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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conto: Mais uma dose. (Parte 2 de 7)



Capítulo II

Depois que os pedaços do bilhete já estavam tomando seu rumo aleatório pelo mundo e Diogo ter esfregado o rosto com tamanha força que em alguns pontos estavam formados pequenas áreas de vermelhidão, passou a massagear quase ritualisticamente as suas têmporas com as pontas dos dedos indicadores e médios. Sua cabeça pesava muito, como se cada tentativa de assimilar as anomalias tornasse mais difícil mantê-la levantada. Seus cotovelos ficaram apoiados nos joelhos, onde sua calça jeans estava mais desgastada.
Um ônibus vinha do lado esquerdo da rua, lentamente foi desacelerando até parar em frente ao ponto. A porta traseira estava abrindo e uma mulher que possuía uma pele que tremia a cada movimento, tamanha a sua quantidade de gordura no corpo, estava saindo reclamando sozinha acerca do calor que estava fazendo. As palavras ofegantes dessa mulher, que o fez imaginar uma versão obesa de Hulk Hogan, puxaram sua atenção para o ônibus e um pouco desajeitado levantou-se, correu até a entrada do coletivo, pois este era um dos ônibus que poderia pegar para o seu destino, e bateu na porta para chamar a atenção do motorista. A porta foi aberta e cumprimentando o motorista com um simples e sem muito ânimo “Oi” foi entrando no ônibus, enquanto ele já retomava sua marcha pela selva de pedras. Com um rápido olhar constatou que só havia mais cinco passageiros, ainda bem já que assim haveria mais espaço entre ele e qualquer outra pessoa. Retirou o cartão eletrônico do seu bolso direito da calça e o entregou à cobradora que depois de algumas tentativas voltou-se para ele e disse:
O cartão não tem crédito – falou em tom de deboche.
Não tem crédito? Como? Eu coloquei crédito ontem – será que colocou mesmo? Agora sua memória parecia vacilar como se alguém tivesse passado uma borracha nesse exato instante no dia de ontem.
Não sei como senhor, mas aqui tá mostrando que não há crédito – o tom de deboche era claríssimo agora. Pelo visto ser um pé no saco era o passatempo favorito dessa mulher que, aliás, tinha um bigode, fato que gerou asco em Diogo.
Depois de pensar um pouco sobre as possíveis saídas para esse pequeno problema disse:
Será que poderia ficar aqui na frente mesmo? Vou descer daqui há oito pontos – o tom de voz era extremamente paciente, todavia na verdade estava com muita raiva do desprezo dessa mulher que parecia ver no jovem à sua frente um marginal qualquer.
Tudo bem, mas só dessa vez – ao terminar de falar virou seu rosto para a parte de trás do ônibus.
Muito obrigado – ‘sua vaca’ completou mentalmente.
Decidiu ficar numa cadeira perto da janela. Como não havia trazido seus fones de ouvido para escutar música no caminho para a livraria optou pela distração mais simples do mundo das pessoas que costumam utilizar os transportes coletivos, olhar pelas janelas. A rua lhe parecia um filme sendo rodado em alta velocidade. Por um breve espaço de tempo Diogo ficou de olhos fechados devido ao pouco sono que vinha persistindo em sua vida durante este mês, quando começou a ficar mais desperto teve mais uma surpresa ao visualizar a rua. O que enxergava agora era um céu escuro como piche no qual, mesmo sem nuvem alguma, raios surgiam causando clarões que lhe gelavam a espinha e inspiravam unicamente pensamentos sobre morte. O ar cheirava à carne decomposta e absorver aquilo ao fazia sentir um gosto muito estranho, essa não era a palavra certa, a palavra certa era angustiante. O ar parecia dotado do sabor de todos os fetos abortados, todos os amores destruídos, cada suicídio cometido, cada ser humano assassinado, cada animal morto por um capricho cruel de algum lunático em inicio de carreira. Nossa, parecia que isto era alguma história do Poe e ele fosse o protagonista. Depois de sentir o ar e perceber o céu olhou para a direção das construções e viu um cenário de guerra, provavelmente depois da queda de uma bomba poderosa. Havia carros abandonados por toda a parte, alguns capotados e outros reduzidos a carcaças totalmente retorcidas. Os prédios, casas e pontos comerciais estavam todos cobertos por fuligem e possuíam buracos em suas faixadas. A pista estava com várias rachaduras. O mais estranho ainda era o fato de não ver pessoas. Com uma varredura feita pelos seus olhos viu que o ônibus era a única coisa nova e intacta nesse quadro pintado por algum sádico pintor. Agora que estava concentrado no local em que estava notou que o veículo estava parado, então com uma pequena força de vontade levantou-se e não viu ali também qualquer outra pessoa.
Com um esforço ainda maior de sua força de vontade, que agora brincava de cabo de guerra com as suas pernas, começou a avançar centímetro por centímetro até a porta de saída que estava fechada. Para ter certeza de que nenhum perigo o espreitava do lado de fora sondou o espaço exterior mais uma vez pelas janelas. Se havia algum perigo ainda não estava por perto ou era astuto o suficiente para se ocultar, aguardar sua presa parar para um descanso ou se alimentar e então ‘Zaz’ o ataque rápido e as presas no pescoço do incauto animal.
Quando colocou os pés, que usavam all stars, em contato com o asfalto viu a fachada da livraria à sua frente. Afinal havia outra coisa nesta ópera dedicada à morte, decadência e aos vermes que consomem a carne de todos que tem suas pálpebras fechadas por mãos de qualquer outra pessoa, seja algum que nutria amor ou ódio pelo aglomerado de carne que agora esfria e endurece. Considerando sua atual situação no esquema das coisas o mais lógico era ir ao porto-seguro que estava gritando, com a sua própria voz como se ele fosse um daqueles mestres em ventriloquismo. ‘venha, entre, tome um café, compre um livro, talvez até você consiga esquecer a insanidade que está flertando com você, fugir do bicho-papão embaixo de sua cama’. O pedido da voz foi atendido, porém antes de entrar, viu na placa de madeira que ficava acima da porta o nome ‘Livraria...’ o resto não dava para ser lido, as letras estavam embaçadas, na verdade pareciam estar brotando neste exato momento. Parecia até que tudo estava sendo construído agora, o mundo estava nascendo lentamente como se fosse fruto de uma mente distante dele, não somente distante, mas literalmente de outro mundo. Com uma proximidade maior da placa conseguiu ler ‘Livraria virá-página’ com uma pequena frase abaixo ‘Livros baratos é o nosso trato’. Sim, livros baratos eram o sedativo de que precisava nessa louca narração que estava sendo escrito ao seu redor!
A iluminação da livraria funcionava perfeitamente, indiferente às ruínas na vizinhança e a falta de pessoas para comprar ou matar algumas horas folheando algum livro ou até mesmo uma revista. As cadeiras de madeira, sem dúvida alguma para dar uma atmosfera mais aconchegante e clássica ao espaço, estavam em seus lugares habituais, juntas às mesas. O lugar tinha cerca de trinta metros de comprimento e quinze de largura, os dons matemáticos nunca foi o forte de Diogo. O lugar era organizado deveras metodicamente, várias mesas e cada mesa com quatro cadeiras, um tapete persa na entrada, numa área, pouco depois do tapete do lado direito, tinha um balcão singelo que era onde as pessoas poderiam pedir um café, qualquer tipo dessa bebida tão frequentemente associada ao hábito da leitura, ou talvez um pequeno lanche, o individuo que abriu esta livraria deve ter pensado ‘Se vou oferecer alimento para a alma das pessoas que por aqui transitarem, então devo oferecer igualmente um café para que eles possam deglutir melhor as palavras e também conceder à preços camaradas sustento para os seus corpos’, ao lado de cada mesa ficava uma lixeira, as estantes com os livros ficavam junto às paredes, elas eram organizado por sessões, gêneros, e cada sessão era disposta em ordem alfabética. O balcão para pagamentos de livros ficava no fundo. Enfim, era um verdadeiro paraíso para os admiradores da arte de criar mundos, universos, deuses, sonhos etc. Diogo estava perdido em seus pensamentos, observando onde estava, um lugar que parecia dotado de magia ainda mais agora, quando teve a impressão de que alguém tinha entrado também e estava caminhando para perto dele, mas ao dar um giro de 180º graus com o corpo soube que ninguém além dele tinha adentrado. Estava caminhando para o balcão dos fundos quando começou a ouvir sussurros, um som que se assemelhava à várias pessoas falando ao mesmo tempo num tom baixíssimo, tentou determinar de onde estava vindo, talvez fosse algum sistema de som que existisse na livraria, mas pelo que lembrava ai não havia sistema de som, mas tão pouco havia uma cidade em ruínas da última vez que resolveu sair do seu apartamento, então percebeu de onde vinha o burburinho, isso era um problema dos grandes, pois as vozes vinham dos livros de todas as estantes!


Leia a parte 1 de "Mais uma dose"

Duas capas de HQ que marcaram época


Fases marcantes de dois heróis que conseguiram transpor os quadrinhos e, agora, são ícones dos filmes.

Batman - O cavaleiro das trevas

The Dark Knight Returns


Homem de Ferro - A fase alcoólatra

O demônio em uma garrafa

Fonte: Gibi HQ

Ensaio fotográfico: Albinos - por Gustavo Lacerda


Alguns reclamam das discriminações e dos olhares por causa da cor da pele. É verdade, apesar de estarmos em pleno século XXI, ainda há muita discriminação e, o que é pior, desprezo por ostentarmos uma pela de cor diferente da normal. Seja você um negro, uma pessoa muito branca, indígena ou asiático, o fato é que a diferença da cor da pele irá chocar. Muitos não sabem, mas há biógrafos que afirmam categoricamente que Hitler usava quase sempre calças por vergonha da cor pálida de suas pernas. Enfim, se sentimos vergonha por características nossas, imaginem o que farão aqueles que cercam os "diferentes".
Para promover uma maior conscientização sobre isso e, principalmente, relembrar que não é a cor de uma pessoa que importa, mas seu caráter, apresento-lhes este ensaio fotográfico magnífico feito por Gustavo Lacerda. Veja as fotos e descubra que, ainda que diferentes fisicamente, é a essência de cada um que importa.
Originalmente, as fotos vinham com legendas onde constavam os nomes das pessoas fotografadas. Contudo, optei por postar apenas legendas com frases que escrevi para associar às imagens. Espero que gostem.
Site do fotógrafo: Gustavo Lacerda

A beleza de uma criança é superior à cor de sua pele

A diferença não faz de mim uma pessoa pior ou melhor que você

Envelhecer é uma dádiva concedida a qualquer um

A infância é repleta de sonhos, seja você negro, branco ou albino
Unidos pela pele e pela amizade

Serei tão feliz quanto a vida me permitir. Minha cor não é uma barreira

A beleza imortalizada em uma fotografia

A força que só a inocência pode abrigar

A vida não faz questão de escolher a cor de sua pele

Entrevista com o fotógrafo Gustavo Lacerda feita pelo site Olhavê:


OLHAVÊ – Como surgiu o projeto/ensaio Albinos?
GUSTAVO LACERDA – Já há alguns anos pessoas albinas despertam minha atenção. É interessante que as características que os tornam “diferentes” e levam a uma sensação de exclusão e de “estranheza” são as mesmas que me atraíram e me despertaram em termos de beleza.
Aprecio o tom de pele, os cabelos e os pelos totalmente descoloridos, alem do meu interesse particular em conhecer um pouco mais do universo dessas pessoas que, na grande maioria, sentem-se “à margem” no convívio social.
O objetivo do projeto era retratar esse outro padrão de beleza, o “diferente”, o “fora” dos padrões.
OLHAVÊ – Por se tratar de um tema que aborda questões sociais e de saúde, invariavelmente, você poderia cair nos clichês das fotografias no ambiente familiar, caracterizar a rotina, etc e etc. Por que a escolha por uma estética tão contundente?
GUSTAVO LACERDA – Desde o início do projeto queria destacar a beleza singular dos albinos. Embora aprecie a fotografia documental, não queria que o trabalho caminhasse por um viés de denúncia social.
Já nos primeiros estudos práticos do projeto decidi trazer os albinos para o estúdio. A principio me atraía a idéia de clicá-los de um modo bem simples, num fundo branco ou cinza, de forma direta e documental, como num 3×4 tosco para documentos.
Mas logo percebi que a força que essas imagens traziam, embora impactante, não me despertavam a sensação de beleza e singularidade. A imagem “crua” era forte mas me trazia uma sensação de déjà vu, não me contava nada de novo.
Aos poucos fui percebendo que me interessava particularmente a relação dos fotografados com toda a misancene do estúdio, fundos cenográficos, produção de figurinos, etc…
De fato, quando escolhi esse caminho estético assumi realçar o novo papel de “personagem principal” vivido por quem sempre se sentiu excluído. E, claro, não fui ingênuo e percebi que isso também trazia o trabalho do documental para um mundo mais ficcional, um universo meu, construído.
Nesse processo, tanto me envolvi com o assunto e os retratados que posso dizer que esse universo de representação, tão vivo nas imagens, deixou de ser apenas meu. Eu só conduzi e estimulei as pessoas a virem para frente da câmera e a partir dali o que elas representavam era em grande parte a própria “ficção” delas.
OLHAVÊ – Fico pensando este trabalho sendo “defendido” como ensaio documental ou ensaio contemporâneo. Tenho certeza que as muletas de um texto seriam necessárias para explicar, defender ou teorizar sobre o albinismo. Porém, seu trabalho é pura imagem. Bem carregada de textos imaginários e explicações já explicadas. Você vislumbrou esse resultado?
GUSTAVO LACERDA – Quando experimentei o caminho estético da delicadeza, dos tons pastéis, “lavados” e sutis, comecei a vislumbrar a força que o trabalho poderia ter. E é interessante que acabei indo por um caminho que traz imagens impactantes, porém que “sussurram” muito mais do que “gritam”. Talvez a repercussão do trabalho venha muito daí… Mas jamais imaginei que esse projeto tocaria tantas pessoas. Isso me surpreendeu e foi bem positivo.
OLHAVÊ – A estética, no sentido lato da palavra, é o carro-chefe de Albinos. Nos conte como ela foi concebida.
GUSTAVO LACERDA – Minhas referências iniciais para o projeto vieram da pintura.
Primeiro tive que entender que a beleza que me despertava nos albinos vinha sobretudo dos tons rosados de pele. E foram esses tons que posteriormente definiram toda a estética das imagens, através de fundos de tecidos, figurinos, maquiagem, cabelo, etc. O restante acabou vindo da minha história, das lembranças distantes dos álbuns de família e todo o ar “retrô” que eles traziam.
O elemento família é muito forte no projeto, mesmo quando retratei alguém só, essa pessoa sempre estava envolvida numa aura “de família”, talvez um cuidado afetivo e de proteção (que percebi) que a própria família têm com essa pessoa. Acho que a forma de portrait em estúdio que concebi para o projeto acabou reforçando inconscientemente essa presença (mesmo ausente) da família nas fotos.
OLHAVÊ – Uma das primeiras coisas que tem impacto nas fotos é a luz. Algo tão difícil para os albinos. Como é a luz do seu ensaio?
GUSTAVO LACERDA – O albinismo se caracteriza pela ausência de melanina na pele, nos cabelos e nos olhos e isso faz com que eles tenham extrema fotofobia. Na fase de estudos do projeto testei alguns caminhos de luz e cheguei em um que conseguia trazer uma luz bem difusa, suave e ao mesmo tempo com bastante brilho para realçar a pele e os tons pastéis da cena. Acho que foi uma luz que cumpriu bem a tarefa de imprimir no papel as sensações estéticas que me despertaram. Fora isso, embora valorize a técnica como um caminho, confesso que não creio nela como um fim, um objetivo vazio de intenção.
OLHAVÊ – Quais as experiências e valores agregados na sua carreira e vida pessoal que este ensaio gerou?
GUSTAVO LACERDA – O mais gratificante tem sido sem dúvida conhecer pessoas, compartilhar experiências e perceber que de alguma forma o trabalho tem tocado na auto estima dessas pessoas. Foi muito bacana por exemplo ver os retratados presentes e super orgulhosos por estarem na abertura da mostra da Coleção Pirelli/MASP no ano passado.
Na carreira, o projeto tem trazido uma maior visibilidade para o meu trabalho autoral e teve algumas das imagens adquiridas por importantes coleções como a Pirelli/MASP e a Coleção do Prêmio Porto Seguro de Fotografia.
OLHAVÊ – O projeto acabou? Terá novas fotos ou desdobramentos?
No início desse ano fiz alguns retratos que considero importantes para o corpo do trabalho e estou tentando agendar mais 2 ou 3 fotos que devem fechar o projeto. A idéia é fazer uma grande exposição (parte das fotos ja foram expostas, coletivamente, na última Coleção Pirelli/MASP e no Prêmio Porto Seguro de Fotografia) e tentar publicar um livro.
Mas acredito que devido aos vínculos que acabei criando com vários albinos, o trabalho não tenha um fim assim datado, cronológico. Adoraria, por exemplo, continuar registrando o crescimento dos irmãos pré adolescentes Ítalo e Renan, além de vários outros albinos que se tornaram tão próximos nos últimos anos.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Leiam a primeira coletânea que integro: Cassandras.


Esta é a coletânea "Cassandras", inspirada em um conto voltado à musa inspiradora. Na época, eu e todos os componentes da coletânea - se não estou enganado - escrevíamos no site do Nerd Escritor.
Com o passar dos tempos, cada um foi ganhando seu próprio espaço e seguindo sua trilha, mas isso não impediu que os contatos se mantivessem e, principalmente, as amizades, o que favoreceu o amadurecimento e a conclusão de uma ótima idéia: a primeira coletânea com os escritores do ONE. 
Meses se passaram, e-mail trocados, consultas, revisões, concurso para a capa, mais revisões e, finalmente, aí está o resultado final. A filha nasceu e é linda. Esta coletânea é o fruto de um sonho entre amigos. Esta coletânea é a realidade.
Leiam, divulguem, baixem e saibam que nossas idéias estão nas linhas deste livro. Há estilos variados e é isso que torna esta obra mais atraente. Deixem que as musas entrem em suas vidas.
Aproveitem e baixem para ouvir o novíssimo podcast sobre a coletânea: Epifania, onde Rainer Morilla (@rainiermorilla), Filipe Gomes Sena (@filipesena_tm) e Anna Ingrid (@Anna_Ingrid) falam sobre três dos contos da publicação.

 Coletânea Cassandras

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Podcast "Epifania": Roda de Escritores.


Em homenagem ao lançamento da coletânea "Cassandras", onde também publiquei um conto, o site Roda de Escritores lançou seu primeiro podcast: Epifania. Leiam a descrição do trabalho:

Para celebrar o lançamento da  Cassandras, 3 amigos resolveram se juntar para comentar alguns dos principais contos da primeira coletânea da Roda de Escritores. O resultado disso tudo foi o episódio 000 do Epifania.
Nesse posdcast Rainier, o Capitão (@rainiermorilla), Filipe Gomes Sena (@filipesena_tm) e Anna Ingrid (@Anna_Ingrid) falam de 3 das musas da Cassandras, mostram como seria a relação delas com os robôs, por que nenhum escritor consegue matar Deus e como Cassandra coloca qualquer mocinha que ama vampiros no chinelo.
Acessem o link Roda de Escritores - Epifania e façam o download deste novo podcast com muito conteúdo e pessoas de altíssimo gabarito. Sei que irão gostar...

Agradecimento aos que prestigiam este trabalho: 30.000 visitas


Não há como negar que o caminho é árduo. Escrever, analisar, traduzir, buscar matérias interessantes, resenhar e, principalmente, manter um conteúdo inteligente e agradável ao público deste blog. Mas também não há como negar que isto é extremamente prazeroso. Transpor pensamentos para a tela ou para o papel é um exercício para aprimorar o intelecto. Ler textos coerentes e matérias que acrescentem verdadeiramente algo, que ensinem, é uma ótima forma de não permitir que o tempo escoe por nossos dedos. Fazer o que se gosta, isso é o desejo de todo ser humano. E eu? Bem, eu faço deste espaço meu segundo lar. Reúno amigos, escrevo, leio, comento, publico e, principalmente, ponho em prática projetos que poderiam estar presos na velha gaveta. Claro, eles nunca mais ficarão enclausurados na escuridão, pois há pessoas que desejam vê-los, aprenderam a amar as mais simples e as mais complexas palavras aqui contidas. Estas pessoas ainda estão em um número que, para alguns, é modesto, porém não para mim. Que uma única pessoa leia e goste do que lhe foi apresentado: este já é um grande prêmio para mim. Enquanto houver quem deseje compartilhar informações, leituras, emoções e conhecimento, então ainda terei motivos para seguir em frente.
São poucos meses de atividade - quase oito - e vejo um progresso fabuloso. Novos amigos escrevendo comigo, novas parcerias, laços de amizade que se estreitam, ampliação do que está sendo realizado e, principalmente, uma evolução característica de um projeto que agradou. Graças a vocês, leitores e amigos, o "Apogeu" atingiu a marca de 30.000 visitas. Temos pessoas de vários cantos do mundo lendo e compartilhando o que aqui se publica. Temos reconhecimento. Temos a presença de vocês.
A todos que estão neste caminho conosco, nossos sinceros agradecimentos. Leiam e se divirtam. Vejam e aprendam. Participem e ensinem. O que quer que venhamos a nos tornar, acreditem, será fruto da parceria entre nós e vocês. 
Meu muito obrigado a todos em meu nome e em nome dos escritores Ednelson Jr. e Priscilla Rubia, amigos que são parte integrante e imprescindível da evolução deste espaço de leitura e aprendizado. 

Franz.

Comentários no blog: são necessários?


Aos amigos e leitores que constantemente comentam, peço desculpas por ter demorado tanto a remover o campo de verificação nos comentários. O erro foi corrigido.
Participar e dar sua opinião sobre o que publico é fundamental para manter a qualidade dos contos, artigos, resenhas e matérias sobre tudo o que mais amamos. Quando os erros e acertos são apontados, a tendência é que as lacunas sejam preenchidas e as virtudes aprimoradas. 
Desde já, agradeço a atenção e compreensão de todos.
Abraços.
Franz Lima.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

resenha do livro "O Aliciador"



Autor: Ednelson Jr.

Não adianta saber como.
Não ajuda compreender por quê.
Não basta descobrir quem.
[...] às vezes o mal nos engana, assumindo a forma mais simples das coisas.” – Pág. 16.

Sinopse: O criminologista Goran Gavila e a equipe de investigação de homicídios enfrentam um caso perturbador: seis braços de meninas entre 9 e 13 anos são desenterrados em um bosque. Cinco das crianças identificadas desapareceram na última semana. Conforme os cadáveres emergem, as esperanças de que a sexta menina esteja viva provocam uma corrida contra o tempo, mas as pistas, em de levarem a equipe ao culpado, revelam-se parte de um plano friamente arquitetado pela mente cruel e brilhante do assassino.
Análise
A trama não perde tempo com rodeios e já se inicia em um clímax pesado nos jogando em meio à investigação do desaparecimento de seis meninas e o encontro de um cemitério com seis braços esquerdos. O que inicialmente parece com acaso ganha contornos muito mais complexos e uma rede de questionamentos são gerados em poucas páginas, já demonstrando que esse é um daqueles livros que promete entretenimento por muitas horas ou dias (fato que varia de acordo com o ritmo de leitura de cada um). Essa é uma característica que vai se manter firme e forte no decorrer do livro.
Os personagens que integram o grupo de investigação designado para averiguar os desaparecimentos das garotas é composto pelos mais variados tipos humanos. Uma mulher que sofre da incapacidade de manifestar empatia, aspecto anômalo reforçado em seu corpo de traços pouco femininos que demonstra a dureza de seu interior, um criminologista que demonstra exímio domínio sobre a capacidade de esmiuçar as mentes e fatos mais tenebrosos que cercam a nossa civilização e às vezes saltam das sombras por meio de nossos semelhantes, um homem de fortes convicções religiosas que parece encarar a sua tarefa policial como um exercício de fé e combate ao mal, uma mulher que parece se sentir ameaçada pela presença de uma estranha no grupo do qual já se sente como a fêmea dominante, um homem bem humorado e que se utiliza de sua veia cômica para aliviar a tensão de sua profissão e tantos outros personagens com modos e vocabulários diversos.
Uma das coisas apaixonantes nesse livro, para quem não perde a oportunidade de ler um romance policial, é que o próprio escritor já trabalhou como criminologista, logo é de se esperar que as descrições de procedimentos de investigação sejam muito verossímeis e obviamente não nos decepcionamos, pois as descrições são feitas em uma narração que flui perfeitamente, sem muitos termos técnicos, o que poderia tornar a leitura um fardo ou quebrada pela necessidade de recorrer à dicionários ou outros meios para elucidar, e o brinde maior que nos é oferecido é que em alguns momentos tais procedimentos são comentados de modo claro e compreendemos a razão de certos detalhes nas ações como, por exemplo, maneira de se posicionar para um interrogatório etc. Não temos aqui um “manual completo do detetive particular”, contudo para os leitores que sempre querem compreender melhor e mergulharem nos terrenos em que pisam é um banquete digno de um rei!
Os capítulos variam bastante de tamanho e alternam entre várias cenas, personagens e tempo em alguns pontos. A trama evolui por muitos caminhos, os quais se aproximam e afastam como num movimento de respiração, mantendo o enredo sempre vivo e sem qualquer ponto morto que possa afetar a sua avaliação até mesmo para os leitores mais exigentes. O leitor se sente como um membro invisível na equipe de investigação, pois os acontecimentos conseguem acompanhar perfeitamente o desenvolvimento do pensamento do leitor sem atropelos que poderiam ocorrer em tramas aceleradas ou que as perguntas não respondidas ocasionassem um aspecto sombrio nas páginas do livro. Apesar dos inúmeros mistérios suscitados não nos tornamos vítima da síndrome do “fala demais e explica de menos”. Tudo no seu devido tempo vai se desenhando, mas, preparem-se, as reviravoltas são tantas como as subidas e descidas de uma montanha-russa.
Donato Carrisi
Uma marca que torna este livro distinto de tantos outros do mesmo gênero é como é esculpida a figura do serial killer, ícone que provavelmente é o mais explorado das histórias policiais. O serial killer não é percebido como uma figura sombria, apesar de seus atos serem cercados de velamento, um monstro, uma criatura vinda de uma dimensão que não a nossa, afinal como poderia ser uma entidade tão maléfica pertencente ao mesmo lugar que a simpática e gentil velhinha que dá alimento aos moradores de rua? O serial killer é humanizado, no sentido de que é reconhecido como uma possibilidade, ainda que assustadora, no desenvolvimento da psique de qualquer homem ou mulher. Desta forma o serial killer tem sua principal arma retirada. Que arma seria esta? É a incapacidade das pessoas que reconhecer aquilo que sequer tem um rosto. Então vocês podem me perguntar: Como dar um rosto a alguém que você sequer sabe quem é? Primeiro passo: reconhecer que aquilo ao qual pretendemos dar uma face, tornar reconhecível, é um igual, nesse caso significa assumir que os seres humanos podem atingir extremos no abismo e agir com uma crueldade requintada como o afinco de um artista em sua obra. Todavia quando se entra nessas sendas escuras pode-se voltar com algo preso em nosso espírito, uma coisa que residia lá nas sombras e agora está alojada em nossa mente como um verme no cadáver que apodrece abaixo da terra.
O mal nesse livro não é tão considerado como uma patologia, mas como uma inconveniência social que deve ser controlada, seja pela nossa própria mente ou por qualquer agente externo (policia etc). Afinal de contas todos temos nossos pensamentos inconfessáveis e segredos que enterramos o mais profundamente possível.
Como não poderia deixar de ser no desenvolvimento do livro começamos a enxergar alguns ângulos menos vistos dos personagens, passamos a conhecer seus segredos e pensamentos não revelados. Alguns desses segredos são de tamanho impacto que alteram os eventos posteriores e outros não influenciam tanto no futuro, mas lançam luzes sobre o caráter de alguns personagens. Surpresas são o que não faltam em “O Aliciador”.
O final é espetacular. Imprevisível e sem sombra de dúvidas completamente fora dos padrões da história clichê dos mocinhos que caçam o bandido. Talvez alguns leitores mais acostumados às histórias que seguem um roteiro tradicional se sintam insatisfeitos, mas é como penso: Se nem na vida real tudo é justo, por que exigir isso na ficção? O autor não quis orquestrar a narração para atingir um final idealizado em um mundo perfeito, mas, deduzo eu, ter tecido tudo a partir de seu olhar para o mundo com o qual já esteve frente-a-frente em seu pior lado. O lado do qual nasce o serial killer. Donato Carrisi se confirmou como uma grande descoberta para mim e fico ansioso para ler outras histórias desse autor! Abraços! Boa leitura a todos!



Editora: Record
Autor: Donato Carrisi
Origem: Italiana
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 434
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

A arte imita a vida...


É uma estranha coincidência, mas quando publiquei o post sobre personagens da Disney humanizados, não esperava encontrar uma representação da apresentadora Ana Paula Padrão. Vejam abaixo:

Maga Patalógica original
Ana Paula Padrão
Maga Patalógica humanizada



México comemora carreira de Roberto Bolaños, o Chaves.



Milhares de pessoas se reuniram no centro da Cidade do México no domingo (19 de fevereiro) para homenagear Roberto Gómez Bolaños, o ator e criador de personagens como Chaves, Chapolin, Dona Florinda, Chiquinha e muitos outros.
Os fãs foram fantasiados e participaram de coreografias imitando as danças dos personagens criados por Bolaños e fecharam várias ruas do centro da capital mexicana.
Vários outros eventos para homenagear os mais de 40 anos de carreira artística de Bolaños - que completa 83 anos em 21 de fevereiro - já foram programados, incluindo um no Auditório Nacional, na Cidade do México, no final de fevereiro.
Em março, uma outra homenagem será transmitida pelo canal Televisa, do México, para vários países.
Na homenagem de domingo, os organizadores esperavam cerca de 10 mil participantes, mas, segundo eles, 22 mil pessoas participaram da festa.
Fonte: BBC Brasil
Confiram a matéria em vídeo, via BBC:





Fotos mostram os fãs fantasiados que comemoram o sucesso de "El Chavo"









Renan Roque e a arte de desenhar


Conheci o trabalho do Renan por meio do Jovem Nerd. O trabalho dele é bastante interessante não apenas pelo apuro nos desenhos, mas em grande parte por conta da criatividade e do bom-humor. Confiram algumas de suas criações e divulguem mais um talento nacional. :D
Site do desenhista e designer: Renan Roque

Sabrina e Christian Pior
Comparem com a imagem original, onde Renan buscou inspiração para desenhar. A expressão do Christian está muito parecida com a que ele usa para demonstrar "desprezo" pelos pobres rsrsrsrs.



Trabalho de encarte de CD para uma banda

César Polvilho e suas criações no Pânico

O ponto forte do desenhista: mulheres esculturais quase peladas.
Mas o talento dele não se resume a isso, deixo claro.

Uma homenagem ao Jovem Nerd e Azaghâl

O Staff principal do Matando Robôs Gigantes e do Jovem Nerd.
Curiosidade: a referência à parceria entre os dois sites.

Ilustração fodástica

Bem, é isso! Espero que tenham gostado de conhecer esse grande desenhista e (algumas de) suas obras. Acessem o link do site dele e aproveitem para descobrir mais do universo de Renan Roque. Abraços a todos...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

30 mandamentos para ser leitor, escritor e crítico (Parte III de III)


Decálogo do crítico

Por Michel Laub
 

Ler por obrigação, ganhar pouco, ser odiado por autores criticados ou ignorados por você. Ante tantos dissabores, saiba para que serve, afinal, fazer crítica literária


I - Um bom começo pode ser a leitura de O imperador do vinho, de Elin McCoy, a biografia do americano Robert Parker. Trata-se da figura mais polêmica do universo milionário da enologia. Uma nota alta na The Wine Advocate, sua newsletter, é capaz de enriquecer um fabricante; uma nota baixa pode significar a falência. O olfato de Parker é segurado em cerca de US$ 1 milhão. Ao longo dos anos, percebeu-se que ele gostava de vinhos frutados. Muitas propriedades, até algumas tradicionais da França, passaram a chamar especialistas para estudar o solo, mudar a forma do plantio e da colheita, tudo para colher uvas que originassem vinhos adequados a esse gosto.

II - Saiba que esse talvez seja o exemplo máximo de crítico bem-sucedido no mundo de hoje – rico de fato, influente de fato, uma presença de fato essencial em seu meio. Quase todos os outros profissionais da categoria, trabalhem eles com música, cinema, gastronomia, televisão ou concursos de beleza, estão bem mais próximos da figura descrita por George Orwell em Confissões de um resenhista: “Trinta e cinco anos, mas aparenta cinqüenta(...) [trabalha num] conjugado frio, mas abafado (...). Dos milhares de livros que aparecem todo ano, é quase certo que existam 50 ou 100 sobre os quais teria prazer em escrever. Se for de primeira categoria na profissão, pode conseguir dez ou vinte. É mais provável que consiga dois ou três”.

III - Ou seja, prepare-se para uma atividade enfadonha e mal-remunerada. Você lerá só por obrigação. Nunca mais irá atrás de um livro indicado por um amigo. Nunca mais fechará um livro com a sensação de que, para o bem ou para o mal, não há nada a dizer sobre ele. Porque sempre haverá o que dizer. Se não houver, as contas não são pagas.

IV - Não se preocupe, porém. Há muitos truques para encher essas páginas em branco. Se você quer desancar um livro e não sabe como, recorra a alguns adjetivos algo abstratos em se tratando de literatura, mas ainda assim úteis numa resenha. A timidez, por exemplo. Argumente que o autor não explora suficientemente os conflitos de sua obra. Afinal, explorar conflitos é uma tarefa que não tem fim, e há um momento em que todo autor, por mais extrovertido que seja, precisa parar. Outros chavões sempre à mão: excesso de objetividade,excesso de subjetivismo, excesso de frieza, excesso de dramaticidade. A categoria das “idéias fora de lugar”, deslocada de seu contexto original, também ajuda bastante. Um romance correto, instigante e envolvente pode ser atacado por reproduzir um modelo “burguês” de contar histórias, incompatível com o nosso tempo. Um romance sem essas características pode ser destruído, justamente, por ser mal-escrito e não envolver o leitor.

V - Para o caso contrário, isto é, se você quer elogiar um livro que acha ruim – o das linhas finais do item IV, por exemplo –, há dois recursos clássicos: a) em relação à prosa desagradável, escatológica e/ou ilegível, diga que ela reproduz o incômodo e a irredutibilidade de sentidos do mundo contemporâneo; b) em relação à trama caótica e fragmentária, quando não se entende o que é início, o que é fim e do que é mesmo que estamos falando, afirme que a maçaroca reproduz, como uma “metáfora estrutural”, o caos fragmentário da sociedade pós-industrial.

VI - Usando desses truques, você está pronto para fazer nome devido à afinação com o vocabulário crítico de sua época. Mas se, por um desses acasos raros, você está decidido a realmente dizer o que pensa, há também dois caminhos a seguir. O primeiro é confiar cegamente nos seus juízos pessoais, não temendo a exposição de seus preconceitos íntimos em público. Assim, você terá mais chances de ser considerado um sujeito ranheta, excêntrico e/ou pervertido.

VII - O segundo caminho é considerar-se portavoz de um “sistema”, para o qual são válidas mesmo obras que não são do seu agrado (por questões sociológicas, por exemplo). Mesmo que os motivos sejam nobres – sua humildade para não se considerar o juiz definitivo sobre o que é ou não relevante em termos estéticos –, há boas probabilidades de você ser visto como um crítico sem alma, sem coragem, sem graça.

VIII - Independentemente de sua escolha, é inevitável que você seja desprezado. Todos dirão que seu desejo secreto era ser ficcionista ou poeta, que você é leviano demais, complacente demais, que tem algum interesse obscuro – ascender na carreira, agradar aos pares da universidade, arrumar um(a) namorado(a) – ou está a soldo de alguma entidade obscura – grupos literários rivais, editores, maçons, seitas religiosas, partidos políticos de esquerda (se você escrever numa pequena publicação) ou de direita (se receber salário de alguma corporação de mídia).

IX - Mais que isso: você será odiado. Pelos autores que você desanca. Pelos autores que você ignora. Pelos autores que você elogia (os motivos serão sempre os errados, na opinião deles). Pelos outros críticos. Por boa parte do público, mesmo por aquele que o lê com freqüência.

X - Mas se, apesar de tudo isso, você ainda insiste em abraçar a profissão, é bom se perguntar o motivo. Quando criança, usando o olfato, Robert Parker era capaz de listar todos os ingredientes dos pratos que estavam sendo cozinhados na vizinhança, habilidade que o tornaria um campeão absoluto dos “testes cegos” de identificação de uvas e safras. Isso se chama vocação. É o seu caso? Você se sente preparado para conjugar erudição e capacidade interpretativa em tamanha escala? Sendo a resposta afirmativa, trata-se de uma ótima notícia. Não só para você, que talvez tenha achado um modo honesto de ganhar a vida, mas para o próprio meio literário. Porque não há nada de que ele necessite mais, hoje ou em qualquer tempo: alguém que o ajude a firmar tendências, corrigir rumos, separar o joio do trigo. Diferentemente do que se diz, um crítico autêntico não é apenas o advogado do público. Ele é, em última instância, o maior defensor da própria literatura.

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