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sábado, 28 de julho de 2012

Resultado da promoção "Alma de Detetive". Via "Apogeu do Abismo" e "Policial da Biblioteca"


A primeira promoção em parceria do Apogeu foi um sucesso. Muitos novos seguidores, vários twitters e um conto selecionado. Obrigado ao apoio inestimável do Ed Jr, do Policial da Biblioteca.
O vencedor é o amigo Edilton, editor do site www.stephenking.com.br. Fico muito feliz pelo apoio de todos e aguardem novas promoções para muito em breve. Lembrem-se: Agosto é o mês de aniversário do Apogeu do Abismo. Muitos sorteios virão... 
Fiquem agora com o conto vencedor:

Ele se chamava João Roberto e como naquela famosa canção antiga, tinha um "opala-metálico-azul”, mas as coincidências paravam por aí, porque ele não costumava pegar rachas na “asa sul” e nem sofreu perdidamente por um amor não correspondido. Coisas que não impediam o jovem João Roberto – com seus grandes e expressivos olhos azuis, seus cabelos loiros ondulados caindo por sobre os ombros fortes – de fazer sucesso com as meninas mais novas do colégio. Foram muitas as vezes em que J.R passara com seu opala em frente ao Liceu, rangendo até a ultima engrenagem suja de óleo, enquanto os alto-falantes do carro “explodiam” tocando “Boys don´t Cry”. E quando ele passava todos diziam; “Vejam... Lá vai o João Roberto com seu opala metálico azul. O cara mais boa pinta do colégio”. As menininhas suspiravam e soltavam gritinhos silenciosos, mas ficava só nisso. Ou ao menos ficou, até aquele ultimo verão, quando J.R conheceu Amanda em uma feira de ciências.

Foi o que ele considerou posteriormente como sendo amor à primeira vista. Seus olhos castanhos ligeiramente esverdeados, seus pequenos lábios rosados e seu corpo de garota em mente de mulher, atraíram o tão cobiçado J.R de uma maneira que ele jamais imaginara. Um mês depois o opala de J.R não se encontrava mais vazio. O estofado de couro do banco do carona agora era sempre ocupado pela garota loira dos olhos castanhos.

E assim o tempo passou e o amor entre os dois apenas aumentou. Concluíram o segundo grau juntos e passaram por todo o resto da adolescência aprendendo um com o outro o verdadeiro significado da palavra “amor”. J.R ingressou na faculdade de veterinária, enquanto Amanda optou por biomedicina na mesma universidade. Eram “unha e carne”, como “feijão e arroz”. “Lados opostos de uma mesma moeda”. Um completava o outro.

Veio então a maturidade. Passaram a viver juntos, sobre o mesmo teto, e com muita luta compraram uma modesta casa em um bairro nobre da cidade. Ambos se formaram ao mesmo tempo e fizeram uma grande festa no quintal da casa, para comemorar.

Todos os amigos estavam presentes, dos mais antigos até os mais atuais. Entre os amigos de Amanda se destacava um jovem robusto e de rosto bonito, que atendia pelo nome de Ricardo (Rick para os íntimos). Rick era do tipo de homem recém saído da adolescência, em certos aspectos bem parecido com J.R. Naquela tarde Amanda apresentou Rick a J.R e ambos conversaram por um bom tempo. Haviam se dado bem. Tão bem que logo se tornaram amigos e resolveram virar sócios de uma clinica veterinária.

J.R aproveitou a boa fase para finalmente pedir Amanda em casamento, em uma tarde de verão ensolarada enquanto passeavam pela praia. Foi tudo muito rápido. Entre o casamento e a lua de mel se passaram exatamente três semanas e quando menos notou, J.R já estava de volta, trabalhando incansavelmente na clinica veterinária, que permanecia gerando lucros.

Dois anos se passaram. J.R ainda trabalhando na clinica, enquanto Amanda cuidava da casa. Certa vez ao chegar em casa mais cedo do trabalho, carregando um belo buquê de rosas na mão direita, J.R notara o carro de Rick estacionado nos fundos da casa. Sobressaltou-se com um pulo, ao ver o amigo saindo de lá. Escondeu-se instintivamente atrás de um arbusto e observou, sem realmente se dar conta do "porque fazia aquilo". Talvez fosse apenas uma visita informal, o que não justificava em nada aquele tipo de reação por sua parte. Mas foi exatamente enquanto pensava dessa forma que J.R sentiu seu coração se partir em mil pedaços, quando ele viu Amanda abraçar Rick carinhosamente, lhe dando um rápido beijo na boca.

Sentindo-se como se uma mão estivesse pressionando seu coração, J.R esmagou o buque de rosas, como se fosse um copo descartável, e naquele momento sentiu um misto horrível de tristeza e raiva. Esperou que Rick fosse embora e alguns minutos se passassem para que ele pudesse entrar na casa, ainda carregando o buquê amassado.
 
Sua mulher o recebeu como sempre recebia. Com um sorriso no rosto, beijos e abraços carinhosos. Havia, entretanto, uma leve mudança em suas feições. Por mais que ele tentasse esconder, a dor era muito forte para ser simplesmente ignorada. “O que houve querido? Aconteceu alguma coisa na clinica?” – perguntou ela. Em resposta J.R apenas moveu a cabeça: “Só tive um dia difícil.”

Naquela noite Amanda preparou a melhor comida que J.R já experimentara em toda sua vida e ele comeu o máximo que pôde, tentando a qualquer custo evitar as lágrimas enquanto o fazia.

J.R não apareceu na clinica no dia seguinte, nem nos outros dois dias. Rick, preocupado com a ausência do sócio (e com a insistência que ele tinha em não atender seus telefonemas) resolveu fazer uma visita e verificar pessoalmente o que estava acontecendo. Chegando lá encontrou a porta apenas encostada, e como quando chamou não obteve resposta, resolveu entrar. Atravessou a sala e a cozinha, chamando pelo casal, e continuou sem obter resposta. Caminhou até o quarto e quando abriu a porta sentiu um cheiro horrível vindo de lá. Não mais horrível do que a cena que viu, e que o deixou em estado de choque.

No quarto, deitada de bruços na cama do casal, estava Amanda, nua, com um machado cravado nas costas e sangue espalhado por todos os lados. Bem em cima dela, pendendo de um lado para o outro, estava J.R, pendurado pelo pescoço em uma corda presa no teto. Embaixo, ao lado do corpo de Amanda, Rick viu um buquê de rosas vermelhas, com um bilhete pendendo entre as pétalas de uma delas, onde estava escrito:

“Nunca deixarei de te amar” - J.R.

E há quem diga que até hoje, em algumas noites de lua cheia, se você se esforçar um pouco, pode ver um opala-metálico-azul, com uma linda garota loira e seu namorado, rondando aquela casa, com o alto falante do carro tocando “Boys don´t Cry”.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Divulgação: Paulo Coelho lança "Manuscrito encontrado em Accra"


Fonte: Estadão
RIO DE JANEIRO - O escritor Paulo Coelho lançou nesta quarta-feira, 25, o livro Manuscrito Encontrado em Accra, sua 22ª obra e que contém uma versão própria do célebre pergaminho descoberto em 1974 pelo arqueólogo inglês sir Walker Wilkinson.
O romance, que terá 100 mil exemplares em sua primeira edição, estará à venda nas livrarias a partir desta quarta-feira, 25. O escritor, que já vendeu cerca de 140 milhões de livros em 168 países, tem seu trabalho reproduzido em 73 idiomas.
A data de lançamento da obra foi escolhida a dedo pelo autor devido ao dia de Santiago de Compostela, 25 de julho, e coincide também com o 25° aniversário da publicação "O diário de um mago", sua obra mais famosa, na qual relata uma peregrinação pelo Caminho de Santiago.
Manuscrito Encontrado em Accra é a primeira obra que o autor escreve após passar por uma cirurgia no coração, em janeiro. Paulo Coelho é integrante da Academia Brasileira de Letras e tem mais de 13 milhões de seguidores nas redes sociais.
Em seu novo livro, Paulo Coelho mistura realidade e ficção, narrando uma história do Manuscrito de Accra, que foi escrito em árabe, hebraico e latim. Na obra, contém um relato sobre os conselhos que um sábio grego deu à população de Jerusalém às vésperas da invasão da cidade.
"O livro é baseado em valores e os valores nunca são ficção. Atravessam o tempo", disse Coelho, de 65 anos, ao esclarecer que sua obra não pode ser catalogada nem como história nem como ficção.
"Distinguir fato e ficção é difícil não só para o escritor, mas também para qualquer pessoa. O livro não pretende explicar ou descrever os valores, mas mostrar como as perguntas que tínhamos há mil anos permanecem vivas; como foram explicadas há mil anos e como são explicadas hoje", contou o escritor durante entrevista divulgada pela editora Sextante.
"O verdadeiro conhecimento está nos amores vividos, nas perdas sofridas, nos momentos de crise e na convivência diária com a inevitável morte", completou o escritor, que mora em Genebra desde 2009.
Coelho afirma que o pergaminho existe, que sir Walker Wilkinson também existiu, e que teve acesso ao Manuscrito através do filho do arqueólogo, mas não deu mais informações sobre o assunto.
Segundo o escritor brasileiro, Wilkinson entregou o pergaminho ao Departamento de Antiguidades do Museu do Cairo e pouco tempo depois foi informado de que havia pelo menos 155 cópias do mesmo documento no mundo inteiro.
Porém, as provas de carbono dos especialistas confirmaram que o achado do arqueólogo inglês era o mais próximo ao original, datado em 1307.
"Conheci o filho de sir Walker Wilkinson no natal de 1982 no País de Gales, e recordo que na época ele mencionou o pergaminho, mas ninguém deu importância ao assunto. Em 30 de novembro de 2011, recebi uma cópia do texto. Este livro é a transcrição do Manuscrito Encontrando em Accra", explicou o brasileiro.
Franz says: O livro será um sucesso, não resta dúvida. A única coisa que me aflige é saber se este livro finalmente repetirá a competência e a profundidade de livros como "O diário de um Mago" e "O Alquimista". 
As obras de Paulo Coelho são boas e merecem mais respeito por parte da crítica, porém realmente ainda falta um novo livro com o impacto das obras iniciais do autor. 

Promoções em blog parceiro. Concorra a livros.



Promoção: “As cinco linguagens da valorização pessoal no ambiente de trabalho”


Dia 7/8 vamos sortear 3 exemplares de “As cinco linguagens da valorização pessoal no ambiente de trabalho”, um superlançamento da Ed. Mundo Cristão.
Para participar é só seguir as regras:
Você não pode ficar de fora =)

Promoção: “Amigas (Im)perfeitas”

 

Dia 9/8 vamos sortear 3 exemplares de “Amigas (im)perfeitas”, superlançamento da Ed. Gutenberg.
Para participar você precisa:
  1. seguir os perfis: @livrosepessoas e @gutenberg_ed
  2. curtir a fanpage
  3. clicar aqui p/ dar RT
  4. deixar seu perfil no twitter no comentário deste post (no site Livros e Pessoas)
Boa sorte!


Imagine... John Lennon


Criatividade igual, estou para ver. 


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Blogueira da Folha de SP indica links de livros e revistas em pdf gratuitos.



Fonte: Folha de SP. Por Raquel Cozer*

O escritor Carlos Henrique Schroeder (que publicou por estes dias este imperdível guia do melhor da web literária) aproveitou o Dia do Escritor para disponibilizar o PDF de seu livro “As Certezas e as Palavras”. Nem gosto muito de datas do gênero (afinal, todo dia é dia), mas pego carona na ideia dele para destacar livros e revistas oferecidos de graça na internet.
Este é um post em progresso, quem tiver sugestões pode mandar também. Valendo apenas livros ou revistas que possam ser baixados e lidos off-line, para não virar a festa da uva. Quando chegar o momento em que eu achar que chega, bem, daí chega (os links para outros livros devem ser lançados no post original, no link da Folha no início deste post).

Livros
Cassandras (PDF), de Franz Lima, Vinicius Maboni, Samila Lages e outros autores. 
Contos de vários gêneros sobre a musa inspiradora de cada escritor. Terror, suspense e muito mais. 
As Certezas e as Palavras (PDF), de Carlos Henrique Schroeder
Volume de contos publicado em 2010 pela Editora da Casa, vencedor do Prêmio Clarice Lispector de Literatura 2010, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional
Sete Anos e Um Dia (TXT), de Elvira Vigna
Primeiro romance adulto da escritora, de 1988
Sexo Anal [Uma Novela Marrom] (PDF), de Luiz Biajoni
Publicada em março de 2010 pela Os Viralatas, teve 10 mil downloads, segundo informa a capa
Dentes Guardados (PDF), de Daniel Galera
Primeiro livro do autor, de contos, publicado em 2001 pela Livros do Mal e atualmente fora de catálogo
Ovelhas que Voam se Perdem no Céu (PDF), de Daniel Pellizzari
Publicado na mesma leva de “Dentes Guardados”, pela Livros do Mal
Nós 1.0 (PDF), de Mario Cau
Oferecida exclusivamente para download, é a primeira versão da HQ “Nós”, lançada pela Balão Editorial
Beggining of a Great Adventure (PDF), de Mário Cesar
Continuação da história em quadrinhos ”A Walk on the Wild Side”, presente no volume “Entrequadros”, também da Balão
26 Poetas Hoje (PDF), org. Heloisa Buarque de Holanda
Ana Cristina Cesar, Waly Salomão, Chacal e outros compõem a seleção de 1975, que marcou época
Cigarros na Cama (PDF), de Ricardo Domeneck
Volume de poemas disponibilizado em apoio ao site Livros de Humanas, que está sendo processado pela ABDR. Angélica Freitas, Eduardo Sterzi e outros também ofereceram livros próprios para download gratuito
***

Revistas
Trevo #1 (TXT, EPUB, PDF, MOBI)
Publicação digital com textos de novatos e veteranos, recém-lançada pelos jornalistas Thiago Kaczuroski e André Toso e pelo designer gráfico Leandro Borghi.
Publicações da Casa de Rui Barbosa (PDF)
Edições digitais de publicações da Casa de Rui. Inclui inventários, como os de Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Vinicius de Moraes, e três edições da Revista Escritos
Casmurros #3 (PDF)
Fanzine editado pelo incrivelmente prolífico Rafael R., que cuida sozinho do blog literário Casmurros. Aqui, as edições 1 e 2.
Sobrecultura #9 (PDF)
Edição de junho do suplemento trimestral de cultura encartado na revista “Ciência Hoje”. As edições anteriores, desde 2010, estão aqui.
Suplemento Literário (PDF)
Edição especial, dedicada ao jornalismo cultural, da publicação atualmente bimestral da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. Inclui texto de José Castello, entrevista com Sergio Augusto etc. Aqui, as edições desde 2006.
7Faces #4 (PDF)
A edição de dezembro da revista de poesia editada pelo poeta Pedro Fernandes, de Natal, traz poemas de Guilherme Gontijo Flores, Adriano Scandolara e outros
Cadernos de Não Ficção #4 (PDF)
Especial sobre literatura argentina e entrevistas com Bernardo Carvalho e Ricardo Piglia estão no número mais recente da publicação teoricamente (cof) semestral da Não Editora

* Colunista do Painel das Letras, na “Ilustrada”, e repórter da “Ilustríssima”, especializada na cobertura de livros.
Nasceu em Petrópolis, formou-se pela UFRJ e vive em São Paulo desde 2001. Trabalhou nos jornais “Agora”, editado pelo Grupo Folha, e “Estado de S.Paulo”, além de ter passagens pelas editoras Globo e Abril.
No blog, escreve sobre literatura, quadrinhos e tecnologia, traz curiosidades sobre o mundo literário e o mercado editorial, e aborda relações da literatura com outras áreas da cultura, como música e cinema.

Batman: Gotham 1459. Veja as imagens...


Batman já tever versões em muitas épocas da história da humanidade. Dessa vez, contudo, o artista Igor Kieryluk mostra uma nova versão primorosa dos personagens do universo do Morcego. Ambientado em 1459, na Europa, Kieryluk nos dá uma interpretação impressionante do que o Cavaleiro das Trevas seria se ele fosse realmente um cavaleiro.





Resenha da HQ Mulher-Gato - versão encadernada da Panini


Por Franz Lima
Mais uma bela edição encadernada da Panini está disponível nas bancas. Desta vez, talvez buscando um pouco do histerismo que ronda o lançamento do novo filme do Batman, a HQ em questão é Mulher-Gato: cidade eterna. O título não é dos melhores, mas não compromete em nada a história em si. 
Produzida pelos mesmo autores de Batman - Vitória Sombria, Batman - Dia das Bruxas e Batman - O Longo Dia das Bruxas, Jeph Loeb e Tim Sale, esta HQ é um encadernado de luxo da minissérie lançada em  2005 na qual Selina Kyle, com a ajuda do Charada, busca as origens de sua família e as prováveis ligações com a família mafiosa Falcone. O local onde a história se desenrola é Roma - Itália.
Não vou entregar nada sobre a HQ, contudo devo salientar que é muito bem elaborada. Os desenhos estão ótimos (ainda que haja alguns erros) e o roteiro envolve mistério, traição, família, amor e ódio em doses bem distribuídas. Não posso deixar de esclarecer que, antes de mais nada, sou fã da dupla Loeb e Sale, principalmente por causa de suas obras anteriores. 
Está claro para mim que a HQ encadernada foi lançada em função da proximidade da estréia do novo filme do Cavaleiro das Trevas, onde a Mulher-Gato está presente, o que não diminui em nada os méritos da obra. 
Prepare-se para entender mais sobre a vilã mais sensual do universo do Batman, um pouco de sua origem e também uma trama onde nada é o o que parece ser.  Isso sem falar nos vilões envolvidos...
Com acabamento em capa dura, papel couchê, sketchs de algumas páginas e uma pequena biografia dos autores, além de uma apresentação, esta revista vale o investimento e um local em sua estante. 
Lembre-se: estando em Roma, aja como os romanos.

Mulher-Gato: Cidade Eterna.
Editora Panini
Ano de lançamento: 2012
Preço: R$ 23,90
Papel Couchê - Capa Dura


Comparações entre as versões dos vilões dos filmes, HQ e séries do Batman


Clique na imagem para ampliar

Fonte: Screenrant

Uma compilação muito bem elaborada com todas as versões dos vilões que atormentam o Batman e apareceram ao mesmo tempo nos filmes, quadrinhos e a série animada. Imperdível...
Post Scriptum: para os que questionam a ausência da Mulher-Gato e a Hera Venenosa, relembro que o texto faz referência apenas aos vilões. Vilãs em breve, espero...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Parabéns, escritor. Parabéns, criador de sonhos...


Por Franz Lima

É bom acordar e ouvir os elogios e parabéns sobre o dia do Escritor. Sim, apesar de não ter um livro oficialmente lançado, este que vos fala é um escritor. Mas o que define um verdadeiro escritor, além do já cultuado livro publicado? Muitos fatores...
Um escritor é aquele que se preocupa em incentivar a imaginação do leitor. É o indivíduo por trás de sonhos acordados, o verdadeiro guia de um universo paralelo e indestrutível, pois ele é criado na mente e armazenado no coração. Escritor é aquele que perde o sono para proporcionar noites repletas de sonhos... ou pesadelos. Pelas palavras um autor atinge o mais secreto recanto humano ao provocar emoções, inspirar lágrimas e sorrisos. É para isso que alguém escreve: emocionar.
Mas hoje é dia de homenagear você, leitor. Por sua fidelidade, por sua persistência em adquirir um livro - por mais caro que seja - e por ceder espaço em sua casa para aquela obra literária é que nós, escritores, propagamos o trabalho feito. Não há outro motivo para escrever além do reconhecimento de ver uma pessoa com um livro aberto, absorta nas palavras estampadas. 
A você que lê, a você que escreve e a você que ajuda a divulgar a cultura, meus agradecimentos. O dia do escritor é hoje e dever ser comemorado. Porém devemos lembrar todos os dias que a literatura depende sempre do binômio leitor e escritor. Juntos, idéias e sonhos serão partilhados por incontáveis gerações. Juntos, a essência humana será perpetuada em cada coração.

 

Qual a real importância de uma biografia não-autorizada?


Grandes personalidades tendem a ter a vida detalhada em uma biografia. Reparem que quando digo "grandes personalidades" estão inclusas automaticamente as pessoas públicas envolvidas com literatura, política, cinema, teatro e artes. Todos os homens e mulheres que ganharam notoriedade por seus atos - lícitos ou não - acabam ganhando um ar de "mistério" sobre suas vidas. O que levou um indivíduo a matar, a lutar por uma causa, a escrever algo ou simplesmente a estar presente em um evento de relevância? Os motivos não podem ser simplesmente expostos. A veracidade de uma informação está na pesquisa do antes e do depois da época histórica em destaque ou, no caso, daquilo que transformou uma pessoa comum em objeto de admiração.
Não há como negar a influência das pessoas públicas. As inspirações são para o bem ou para o mal, mas sempre serão inspirações. Hitler foi biografado, Churchill, John Lennon e até mesmo maníacos (sim, Hitler também era um maníaco) tiveram suas intimidades e sua trajetória expostas aos que queriam conhecê-los no âmago. Esse é o mercado da fama, do fascínio.
Em alguns casos ainda temos a oportunidade de ouvir estas histórias por quem realmente as viveu. Quando uma pessoa pública fala sobre si mesma, teoricamente, teremos uma veracidade maior sobre os fatos. Será? Eu tenho plena certeza de uma coisa: ninguém expõe a totalidade de sua vida, pois todos nós temos, em algum momento, um fato do qual não nos orgulhamos, o erro encarcerado no mais escuro recanto da alma. É natural temer que descubram essas lacunas no decorrer da vida.
Então, qual seria a biografia mais confiável? Honestamente, isso é algo difícil de opinar. A biografia feita pelo próprio biografado é interessante por conter as verdadeiras lembranças daquilo que foi vivido. Contudo, as biografias não-autorizadas tem um ponto forte: nelas, excetuando-se as que são feitas para denegrir a imagem de quem se fala, encontramos os mesmos relatos (quando a pessoa biografada relata suas experiências) com um pouco mais de profissionalismo. Explico... é muito simples falar da própria vida, amores e desencontros. O que complica é a transposição destas idéias e memórias para o papel, fato amenizado pela facilidade em escrever do biógrafo especializado. Também há outros fatores que tornam a biografia não-autorizada mais interessante: a intenção de escandalizar e vender ou a utilização das informações que a personalidade alvo escondeu e é de conhecimento do escritor.
Ultimamente tenho pesquisado muito sobre essas biografias. Adquiri a biografia de Adolf Hitler por Joachim Fest (simplesmente fantástica), vi duas obras sobre o Metallica e, mais recentemente, pensei em adquirir a biografia não-autorizada de Clint Eastwood. Aliás, vou adquiri-la em breve, principalmente após ter ouvido a opinião da galera do MRG em um recente episódio de livros, onde frisam que tanto o lado agradável quanto o lado ruim de Clint estão expostos com clareza, coisa que dificilmente ocorreria em um biografia filtrada pelo ator ou pelo escritor que ele escolheria.
Concluindo: uma boa obra biográfica é aquela onde a transparência e a verdade venham à tona, não importa o quanto isso choque o leitor.

Christian Bale, o Batman, visita sobreviventes do massacre no Colorado.


Fonte: G1
Nos Estados Unidos, o astro do filme Batman interrompeu a turnê de divulgação pela Europa para visitar os sobreviventes do massacre no Colorado. Christian Bale disse que as palavras não podem expressar o horror que sente.
A polícia divulgou mais detalhes sobre o que havia no apartamento de James Holmes. Foram encontradas 30 granadas que ele mesmo fabricou e 40 litros de gasolina espalhados em recipientes, tudo ligado por fios e pronto para explodir se alguém entrasse.
Os policiais precisaram de dias para, através das janelas, desativar a armadilha. Se explodisse, levaria aos ares o prédio onde ele morava e alguns prédios vizinhos.
Ao ser preso, Holmes deu seu endereço e revelou que tinha explosivos em casa. Aparentemente, parte de um plano para matar os policiais que entrassem no apartamento.
Entre as 71 vítimas do massacre no cinema, ainda há 20 hospitalizadas. Os corpos dos 12 mortos ainda não foram liberados para as famílias.
O ator que faz o papel de Batman, Christian Bale, visitou algumas das vítimas internadas no centro médico de Aurora. A Warner Brothers, que produziu o filme, fez uma doação de valor não revelado para o fundo de ajuda às vítimas, que já arrecadou US$ 2 milhões.
Como aconteceu em outros casos de massacres a tiros nos Estados Unidos, a venda de armas no Colorado cresceu muito, mais de 40%, desde sexta-feira. As pessoas acham que, se andarem armadas, poderão se proteger contra atiradores como James Holmes.
Policiais revelaram que o matador do Colorado está dando mostras um comportamento bizarro. Ele cospe constantemente nas pessoas que se aproximam dele, faz caretas e dá sinais de insanidade.
Ele poderia estar fingindo ser psicótico, para escapar do julgamento e da possível pena de morte. Afinal, quando fazia doutorado em neurociências, Holmes se especializou no estudo de doenças mentais, assunto que ele conhece profundamente.

Franz says: esta é uma atitude digna e muito solidária por parte de Christian Bale. Ao visitar os sobreviventes, Bale demonstrou preocupação e respeito por seus fãs e admiradores que, infelizmente, foram vítimas de uma mente covarde e traiçoeira que busca a piedade da opinião pública através de uma loucura simulada. 
Sei que alguns dirão que esta visita não diminuirá a dor e, parcialmente, concordo. Contudo, receber o apoio de alguém que admiramos é sempre algo positivo. Acrescente a isso  o fato de que Christian interrompeu uma turnê para prestar sua solidariedade às vítimas. Ele pode ouvir e ver pessoalmente tudo sobre o massacre, compartilhando uma parcela  daquela dor, mas também semeando esperança nos corações das pessoas que terão que reconstruir suas vidas à sombra do medo.


terça-feira, 24 de julho de 2012

Edições bem acabas e para colecionadores podem ser o futuro dos livros.


Rodrigo Mello Franco de Andrade
Fonte: Estadão.

Ter na estante a edição de Velórios, de Rodrigo Mello Franco de Andrade, lançada agora pela Confraria dos Bibliófilos, é privilégio de apenas 351 pessoas. Fãs da Gucci têm que correr: só 100 exemplares do livro sobre a história da marca estão à venda aqui, por R$ 520. Mais exclusiva ainda é a edição de luxo, com fotos autografadas por jogadores, de Nação Corinthians, obra com mais de 600 páginas e 28 quilos lançada pela Toriba no ano passado. Os 11 exemplares foram vendidos em 30 dias. Custava R$ 15 mil. Ou então Cruzeiro, de Lúcia Mindlin Loeb, neta do bibliófilo José Mindlin, que saiu pela Tijuana em cinco exemplares - vendidos a R$ 4 mil. Desde 2010, a editora lançou 12 livros - de R$ 50 e R$ 5 mil.
Esses são os extremos: livros de colecionador ou de artista, feitos em tiragens reduzidíssimas, alguns assinados e numerados. Mas um novo mercado tem se desenvolvido aqui e pode ser uma saída para o livro impresso num futuro que se prevê digital (especialmente para obras de entretenimento e pesquisa) - o de edições caprichadas, com um projeto gráfico ousado, impressas em tiragens industriais e que cabem no bolso de quase todos os leitores, ou pelo menos dos que valorizam o objeto livro.
Velórios
"Ficaríamos chocados se entrássemos numa livraria 30 anos atrás e comparássemos com o que encontramos nela hoje. Os livros estão mais bonitos e bem acabados", diz o livreiro e editor Alexandre Martins Fontes. Há seis meses ele abriu uma loja de livros de arte na Avenida Paulista e como editor vem investindo em projetos especiais - o principal é a parceria com a indiana Tara, que faz tudo artesanalmente. A primeira obra, A Vida Secreta das Árvores, teve a tiragem de 4 mil esgotada rapidamente e já foi reimpressa. "É um livro mais caro, R$ 68,30, mas é barato pelo trabalho que tem por trás dele. No fim, o leitor está comprando gravuras originais." Outros dois semelhantes já foram editados e há mais dois em estúdio.
Na concorrência com o e-book, que tem basicamente o mesmo conteúdo e custa cerca de 30% menos, a luta pode ser estética. Uma das principais responsáveis pela nova cara do livro brasileiro é a Cosac Naify. "O trabalho que realizamos em torno de um conceito do livro como um objeto material é mais difícil de ser substituído pelo digital, pois aquilo que ele oferece não tem um correspondente no digital. Refiro-me não apenas ao fato de o livro ser bonito, mas sobretudo por ser pensado com um objeto que deve expressar graficamente o seu conteúdo", explica Florencia Ferrari, diretora da Cosac Naify.
Para ela, o tipo de identificação que se tem com um autor, com uma obra literária, com uma ideia, ganha materialidade num objeto concreto que se quer ter, guardar. A lógica não valeria para livros de consumo rápido ou consulta.
Caprichar na edição é também uma forma de garantir mais espaço de exposição nas livrarias. A Autêntica começou a acreditar nisso este ano e lançou duas caixas com Mrs Dalloway, de Virginia Wolff, e Os Diários de Llansol, de Gabriela Llansol. A diretora Rejane Dias gostou da experiência e disse que outros serão feitos neste formato. Na lista, O Erotismo, de Georges Bataille.
Rafael Vido, da Geográfica, conta que as novas exigências das editoras fez com que sua empresa se especializasse em produtos mais complexos. Porém, de olho no futuro, já faz e-book. "Hoje o Brasil tem o que há de mais moderno em tecnologia, mas a carga tributária é pesada." Resultado: fica difícil concorrer com a China, que, também nesse mercado, já oferece custos mais baixos.
Roger Faria, sócio da Toriba foi até Pequim, mas escolheu produzir os seus livros na Itália - pela excelência gráfica. Oito projetos estão em andamento. Para o Natal, sai o volume sobre Roberto Carlos. "Esse mercado é promissor e só está começando no Brasil."

Franz says: o apuro em um livro, uma capa bem feita, uma edição autografada ou rara são um investimento que sempre terá boa aceitação pelo público. Edições limitadas e boxes são um exemplo claro do poder de venda. Com tiragem reduzida, papel especial, capas em relevo e outros atrativos, várias editoras conseguem um substancial lucro e, paralelamente, os leitores adquirem exemplares dos quais terão orgulho de ostentar. É um pouco de vaidade, admito, porém é algo que jamais será alcançado pelos e-books, mesmo os que utilizam sons, imagens em movimento ou outros recursos similares. 
Pode parecer um tanto quanto saudosista, mas ainda vejo beleza em uma estante com obras de grande valor literário e, claro, beleza e apuro em seu acabamento.

Novo clipe solo de Serj Tankian: Harakiri.


Fonte: Rolling Stone.

O terceiro disco solo de Serj Tankian, Harakiri, acaba de ser lançado. O vídeo da pesada faixa-título é pungente e carregado de mensagens políticas, e cita os escritores Ralph Waldo Emerson e Jean-Paul Sartre, além de usar um trecho de um discurso gravado de Ronald Reagan. Enquanto Tankian foca na carreira solo, o System of a Down, banda que o tornou famoso, fica em stand-by. 

 

 


As caricaturas de Sandro Cabral. Mais um talento aqui divulgado...


Barack Obama

Este caricaturista brasileiro chamou minha atenção pela qualidade de seus trabalhos e - não poderia ser diferente - agora faz parte do rol dos artistas homenageados pelo Apogeu. Conheçam algumas das obras de Sandro Cabral:

Quico

Sérgio Loroza

Serj Tankian

Owen Wilson

Hugo Chávez, Fidel Castro e Evo Morales



segunda-feira, 23 de julho de 2012

O caminho do sucesso dos novos escritores.



O escritor Paulo Coelho acaba de afirmar que a nova geração de escritores não está prestando atenção e aproveitando todas possibilidades que tem diante de si hoje em dia. Para isso citou o caso do livro “A batalha do Apocalipse” de Eduardo Sphor que entrou em todas as listas de mais vendidos com comentários simples na internet que se propagam mesmo não sendo da crítica especializada.
Hoje com o advento da internet, os escritores podem expressar o que pensam inclusive sobre qualquer obra literária. Paulo Coelho lembrou ainda que quando alguém vai comprar um livro, esse leitor “não vai procurar os comentários da crítica especializada, mas daqueles que já leram. Isso pode determinar o sucesso global ou a morte súbita de um texto.”
Paulo Coelho que sempre foi muito criticado pela mídia lembrou os leitores que nunca faltou espaço para ele na mídia. Lembrou ainda que as previsões sobre ele, era de que fosse apenas um fenômeno de moda, mas com o crescimento da internet, passou a escrever para blogs e redes sociais, ampliando o alcance daquilo que julgava interessante dizer.
Para Paulo Coelho os escritores sofrem da “síndrome de Van Gogh” (ser reconhecido apenas após a morte). O grande erro dos novos escritores é que tentam “agradar a um sistema falido da cultura construída com verbas de ministérios e cimentada com resenhas misteriosas e ilegíveis. Gastam uma imensa energia em busca de reconhecimento que já não está nas mãos daqueles que pensam detê-lo.”
Paulo Coelho diz ainda “A esses, eu digo: os meios de produção e divulgação estão a seu alcance – e isso nunca aconteceu antes. Se ninguém presta atenção ao que estão fazendo, não se preocupem. Continuem adiante, porque cedo ou tarde (mais cedo que tarde) alguém entenderá o que dizem. Os brasileiros não são lidos no exterior porque ninguém se interessa em traduzi-los.” Hoje os autores podem fazer todos esse trabalho sozinho e sem gastar muito. Podem traduzir seu livro e publica-lo tanto no Brasil como no Exterior de maneira totalmente gratuita.
Os autores britânicos, por exemplo, revelaram em um pesquisa já preferem eliminar seus editores e publicar seus livros por conta própria. Estas são talvez as duas revelações mais surpreendentes da pesquisa “Do you love your publisher?” (“Você ama sua editora?”), feita para identificar a atitude de escritores britânicos em relação a seus editores por encomenda do Writer’s Workshop. A auto publicação de e-books também é mais atrativa, pois o retorno financeiro também é maior. Quem sabe você autor muda de atitude agora?

Franz says: concordo absolutamente com a matéria. As ferramentas atuais existem para que sejam usadas. Twitter, facebook, orkut, skoob e outros recursos devem ser aplicados para divulgar e espalhar ao máximo seu trabalho. Cedo ou tarde o que você escreve será notado e, talvez, a chance que tanto sonha chegará. A verdade é que um talento armazenado em gavetas será inevitavelmente devorado pelas traças...

Loucura ou jogada da defesa? Matador de Aurora dizia ser o "Coringa".


Por Franz Lima
Após promover o massacre de 12 pessoas e ferir mais de outras 50, o assassino do cinema de Aurora (EUA) apresenta uma versão onde ele teria gritado, antes do início do tiroteio, ser o Coringa, inspirado no persongem de Heath Ledger no segundo filme do Batman de Nolan.
Alguns jornais, sensacionalistas e aproveitadores, fizeram uso da informação e alegram até possessão do atirador pelo espírito do ator. Minha indignação foi total, principalmente por conhecer um pouco sobre Heath que, entre seus pares, era conhecido pelo bom humor e profissionalismo. Como um homem que foi tão bacana em vida iria, repentinamente, tornar-se um covarde e assassino, e usar - se é realmente permitido - o corpo de uma outra pessoa para praticar o mal?
A incoerência e o oportunismo da imprensa e da defesa - há alguém que duvide da alegação de insanidade? - chegam a embrulhar o estômago. Famílias choram pela morte de seus entes queridos, ao passo que os familiares de Ledger são obrigados a ver a memória de seu garoto ser maculada por aproveitadores. 
Não há loucura nos atos de James Holmes. O que é perceptível em seus atos é o oportunismo, a chance de se promover entre os grandes "predadores" da história dos EUA. Com este massacre, mais um louco entre para o Hall da Fama dos serial killers, psicopatas e matadores. James Holmes se valeu de um sistema de venda de armas extremamente liberal, onde adquirir uma pistola, uma escopeta ou outro armamento mais pesado é relativamente fácil. De posse de seu próprio arsenal, James usou o fascínio e o clima proporcionados pelo evento de lançamento do filme para - novamente repito - covardemente ferir e matar muitas pessoas. 
Heath Ledger foi um ator que ganhou um Oscar por sua atuação virtuosa de um assassino insano. Heath tornou-se a face do Coringa que irá permanecer na mente de muitos por várias décadas. Não há associação entre o ator ou o personagem com o matador de Aurora. O que vemos é a união de vendas com a notícia do massacre e uma tática da defesa de Holmes usada por pessoas sem escrúpulos. 
Porém esse crime não ficará impune. Um home que matou, feriu, atingiu a moral de um ator que não pode mais se defender e buscou tirar proveito do lazer de famílias não irá passar em claro. A punição virá e eu, honestamente, não quero que ele morra. A morte é muito rápida e piedosa para um sujeito assim. Que sua vida seja longa e seus crimes sempre o atormentem, pois há 13 famílias (incluindo a de Heath Ledger) que sofrem pelos seus atos e irão sofrer por muitos e muitos anos.
Que a paz volte logo a reinar nos corações dos que foram atingidos pela fúria insana de um covarde munido de oportunismo, apoiado por outros oportunistas.
Descansem em paz...
 


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Twitter pode abrir vagas de trabalho no Brasil.


O Twitter está com vagas para profissionais do Brasil, o que dá força a rumores de que a rede social planeja abrir um escritório no país. 
Na página de recrutamento do portal há ao menos três vagas abertas para atuação em São Paulo, para as áreas de vendas e marketing, com o objetivo de divulgar as ferramentas do Twitter entre agências de publicidade e empresas. Veja mais informações no site da companhia.
De acordo com o jornal britânico "Financial Times" o Twitter planeja abrir um escritório em Brasil ainda neste ano para aproveitar as oportunidades geradas pela Olimpíada no Rio e pela Copa do Mundo. 
Fonte: Folha de SP.

Franz says: esta é uma notícia que evidencia a importância dos próximos eventos esportivos no país, além de também destacar a influência do Brasil junto às grandes empresas e investidores. Uma ótima oportunidade para os que estarão capacitados a trabalhar nesta grande empresa.

Denúncia: Empresas lucram com uso de cadáveres humanos


Pele humana industrializada

Fonte: Folha de São Paulo. Tradução: Marcelo Soares

Em 24 de fevereiro, as autoridades ucranianas descobriram ossos e outros tecidos humanos amontoados em caixas refrigeradas num micro-ônibus branco encardido.
Os investigadores ficaram ainda mais intrigados quando descobriram, entre as partes de corpos, envelopes cheios de dinheiro e relatórios de autópsia escritos em inglês.
O que a batida apreendeu não era obra de um serial killer, mas parte de um escoadouro internacional de ingredientes para produtos médicos e odontológicos rotineiramente implantados em pessoas ao redor do mundo.
Os documentos apreendidos sugeriam que os restos de ucranianos mortos eram destinados a uma fábrica na Alemanha pertencente à subsidiária de uma empresa norte-americana de produtos médicos, com sede na Flórida --a RTI Biologics.
A RTI faz parte de um negócio crescente de empresas que lucram transformando restos mortais em tudo, de implantes dentários a material para amenizar rugas.
Pele humana: cor de salmão
À medida que a indústria cresceu, suas práticas despertaram preocupações sobre como os tecidos são obtidos e com que grau de detalhe as famílias enlutadas e os pacientes transplantados são informados sobre as realidades e os riscos do negócio.
Só nos EUA, o maior mercado e o maior fornecedor, estima-se que 2 milhões de produtos derivados de tecidos humanos sejam vendidos a cada ano, um número que duplicou na última década.
Trata-se de uma indústria que promove tratamentos e produtos que literalmente permitem que cegos enxerguem (por meio do transplante de córnea) e os portadores de deficiência física caminhem (reciclando tendões e ligamentos para uso em cirurgias de joelho). É também uma indústria alimentada por poderosos apetites por lucros e novos corpos humanos.
Na Ucrânia, por exemplo, o serviço de segurança acredita que corpos que passaram por um necrotério no bairro Mykolaiv, uma região de estaleiros localizada próximo ao mar Negro, podem ter alimentado o negócio, deixando para trás o que os investigadores descreveram como potencialmente dezenas de "fantoches humanos" --cadáveres despojados de suas partes reutilizáveis.
Representantes do setor argumentam que tais supostos abusos são raros, e que a indústria opera com segurança e responsabilidade.
A RTI não respondeu a repetidos pedidos de comentário ou a uma lista detalhada de perguntas encaminhada um mês antes desta publicação.
Em declarações públicas, a empresa diz que "honra a doação de tecidos tratando o material com respeito, encontrando novas maneiras de usar os tecidos para ajudar os pacientes e ajudando o maior número possível de pacientes a cada doação".
"NOSSA DESGRAÇA"
Apesar de seu crescimento, o negócio dos tecidos humanos escapou, em grande medida, ao debate público. Isso ocorre em parte graças à fiscalização fraca --e ao apelo popular da ideia de permitir que os mortos ajudem os vivos a sobreviver e prosperar.
Numa investigação de oito meses em 11 países, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) descobriu, no entanto, que as boas intenções da indústria de tecidos humanos às vezes entram em conflito com a pressa de ganhar dinheiro com os mortos.
Há salvaguardas inadequadas para garantir que todo o tecido utilizado pela indústria seja obtido legalmente e eticamente, segundo o ICIJ descobriu em centenas de entrevistas e milhares de páginas de documentos públicos obtidos por meio das leis de acesso a informações públicas em seis países.
Apesar das preocupações dos médicos de que um negócio mal regulado possa permitir que tecidos doentes transmitam a pacientes transplantados doenças como hepatite, HIV e outras, as autoridades pouco fazem para reduzir os riscos.
Em contraste com os sistemas bem monitorados de rastreamento de órgãos intactos, como coração e pulmões, as autoridades dos EUA e de muitos outros países não têm como saber com precisão de onde vêm e para onde vão a pele reciclada e outros tecidos.
Sergei Malish
Ao mesmo tempo, dizem os críticos, o sistema de doação de tecidos pode aprofundar a dor de famílias enlutadas, mantendo-as no escuro ou enganando-as sobre o que vai acontecer com os corpos de seus entes queridos.
Os parentes, como os pais de Sergei Malish, um ucraniano de 19 anos que cometeu suicídio em 2008, acabam precisando lidar com uma realidade sombria.
No funeral de Sergei, seus pais descobriram cortes profundos em seus pulsos. No entanto, eles sabiam que ele havia se enforcado.
Mais tarde, descobriram que partes de seu corpo haviam sido recicladas e vendidas como "material anatômico".
"Eles ganham dinheiro com a nossa desgraça", disse o pai de Sergei.
SILÊNCIO CONSTRANGEDOR
Durante a jornada de transformação pela qual passa o tecido --de parte de um cadáver a um insumo médico--, alguns pacientes nem sequer sabem que estão recebendo partes humanas.
Produtos feitos de tecido humano
Os médicos nem sempre informam que os produtos utilizados em reconstruções de mama, implantes de pênis e outros procedimentos foram extraídos de cadáveres.
Tampouco as autoridades estão sempre cientes de onde vêm ou para onde vão os tecidos.
A falta de acompanhamento adequado significa que, quando os problemas chegam a ser descobertos, alguns dos produtos feitos com partes de cadáveres não podem ser localizados. Quando os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA ajudam no recall de produtos feitos a partir de tecidos potencialmente contaminados, os médicos de transplante dificilmente ajudam muito.
"Muitas vezes há um silêncio constrangedor. Eles dizem: 'Não sabemos onde está", disse o Dr. Matthew Kuehnert, diretor do departamento de sangue e biologia do CDC.
"Os cereais [do café da manhã] têm códigos de barras, mas os tecidos humanos não têm", disse Kuehnert. "Todo paciente que tem tecido implantado deveria saber. É tão óbvio. Devia ser um direito básico do paciente, mas não é. Isso é ridículo."
Desde 2002, a Food and Drug Administration dos EUA documentou ao menos 1.352 infecções no país transmitidas por transplantes de tecidos humanos, de acordo com uma análise feita pelo ICIJ em dados do FDA. Essas infecções foram ligadas às mortes de 40 pessoas, mostram os dados.
Um dos pontos fracos do sistema de monitoramento de tecido é o sigilo e a complexidade que vêm com o comércio internacional de partes do corpo.
Os eslovacos exportam partes de cadáveres para os alemães; os alemães exportam produtos acabados para a Coreia do Sul e para os Estados Unidos; os sul-coreanos, para o México; e os EUA, para mais de 30 países.
Os distribuidores de produtos manufaturados estão em União Europeia, China, Canadá, Tailândia, Índia, África do Sul, Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Alguns são subsidiários de corporações médicas multinacionais.
A natureza internacional da indústria, dizem os críticos, torna mais fácil levar os produtos de um lugar para outro sem muito escrutínio.
"Se eu comprar algo de Ruanda, depois colocar um rótulo belga, posso importar para os EUA. Depois de entrar no sistema oficial, todo mundo confia", disse o Dr. Martin Zizi, professor de neurofisiologia da Universidade Livre de Bruxelas.
Quando um produto chega à União Europeia, pode ser enviado para os EUA sem que sejam feitas muitas perguntas.
"Eles presumem que você tenha feito o controle de qualidade", disse Zizi. "Somos mais cuidadosos com frutas e legumes do que com partes do corpo."
NEGÓCIO LUCRATIVO
No mercado de tecidos humanos, as oportunidades de lucros são imensos. Um único corpo livre de doenças pode gerar fluxos de caixa de US$ 80 mil a US$ 200 mil para os vários envolvidos, com e sem fins lucrativos, na recuperação de tecidos ao usá-los para fabricar produtos médicos e odontológicos, de acordo com documentos e os especialistas entrevistados.
É ilegal nos EUA, como na maioria dos outros países, comprar ou vender tecidos humanos. No entanto, é permitido que se paguem taxas de serviço que ostensivamente cobrem os custos de encontrar, armazenar e processar tecidos humanos.
Quase todo mundo leva alguma parte.
Olheiros de corpos nos EUA podem ganhar até US$ 10 mil para cada cadáver que garantam em seus contatos em hospitais e necrotérios. Funerárias podem atuar como intermediárias para identificar potenciais doadores. Os hospitais públicos podem ser pagos pelo uso de salas de recuperação de tecidos.
E as multinacionais de produtos médicos como a RTI? Ganham bem, também. No ano passado, a RTI lucrou US$ 11,6 milhões antes dos impostos sobre receita de US$ 169 milhões.
Phillip Guyett, que administrava uma empresa de recuperação de tecidos em vários Estados dos EUA antes de ser condenado por falsificação de atestados de óbito, afirmou que os executivos de empresas a quem vendia tecidos o convidavam para refeições de US$ 400 e estadias em hotéis de luxo.
Eles prometeram: "Podemos torná-lo um homem rico". Chegou o momento, disse ele, que começou a olhar para cadáveres e ver "cifrões pendurados em suas partes". Guyett diz que nunca trabalhou diretamente para a RTI.
SALMÃO DEFUMADO
A pele humana tem cor de salmão defumado quando é profissionalmente removida de um cadáver, em formas retangulares. Uma boa produtividade é de cerca de 0,6 metro quadrado.
Depois de ser esmagada para remover a umidade, parte da pele está destinada a proteger vítimas de queimaduras de infecções bacterianas ou, após ser mais uma vez refinada, pode ser usada em reconstruções da mama após o câncer.
O uso de tecidos humanos "realmente revolucionou o que se pode fazer em cirurgias de reconstrução de mama", explica o Dr. Ron Israeli, cirurgião plástico em Great Neck, Nova York.
"Desde que começamos a usá-lo, por volta de 2005, tornou-se uma técnica padrão."
Um número significativo de tecidos recuperados é transformado em produtos cujos nomes comerciais dão poucas pistas sobre a sua verdadeira origem.
São usados nos ramos odontológicos e de beleza --para tudo, de preencher os lábios a suavizar as rugas.
Ossos --recolhidos dos mortos e substituídos por canos de PVC para o enterro-- são esculpidos como pedaços de madeira em parafusos e buchas para dezenas de aplicações dentárias e ortopédicas.
Ou o osso é triturado e misturado com produtos químicos para formar fortes colas cirúrgicas anunciadas como sendo melhores do que a variedade artificial.
"No nível mais básico, o que estamos fazendo ao corpo é uma coisa muito física --e imagino que alguns diriam muito grotesca", disse Chris Truitt, um funcionário da ex-RTI. "Retiramos os ossos do braço. Retiramos os ossos da perna. Abrimos o peito para puxar o coração e extrair as válvulas. Puxamos as veias para fora da pele."
Tendões inteiros, limpos de forma segura para transplante, são usados para devolver atletas lesionados ao campo.
Há também um comércio de córneas, dentro dos países e internacionalmente.
Devido à proibição de vender o próprio tecido, as empresas norte-americanas que deram início ao negócio adotaram os mesmos métodos do ramo de coleta de sangue.
As empresas com fins lucrativos criam subsidiárias sem fins lucrativos para coletar o tecido --da mesma maneira como a Cruz Vermelha recolhe sangue, que é posteriormente transformado em produtos por entidades comerciais.
Ninguém cobra pelo tecido em si, que em circunstâncias normais é livremente doado pelos mortos (por meio de cadastros de doadores) ou por suas famílias.
Em vez disso, os bancos de tecidos e outras organizações envolvidas no processo recebem mal definidos "pagamentos razoáveis" para compensá-las pela obtenção e o manuseio do tecido.
"A linguagem comum é se referir aos contratos de doadores como 'colheita' e às transferências subsequentes por meio do banco de ossos como 'compra' e 'venda'", escreveu Klaus Hoyer, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague, que ouviu representantes do setor, doadores e receptores para um artigo publicado na revista acadêmica "BioSocieties".
"As expressões foram utilizadas livremente em entrevistas, mas nunca ouvi essa terminologia ser usada na frente dos pacientes."
Um estudo financiado pelo governo dos EUA com famílias de doadores de tecidos no país, publicado em 2010, indica que muitos podem não entender o papel de empresas com fins lucrativos no sistema de doação de tecidos.
Das famílias que participaram do estudo, 73% disseram que "não é aceitável que o tecido doado seja comprado ou vendido, para qualquer finalidade".
POUCA PROTEÇÃO
Existe um risco inerente ao transplante de tecidos humanos. Entre outras coisas, ele causa risco de infecções bacterianas e de propagação de HIV, hepatite C e raiva em receptores de tecidos, de acordo com o CDC.
A coleta moderna de sangue e órgãos usa códigos de barras e é fortemente regulamentada. Houve reformas recentes, incitadas por desastres de alto nível causados ​​pela má triagem de doadores. Os produtos feitos com tecidos da pele e outros, no entanto, têm poucas leis específicas próprias.
Nos EUA, a agência que regula o setor é a Food and Drug Administration, a mesma agência encarregada de proteger o abastecimento de alimentos, medicamentos e cosméticos no país.
A FDA, que recusou vários pedidos de entrevistas gravadas, não tem autoridade sobre os serviços de saúde que implantam o material. E a agência não rastreia especificamente infecções.
Ela acompanha bancos de tecidos registrados e às vezes abre uma inspeção. Ela também tem o poder de fechá-los.
A FDA depende em grande medida das normas definidas por um órgão da indústria, a Associação Americana de Bancos de Tecidos (AATB). A associação recusou repetidos pedidos de entrevistas gravadas ao longo de quatro meses. Numa entrevista de contextualização ao ICIJ, na semana passada, ela informou que a "vasta maioria" dos bancos que recuperam tecidos tradicionais, como pele e osso, é credenciada pelo AATB. Porém, uma análise de bancos credenciados pela AATB e dados de registro da FDA mostram que apenas cerca de um terço dos bancos de tecidos que recuperam tecidos tradicionais, como pele e osso, são credenciados.
A associação diz que a chance de contaminação em pacientes é baixa. A maioria dos produtos, diz a AATB, é submetida a radiação e esterilização, tornando-os mais seguros do que, digamos, órgãos transplantados para outro ser humano.
"O tecido é seguro. É extremamente seguro", disse um executivo da AATB.
Há poucos dados, porém, que apoiem as afirmações do setor.
Diferentemente de outros produtos biológicos regulados pelo FDA, explicam funcionários da agência, as empresas que fabricam produtos médicos usando tecidos humanos são obrigadas a relatar apenas os efeitos adversos mais graves descobertos. Isso significa que, caso surjam problemas, não há garantia de que as autoridades sejam alertadas.
Como os médicos não são obrigados a informar aos pacientes que estão recebendo de tecidos de um cadáver, muitos pacientes não podem associar qualquer infecção posterior ao transplante.
Sobre esse ponto, a indústria diz que é capaz de rastrear os produtos dos doadores até os médicos, usando seus próprios sistemas de codificação, e que muitos hospitais têm sistemas para acompanhar os tecidos depois de serem implantados.
Mas nenhum sistema centralizado regional ou global assegura que os produtos possam ser acompanhados do doador ao doente.
"Provavelmente, muito poucas pessoas se infectam, mas nós realmente não sabemos porque não temos vigilância e um sistema para detectar eventos adversos", disse Kuehnert, do CDC.
O FDA recolheu mais de 60 mil derivados de tecido entre 1994 e meados de 2007.
O recall mais famoso ocorreu em 2005. Tratava-se de uma empresa chamada Biomedical Tissue Services, dirigida pelo ex-cirurgião dentista Michael Mastromarino.
Mastromarino recebia boa parte de suas matérias-primas de funerárias em Nova York e na Pensilvânia. Ele pagava até US$ 1.000 por órgão, segundo os registros judiciais.
Sua empresa retirava ossos, pele e outras partes utilizáveis e depois entregava os corpos às famílias. Sem saber o que aconteceu, os parentes enterravam ou cremavam as provas.
Um dos mais de mil corpos desmembrados foi o do famoso apresentador da emissora BBC Alistair Cooke.
Produtos feitos com restos humanos roubados foram enviados para Canadá, Turquia, Coreia do Sul, Suíça e Austrália. Mais de 800 desses produtos nunca foram localizados.
Mais tarde, um tribunal descobriu que alguns dos doadores de tecidos haviam morrido de câncer e que nenhum deles tinha sido testado para detectar doenças como HIV e hepatite.
Mastromarino falsificou registros de doadores, mentindo sobre as causas de morte e outros detalhes. Ele vendia pele e outros tecidos a várias empresas norte-americanas de processamento de tecidos, incluindo a RTI.
"Desde o primeiro dia, foi tudo forjado; tudo, porque podíamos. Enquanto a papelada parecesse boa, tudo bem", disse Mastromarino, que cumpre pena de prisão de 25 a 58 anos por roubo, conspiração e abuso de cadáveres.
XERIFE GLOBAL
Cada país tem suas próprias regras para usar produtos fabricados a partir de tecido humano, frequentemente com base em leis originalmente destinadas a lidar com sangue ou órgãos.
Na prática, no entanto, como os EUA atendem a cerca de dois terços das necessidades globais de produtos feitos com tecidos humanos, a FDA (Food and Drug Administration) efetivamente foi deixada como a xerife de grande parte do planeta.
Empresas estrangeiras de tecidos humanos que desejem exportar para os EUA devem se registrar na FDA.
No entanto, das 340 empresas estrangeiras de tecidos registradas na FDA, apenas cerca de 7% têm registro de inspeção no banco de dados da agência, segundo análise do ICIJ. A FDA nunca fechou nenhuma por suspeita de atividades ilícitas.
Os dados também mostram que cerca de 35% dos ativos dos bancos de tecidos registrados nos EUA não têm nenhum registro de inspeção no banco de dados da FDA.
"Quando a FDA registra você, só é preciso preencher um formulário e esperar uma inspeção", disse Duke Kasprisin, diretor médico de sete bancos de tecidos nos EUA. "No primeiro ano ou dois, você pode funcionar sem ninguém olhar para você." Isto é reforçado pelos dados, segundo os quais um banco de tecidos típico opera por quase dois anos antes de sua primeira inspeção da FDA.
"O problema é que não há supervisão. A FDA só exige que você tenha registro", disse Craig Allred, advogado anteriormente envolvido em litígios contra aindústria. "Ninguém vê o que acontece." A FDA e a indústria "apontam o dedo um para o outro".
No entanto, na Coreia do Sul, o mercado de cirurgia plástica usa a supervisão da FDA como marketing.
No centro de Seul, capital do país, a Tiara Cirurgia Plástica explica que os produtos feitos com tecidos humanos "são aprovados pela FDA" e são, portanto, seguros.
Alguns centros médicos anunciam "AlloDerm aprovado pelo FDA" --um enxerto de pele feito com cadáveres doados nos EUA-- para cirurgias no nariz.
Le Do-han, o encarregado do tecido humano na FDA sul-coreana, disse que o país importa 90% das suas necessidades de tecido humano.
O tecido cru é enviado a partir dos EUA e da Alemanha. Uma vez processado, muitas vezes é reexportado para o México como produtos manufaturados.
Apesar dos movimentos complicados de ida e vinda, Le Do-han reconhece que na prática não houve fiscalização adequada.
"É como colocar etiquetas na carne, mas eu nem sei se isso é possível para os tecidos humanos porque há muitos chegando."
EM EQUIPE
Em relatórios à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a empresa de capital aberto RTI permite vislumbrar o tamanho da empresa e seu alcance global.
Em 2011, a empresa fabricou entre 500 mil e 600 mi implantes e lançou 19 novos tipos de produtos para medicina esportiva, ortopedia e outras áreas. Dos implantes da empresa, 90% são feitos a partir de tecido humano, enquanto 10% vêm de vacas e porcos transformados em sua fábrica alemã.
A RTI exige que seus fornecedores de partes do corpo humano nos EUA e outros países sigam as regras da FDA, mas a empresa reconhece que não há garantias.
Em documentos enviados à SEC em 2011, a RTI disse que "não pode garantir" que "os nossos fornecedores de tecido cumprem os regulamentos destinados a prevenir a transmissão de doenças contagiosas" ou, "ainda que sejam cumpridos, que nossos implantes não foram ou não serão associado à transmissão da doença".
Como muitas das empresas de tecidos atualmente com fins lucrativos um dia foram sem fins lucrativos, a RTI surgiu do Banco de Tecidos da Universidade da Flórida, sem fins lucrativos, em 1998.
Documentos internos da Tutogen, uma empresa alemã de produtos médicos, mostram que ela fez parceria com a RTI no início de setembro de 1999 para ajudar ambas as empresas a satisfazer suas necessidades crescentes de matéria-prima adquirindo tecido humano na Europa Oriental.
As duas empresas adquiriram tecidos a partir da República Tcheca. A Tutogen separadamente obteve tecidos em Estônia, Hungria, Rússia, Letônia, Ucrânia e mais tarde na Eslováquia, segundo os documentos.
Em 2002, a imprensa tcheca publicou denúncias de que o fornecedor local da RTI e da Tutogen obtinha tecidos indevidamente. Não se sugeriu que a Tutogen, a RTI ou seus funcionários tenham feito algo impróprio.
Em março de 2003, a polícia da Letônia investigou se o fornecedor local da Tutogen havia removido tecidos de cerca de 400 corpos num instituto médico legal sem autorização.
Madeira e panos, substituindo músculos e ossos, foram inseridos nos cadáveres para fazer parecer que estavam intocados antes do enterro, segundo a imprensa local.
A polícia acabou denunciando três funcionários do fornecedor, mas rejeitou mais tarde as acusações, quando um tribunal decidiu que não era necessário o consentimento das famílias dos doadores. Novamente, não houve sugestão de que a Tutogen agiu de forma inadequada.
Em 2005, a polícia ucraniana abriu a primeira de uma série de investigações sobre as atividades dos fornecedores da Tutogen no país. A investigação inicial não levou a indiciamentos.
A relação entre a Tutogen e a RTI, entretanto, tornou-se ainda mais próxima no final de 2007, quando foi anunciada a fusão entre as duas empresas. A Tutogen passou a ser uma subsidiária da RTI.
Funcionários da RTI se recusaram a responder ao ICIJ se sabiam das investigações policiais sobre fornecedores da Tutogen.
DUAS COSTELAS
Em 2008, a polícia ucraniana abriu nova investigação, verificando acusações de que mais de mil tecidos por mês eram ilegalmente coletados num instituto médico forense em Krivoy Rog e enviados, por meio de terceiros, à Tutogen.
Nataliya Grishenko, a juíza de instrução do processo, revelou que muitos parentes disseram ter sido levados a assinar termos de consentimento ou que suas assinaturas foram forjadas.
O principal suspeito no caso --um médico ucraniano-- morreu antes de o tribunal chegar a um veredito. O processo morreu com ele. As autoridades alemãs fizeram uma declaração isentando a Tutogen de delitos.
A Tutogen "opera sob regras muito estritas das autoridades alemães e ucranianas, bem como de outras autoridades reguladoras europeias e americanas", disse Joseph Dusel, procurador-chefe em Bamberg, Alemanha, ao serviço de notícias norte-americano Transplant News. "Eles são inspecionados regularmente por todas essas autoridades em seus anos de operação; e a Tutogen segue em boas condições com todos eles."
Dezessete fornecedores ucranianos da Tutogen foram sujeitos a inspeção da FDA. As ações são anunciadas, segundo o protocolo, com seis a oito semanas de antecedência.
Apenas um fornecedor --a BioImplant, de Kiev-- foi reprovado. Entre as conclusões da inspeção de 2009: nem todos os necrotérios tinham água quente corrente e alguns procedimentos sanitários não foram seguidos.
Os inspetores da FDA também encontraram deficiências em importações ucranianas da RTI, ao visitar as instalações da empresa na Flórida.
A RTI tinha traduções para o inglês, mas não os originais das autópsias dos seus doadores ucranianos, descobriram inspetores da FDA numa fiscalização 2010. Frequentemente, eram os únicos documentos médicos que a empresa usava para saber se o doador era saudável, diz o relatório da inspeção.
A empresa disse aos inspetores que era ilegal, segundo a lei ucraniana, copiar a autópsia. Mas, após a inspeção, ela começou a guardar o documento original em russo, juntamente com sua tradução em inglês.
Em 2010 e 2011, os inspetores pediram à RTI que mudasse a forma de rotular suas importações. A empresa obtinha tecidos ucranianos e enviava à Tutogen, na Alemanha, para em seguida exportar aos EUA como produto alemão. Embora a empresa tenha concordado com as mudanças, há indícios de que ela pode ter continuado a rotular parte do tecido ucraniano como sendo alemão.
Em fevereiro deste ano, a polícia flagrou funcionários de um escritório forense em Mykolaiv Oblast carregando a parte traseira de um micro-ônibus branco com recipientes de tecidos humanos. A filmagem policial da apreensão mostra o material trazendo o rótulo "Tutogen. Made in Germany".
Nesse caso, o serviço de segurança disse que os funcionários do necrotério enganaram os parentes dos mortos para que permitissem o que julgavam ser a coleta de uma pequena quantidade de tecido, aproveitando seu momento de luto.
Documentos apreendidos --exames de sangue, um relatório de autópsia e rótulos escritos em inglês e obtidos pelo ICIJ-- sugerem que os restos mortais estavam a caminho da Tutogen.
Parte dos fragmentos de tecido encontrados no ônibus vieram de Oleksandr Frolov, 35, que tinha morrido de ataque epiléptico.
"No caminho para o cemitério, quando estávamos no carro fúnebre, notamos que um dos sapatos escorregou do seu pé, que parecia estar solto", disse sua mãe, Lubov Frolova, ao ICIJ. "Quando a minha nora tocou seu pé, ela disse que estava vazio. Mais tarde, a polícia mostrou-lhe uma lista do que havia sido retirado o corpo do filho.
"Duas costelas, dois calcanhares de aquiles, dois cotovelos, dois tímpanos, dois dentes e assim por diante. Eu não consegui ler até o fim, fiquei nauseada. Eu não conseguiria ler", disse ela. "Ouvi dizer que [os tecidos] foram enviados à Alemanha para serem usados em cirurgias plásticas e também para doação. Não tenho nada contra a doação, mas isso deve ser feito de acordo com a lei."
Kateryna Rahulina, cuja mãe, Olha Dynnyk, morreu em setembro de 2011 aos 52 anos, mostrou documentos do inquérito policial. Os documentos supostamente conteriam sua aprovação para retirar tecidos do corpo de sua mãe.
"Fiquei em choque", disse Rahulina. Ela diz nunca ter assinado os papéis, e era claro para ela que alguém havia forjado sua aprovação.
O departamento de perícia de Mykolaiv Oblast, onde os supostos incidentes aconteceram, era, até recentemente, um dos 20 bancos de tecidos ucranianos registrados pela FDA.
No site da FDA, o número de telefone de cada um dos bancos de tecidos é o mesmo.
É o número de telefone da Tutogen na Alemanha. 

(KATE WILLSON, VLAD LAVROV, MARTINA KELLER, THOMAS MAIER e GERARD RYLE). Colaboraram MAR CABRA, ALEXENIA DIMITROVA e NARI KIM

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos é uma rede independente global de jornalistas que colaboram em reportagens investigativas internacionais. Para ver vídeos, gráficos e mais reportagens desta série, visite http://www.icij.org/. Esta reportagem foi apurada em colaboração com a National Public Radio (EUA).

Franz says: o dinheiro realmente é capaz de levar o homem ao extremo do desrespeito e da ganância. Não é a primeira vez que leio algo similar e, infelizmente, não será a última. O tráfico de órgãos, pessoas e influência é lucrativo e conta com o apoio de muita gente importante. Enquanto não houver uma política de controle e combate a este tipo de máfia, muitos corpos serão processados e transformados em produtos cosméticos ou matéria-prima para faculdades e outros fins mais sombrios.
A humanidade revela-se cada vez mais mesquinha e dedicada ao dinheiro, pouco se importando com sentimentos ou respeito, inclusive aos mortos.

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