinha algum tipo de amigo imaginário, o pai até o pastor chamou. Mas foi um tio quem matou a charada enquanto ouvia uma entrevista com um jogador que se dirigia ao vestiário após o jogo, era como se ouvisse o sobrinho falando. 
No dia seguinte falou qualquer besteira com o garoto só pra comprovar sua teoria.
- E aí, Uoxinton? Como vai na escola?
- Bem , tio! Não é fácil, mas a gente vem trabalhando duro e se Deus quiser vamos sair com o resultado.
Não havia dúvidas: O moleque tinha enlouquecido e pensava ser um jogador de futebol, ou tinha sido possuído pelo espírito de algum jogador morto. O tio alertou a mãe, a mãe contou ao pai, o pai tentou resolver à base do cinturão. Não deu certo, ele ficava choramingando 'A gente não fez nada'.
.
Ninguém sabia ao certo o que fazer, mas um vizinho teve uma idéia que mudou a vida do nosso herói, levá-lo ao Seu Bill, o treinador do glorioso Bode.  Se o problema do garoto tinha algo remotamente relacionado à bola, Bill saberia como dar um jeito. Chegando lá, o coroa olhou pro garoto, falou umas besteiras que ninguém entendeu e o garoto respondeu outras besteiras que o pessoal igualmente não entendeu. Então Bill, muito calmamente, se dirigiu ao pai e disse saber do que o garoto estava sofrendo, mas que precisava fazer um simples teste para confirmar o diagnostico. 
Antes, seu Bill fez os pais de Uoxinton prometerem que se a suspeita se confirmasse, ele seria o responsável pela cura do garoto. Os pais não entenderam bem, mas prontamente concordaram.

Bill pegou uma bola velha, fez umas mungangas com ela e tocou pro garoto, o pirralho matou no peito, deu de coxa, parou na testa, passou pro nariz, voltou pra testa, rolou pra nuca, voltou pro peito e deu de volta pra Bill. Bill sorriu e disse pro pai que o diagnostico fora confirmado: craque de nascença. E o detalhe da fala seria consertado com algumas tardes de treino no campinho de barro do Bode. Naquele dia Uoxinton ganhou seu primeiro par de chuteiras.

Gostou do sarcasmo e do bom humor deste texto? Seu autor escreve regularmente pelo Dito pelo Maldito na coluna Elemento Suspeito, onde estão seus outros trabalhos já publicados. Deleite-se nas palavras ditas pelos Malditos!

"A Batalha do Apocalipse" é publicado na Holanda


Palavras de Eduardo Spohr:

"A Batalha do Apocalipse" ganha versão holandesa. Agora é o NerdPower na Europa


Queridos leitores,

Vocês lembram que eu disse (em vários eventos) que quando “A Batalha do Apocalipse” saísse no exterior, eu avisaria? Pois é. A versão holandesa do romance chegou às livrarias dos Países Baixos (sem trocadilhos) na última semana.

A luta começa agora, na verdade. O fato de o livro ser publicado não garante muita coisa. A batalha é para que ele alcance sucesso, coisa que pode acontecer ou não. Se você tem algum amigo holandês ou que more na Holanda, ou mesmo que viva na Europa e tenha acesso à obra, propague a ideia, avise aos conhecidos. Este é o momento de ativar o NERDPOWER around the world ;-)

Sobre a capa. Imagino que, como eu, você não deva ter gostado muito da capa. Cheguei a questioná-la junto à Luiting Fantasy (minha editora por lá), mas o argumento deles é correto. A percepção do público varia muito de país para país. Por exemplo, as capas dos livros do Cornwell nos Estados Unidos são muito coloridas (veja uma amostra), um traço o que no Brasil seria associado à literatura infanto-juvenil. Então, resta torcer para que dê tudo certo.
Leia muito mais em Filosofia Nerd

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A arte de Franz Lima - Part I


Boa-noite, amigos.
Esta é uma oportunidade que tenho para divulgar e ampliar meus conhecimentos, escrever e mostrar ao mundo um pouco sobre mim. Como a maioria já deve ter percebido, quadrinhos, cinema e literatura são grandes paixões em minha vida. Concluirei meu primeiro livro ainda este ano e já postei alguns contos meus. Mas isso não é tudo...
Vinte anos atrás eu estava envolvido no mundo da ilustração. Não era algo para ganhar dinheiro, apenas um hobby responsável por ótimos momentos. Aproveitando o espaço, quero compartilhar com vocês alguns trabalhos meus. Não sou um criador de desenhos, mas um "copista" que reproduz aquilo que vê. Eis dois de meus trabalhos, onde apenas um deles está  com o desenho original para comparar. Na época em que os desenhei - ano de 1991 - eu usava a assinatura "AWL". Espero que gostem! 

Capa de Raça das Trevas - Original

Minha versão - Lápis de cor
Batman - Black & White (1991). Não tenho a imagem de referência...
P.S.: caso alguém encontre a imagem original deste Batman que fiz, mande via e-mail, por favor. :D

Chinês constrói ‘iPad caseiro’ para namorada


Bastou um laptop de segunda mão de 500 iuanes (R$ 140) e muita habilidade manual para o jovem Wei Xinlong, um estudante universitário do norte da China, construir um “iPad caseiro” como presente a sua namorada, relata nesta quarta, 23, a imprensa local.
Segundo o jornal oficial China Daily, que mostra imagens do aparelho com o casal sorridente, Wei precisou de dez dias e 800 iuanes (R$ 230) para construir a réplica do iPad, capaz de mostrar textos, filmes e baixar arquivos através de toques na tela tátil, como qualquer outro tablet.
Apesar da réplica não ser tão fina como o aparelho original, Wei não se esqueceu de decorá-la com a maçã-símbolo da Apple, empresa que fabrica o iPad verdadeiro.
O jovem e sua namorada, Sun Shasha, estudam na Universidade Nordeste da cidade de Changchun, perto da fronteira com a Coreia do Norte. Ambos pertencem a famílias humildes do campo.
Wei reconhece que não tinha dinheiro suficiente para comprar um tablet à namorada. Por isso, buscou na internet vídeos que mostravam como fabricar um aparelho e decidiu colocar as instruções em prática.
“É o melhor presente que já recebi. Vou guardá-lo para sempre”, disse Sun, que também deu seu toque pessoal ao “iPad caseiro”, decorando-o com pedras de bijuteria.

Veja a reportagem original e os vídeos relacionados em Estadão.

Como dizem: quem não tem cão...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Arquivos Genghis Khan – Parte II



GENGIS KHAN: “CONDOTTIERE” OU DEMÔNIO? *

* Condottiere é o que se denominou como chefe de bandoleiros ou soldados mercenários.

Esta matéria foi publicada, originalmente, na revista "Grandes acontecimentos da História" - em pleno periodo ditatorial de nosso país na década de 1970 e não consta o nome de seu autor nos créditos. Este é o segundo episódio de três da vida e morte de Genghis Khan, o maior conquistador que a humanidade já teve. O terceiro episódio será composto por uma resenha dos três primeiros livros da série "O Conquistador" de Conn Iggulden, onde as aventuras e desventuras de Khan são descritas com requinte de detalhes e grande embasamento histórico. 

Seu nome verdadeiro era Cingis Quan. Viveu de 1167 a 1227. Sua imagem é até hoje imprecisa. O grande príncipe mongol teve uma mocidade cheia de misérias, sofrimentos, humilhações e vergonha. Cresceu entre lutas tribais e as piores brigas de família. Chamavam-no também Temujin, e ele revelou desde cedo seus dotes de ambição, crueldade e magnanimidade ao mesmo tempo. Uma personalidade complexa, que justifica as interpretações mais contraditórias. Há quem, até hoje, o tome por modelo.
Genghis Khan um condottiero ou um demônio?
Vingativo, astuto, mas corajoso, fez sempre uso violento do poder. Com vinte anos a primeira vitória: os chefes Tayiciud são fervidos vivos. No entanto, uma delicadeza selvagem acompanha o seu mito.
Entre o fim do século XIX e o início do século XX, um homem honesto, sagaz e brando, que havia alcançado o importante cargo de presidente do Senado de Dresde, Daniel Paulo Schreber, foi acometido por uma grande loucura: começou a apavorar-se com catástrofes cósmicas e a alucinar-se com terríveis visões. Uma delas consistia no próximo fim da raça ariana, que não cumprira sua responsabilidade ético-político-religiosa. A única esperança podia ainda manifestar-se na vinda de um “príncipe mongol”, no qual ele proximamente se reencarnaria, conduzindo a humanidade a salvo.
Este “príncipe mongol” dos delírios e fantasias de Schreber era Genghis Khan.
Por que na mente conturbada do juiz Schreber apareceu a imagem do conquistador mongol? Por que ele percebeu a restauração da ordem no mundo como uma purificação rápida e violenta, através da morte?
Por que reevocamos a trágica visão apocalíptica do senatspresident encerrado na sombra irrevogável da sua loucura? À parte o fato interessante que do caso Schreber Freud deduziu a sua teoria da paranóia, quisemos oferecer a imagem de Genghis Khan que estava e ainda está impressa na consciência coletiva. Ele é um destruidor: metaforicamente alimenta-se dos corpos de seus inimigos; seu emblema totêmico é o logo. Além do mais é invencível: quando um de seus mais velhos e fiéis amigos lhe pergunta: “Tu és o soberano e te chamam de herói. Qual é o sinal de conquista e vitória que trazes na mão?”, o príncipe responde: “Antes de subir ao trono do Império, andava a cavalo por uma estrada. Encontrei seis homens que tramavam uma emboscada na passagem de uma ponte e queriam a minha vida. Quando cheguei perto, tirei minha espada e enfrentei-os. Eles me lançaram uma nuvem de flechas mas nenhuma me acertou. Matei-os todos com a espada e cavalguei para longe, ileso. Na volta, cheguei novamente ao lugar em que tinha vencido os seis homens. Seus cavalos vagavam por ali, sem donos. Levei-os todos comigo”.
Agora a pergunta é esta: qual a verdade nesta crua imagem do grande príncipe mongol? E para respondê-la precisamos voltar à existência histórica de Genghis Khan, ou melhor Cinggis Qan (1167-1227).
O seu verdadeiro nome era Temujin: “o primogênito entre os cinco filhos de Yesugai, o segundo chefe de um grupo de mongóis, vassalos do Kereit”, que com menos de dez anos ficou órfão de pai. Teve que se arranjar. Sua adolescência foi cheia de misérias, sofrimentos e humilhações. Foi até escorraçado, junto com sua mãe Höellün, pelo grupo de nômades esfarrapados que foram chefiados por seu pai. Cresceu entre lutas tribais, brigas de família, vicissitudes que tinham mais sabor de banditismo do que de atos guerreiros. Mas Temujin era um rapaz orgulhoso, vingativo, que a própria crueldade dos atos a que era submetido, aperfeiçoava, aguçando seus dotes inatos de sagacidade, de ambição, de coragem cruel e magnânima ao mesmo tempo. Tinha pouco mais de vinte anos quando conseguiu sua primeira clamorosa vitória. Chefiando 13 mil homens venceu as forças imponentes de uma grande tribo rival: os Tayiciud, que algum tempo antes o tinham aprisionado. A vingança sobre aquela gente foi atroz: os chefes foram fervidos vivos, e os outros, inclusive mulheres e crianças, decepados.  De um dia para o outro Temujin ficou famoso e suas hordas mongólicas tornaram-se o terror dos inimigos. Agora ele podia tratar de igual para igual os mais poderosos condotierri nômades: o Van Qan dos Kereit e o destemido guerreiro Jamuqa. Confirmava-se a exclamação profética de sua mãe Höellün, quando ele nasceu: “Não foi à toa que veio à luz saindo com violência de meu ventre, apertando na mão um coágulo de sangue! Ele é como um qablan, pássaro que se atira contra as rochas; como o demônio Manggus, que engole viva a sua vítima; como o lobo que surge de improviso na tempestade; como o ganso negro; como o tigre que não hesita em aferrar a presa; como o mastim que ataca...” Temujin aliou-se a Van Qan e junto com ele realizou grandes proezas de grande importância. Mas as relações entre os dois não eram fáceis e logo deterioraram. Até que um dia Van Qan e Jamuqa decidiram capturá-lo. Mas Temujin foi avisado a tempo e fugiu “abandonando tudo que possuía de pesado”. Dirigiu-se às montanhas Mao-undur e deixou atrás tropas de cobertura que logo avistaram uma poeira ao longe; os ex-aliados, agora inimigos, se aproximavam. Após uma série de manobras, à espera de um momento propício, Genghis Khan teve um pressentimento de que algo acontecia nas fileiras adversárias. Sigamos a descrição sobre a História Secreta dos Mongóis, texto muito antigo dedicado à vida e proezas do grande príncipe. Narra a história: Qariudar e Caqurqan disseram então a Cinggis Qan: “O Van Qan está folgando na maior despreocupação em sua tenda dourada, e se diverte. Marchando dia e noite podemos surpreendê-lo com um ataque imprevisto”. Aprovada a decisão Cinggis Qan mandou uma divisão na frente. Cavalgando dia e noite, chegaram ao campo de Van Qan, no vale de Jerqabciqai. Combateu-se durante três dias e três noites. Enfim, cercado por todos os lados, o inimigo rendeu-se. Não se entendeu como o Van Qan conseguiu fugir durante a noite. Foi obra de um Jigin, conhecido por sua bravura, Qadag-Bagatur. Vencido, este apresentou-se a Cinggis Qan e disse: “Combatemos três dias e três noites. Vendo o meu soberano perdido, pensei: é possível prendê-lo e condená-lo à morte? Não. Combaterei ainda para dar-lhe a possibilidade de fugir ao seco e salvar-se. Agora, se tu me condenares à morte, morrerei; se me perdoares te servirei".Cinggis Qan gostou destas palavras e dignou-se a responder-lhe assim: "Não é talvez um verdadeiro guerreiro o homem que não abandona seu soberano, mas lhe dá a possibilidade de fugir e salvar a sua vida? Este é um homem digno de amizade". E não permitiu que fosse sentenciado... Mas o fim tinha apenas sido adiado. Durante a fuga o Van Qan, irreconhecível nas roupas com que se disfarçara, foi assassinado por um guerreiro Naiman. 
Nesse ínterim, Jamuqa, no passado "anda", ou seja, irmão de sangue de Temujin o que torna mais patético e trágico o acontecimento, havia reunido à sua volta os mongóis da sua parte, a tribo dos Kereit e os Naiman. Mas o exército de Genghis Khan já tinha invadido toda a estepe, acendendo "fogueiras mais numerosas que as estrelas". Jamuqa e os Naiman procuraram refúgio nas montanhas, mas durante a noite começaram a brigar, estrangulando-se uns aos outros. Renderam-se todos os que tinham acompanhado Jamuqa: os Jaradan, os Qatagin, os Saljiud, os Dorben, os Tayiciud e os Onggirad.

Corria o ano do Rato (1204): no outono o Gran-Mogol destruiu os últimos Merkit e Jamuqa ficou sem nenhum apoio. À mercê de poucos e traiçoeiros companheiros foi entregue a Cinggis Qan, que condenou à morte os traidores do “irmão de sangue”. Quando Jamuqa soube, exclamou: “O meu amigo tem uma mãe sábia e é um valoroso de nascença. A glória de seu nome difundiu-se no mundo inteiro, do nascer ao pôr do sol. Os seus irmãos têm talento e agora têm uma guarda de 73 örlug e 73 corcéis. Eis por que me superou. Eis como me venceu. Concede-me uma graça, meu “anda”, despede-te logo de mim, dando paz ao teu coração. Se for possível, meu amigo, quando me fizeres justiça, que seja sem derramamento de sangue. Quando restar morto na terra, nossa mãe suprema, o meu corpo inanimado será até a eternidade protetor da tua descendência. Eu te prometo, levantando preces. Desde que nasci a minha vida foi solitária e agora sou vencido pela tua sorte e da tua numerosa família. Não esqueças minhas palavras: agora, deixa que eu vá o mais depressa possível”. Após alguma hesitação foi-lhe concedida a morte.

No ano da Pantera (1206) quando Cinggis Qan achou que havia pacificado os “povos que vivem dentro das paredes de feltro”, ou seja, as tribos da Ásia Oriental, realizou-se uma grande assembléia onde os mongóis, orgulhosos e entusiasmados com seu jovem chefe, levantaram o “estandarte branco das nove caudas de cavalo”, e o proclamaram soberano. Cinggis Qan quis junto de si, com o título de quiliarcas, os homens que “junto a mim trabalharam para construir o Estado”. O novo rei agora podia mirar bem mais longe dos confins de uma Mongólia unida, onde tribos mongólicas e turcas lhe davam esquadrões de milhares de cavaleiros, uma força de ataque que naquela época não conhecia rivais. Cai o reino de Hsia-hsia; caem, depois de uma luta duríssima, os Jürchen da Mongólia; cai uma parte da Manchúria. Em 1251 os homens de Cinggis Qan invadiram a China ao sul da “Grande Muralha” (Maraini) e se apoderaram da “Capital do Norte”, ou seja, Pequim.

Com 20 mil cavaleiros que tudo arrastavam na sua irresistível e feroz rapidez, ocuparam o Casaquistão e o Khwaremz. Bukhara e Samarcanda foram aprisionadas, com outras inúmeras cidades. Os georgianos foram vencidos em Tiflis (1221) e os príncipes da Rússia Meridional em Kalka (1223). O exército mongol reuniu-se de novo ao norte do Mar de Aral, Cinggis Qan e os seus voltaram triunfantes. Mas pouco tempo depois o Qan recomeçou uma nova companha porque o reino de Hsia-hsia tinha se rebelado. Durante esta campanha, morreu.
Era o ano do Javali (1227) e duas estações antes havia estabelecido sua residência nos palácios reais da Floresta Negra de Tuula. Morreu sem lamentos (porque já havia provado as piores dores carnais), circundado de um incomensurável poder, distribuindo bens aos seus seguidores. O rapazinho, tão cedo órfão, perseguido pelas vinganças de parentes que haviam aterrorizado sua adolescência, tinha criado, num tempo relativamente curto, um império imenso. O príncipe mongol confirmava a predição materna: “Não foi à toa que veio à luz saindo com violência do meu ventre...”
Façamos um retrospecto e voltemos à pergunta inicial: ele merece a fama de “flagelo de Deus” que os séculos lhe deram? Sem dúvida, Genghis Khan apossou-se do poder com a força e dela fez uso violento, muitas vezes arbitrário. Mas quem lê os testemunhos sobre sua vida e obra não pode livrar-se da impressão de que os atos que cometia eram mais o fruto de uma índole selvagem e precocemente endurecida que os de uma crueldade fria e deliberada.
A epopéia de Genghis Khan não nasce e se desenvolve nas sutis intrigas de corte, nem dentro de castelos silenciosos, longas marchas, cavalgadas furiosas, de ciladas pelos campos, de espertezas e violências feitas, na maioria das vezes, por necessidade. Ele e os seus foram certamente cruéis: mas as suas hordas de brutalidade estavam impregnadas do espírito nômade que, iletrado, selvagem, inculto, que se consegue organizar desprende uma força colossal, de caráter quase animalesco. Nas aventuras de Temujin acham-se os sinais de uma natureza que resta fiel a si própria, ainda não de todo humanizada. Por outro lado, a sua enorme força destruidora (Bukhara, Samarcanda e Balkh foram reduzidas a cinzas, cheias de mortos: Merv não se reergueu mais) era compensada por uma capacidade de pacificação e organização. No imenso espaço conquistado por seus arqueiros a cavalo, ele fez surgir quase do nada um Estado, no qual, nômades e agricultores, pastores e cidadãos, mongóis, turcos, persas, russos, muçulmanos, budistas, cristãos, miseráveis da estepe e filósofos das academias puderam viver em paz e harmonia entre si, por mais de um século. Enfim, Genghis Khan não transmite a ferocidade já “culta” de um Ivan, o Terrível, ou de um Pedro, o Grande. Ele é filho da estepe: nos mitos que acompanham seu nome não está nem mesmo ausente um gesto gentil e poético. Quando agradece por ter escapado da morte nas mãos dos Merkit, refugiando-se no monte Burqan, à montanha transforma-se, em suas palavras, quase que em uma coisa viva: “No Monte Burqan salvei a minha vida, uma vida igual a de um piolho. O Burqan me defendeu, como um escudo, a vida, uma vida como a de uma andorinha. Senti um grande terror. Inclinemo-nos, portanto, todas as manhãs, subindo por este monte de gatinhas, e levantemos graças!”
E no rosto hirsuto do lobo da estepe, que desnudando o peito se inclinou nove vezes diante do sol, brilharam as gotas da aspersão ritual, como se fossem lágrimas.






←  Anterior Proxima  → Página inicial