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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Novo poema: Pretenso Amor.


Por Franz Lima.


Distante é o tempo passado
Em que vivia contente,
Pois do amor estava alienado
E dele não era carente.

Nesta época de trilhas árduas,
Por mais que eu sofresse,
Comparado ao hoje, não seria nada
Sem o qual não sobrevivesse.

Amor doentio em hora tardia
Que absorve minha alma com sofreguidão.
Quão pretensioso eu seria
Em tentar dominar sua emoção?

Bela paixão que tanto ambiciono,
Por que tanto me desprezas?
Largastes minha vida ao abandono
E meu sentimento às trevas.

Sei que sou pretensioso ao dizer
Que melhor estou em teu convívio,
Mas é este mesmo amor que me faz morrer
Que me prova que sem você não vivo.

Dito isso, o que fazer agora,
Já que me legastes ao abandono?
Sinto a alma do corpo para fora
E o torpor do eterno sono.

Fim triste que se aproxima,
Resultado de uma paixão não correspondida
Morrer é a minha maior sina,
Pois perdi teu amor e, com ele, a vida.

Metal Hurlant Chronicles. A transposição da revista Heavy Metal para a TV.



Com base no universo fantástico, erótico e violento das revistas Heavy Metal (edição americana) e da Metal Hurlant (edição francesa, a original), esta série em 6 episódios faz uso do mesmo tipo de narrativa das revistas, principalmente por não interligar as histórias. Com produção do estúdio francês "France 4", a temporada conta com atores famosos como Michael Jai White (Spawn, Lutador de Rua, a série Mortal Kombat: legacy, Batman  - Cavaleiro das Trevas), Rutger Hauer (Blade Runner, Poseidon, Sin City) e Kelly Brook (Absolon, Ripper, Jogo pela sobrevivência). A temática oscila entre a violência e a ficção, com ambientações variadas (alguns cenários parecem com arenas romanas e outros possuem visual extremamente futurista).
A série foi produzida por Justine Veillot (WE PROD) em associação com Fabrice Giger e Pierre Spengler (Humanoids).
A segunda temporada também já foi finalizada e contará com 6 episódios. Caso alguém já tenha visto alguma temporada, peço que comente e dê sua opinião. 
Kelly Brook
Agora, assistam ao teaser do primeiro episódio onde o visual lembra muito filmes como Gladiador e a série Game of Thrones.Mas não se iludam, pois Metal Hurlant também aborda ficção científica, terror e um erotismo próximo ao que há nas revistas americana e francesa.



De quebra, um trailer dublado do piloto que gerou a série Mortal Kombat: Legacy. Assistam Mortal Kombat Rebirth.

http://veja.abril.com.br/blog/temporadas/tag/metal-hurlant-chronicles/

Frankenweenie - pôsteres do novo trabalho de Tim Burton


Texto: Franz Lima.

O remake do curta de Tim Burton já está muito próximo da estreia no Brasil. Os pôsteres estão na internet, mas é bom tê-los reunidos no seu blog de cinema, quadrinhos e literatura.
A sinopse de Frankenweenie relata a história de um garoto que perde seu cão de estimação. Motivado pela solidão e a saudade, o menino usa de uma tecnologia inspirada em Frankenstein para ressucitar seu animal. A partir daí, o caos se instaura aos poucos. Frankenweenie é um remake do filme homônimo do diretor Tim Burton, porém não usará personagens reais como a primeira produção, valendo, ao invés disso, de bonecos animados através da técnica de stop-motion.










quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Camisetas, moletons, canecas e buttons com temas nerds. Via Red Bug



Em mais um dia de peregrinação pela web, eis que me deparo com um site com moletons, camisetas, canecas e buttons com temática nerd. Mas isso não é tudo... os temas se mesclam com altas doses de bom humor e criatividade e com preços acessíveis. Agora, além da tradicional Nerd Store, vocês também podem contar com a loja virtual Red Bug. Confiram e façam suas compras.
Definição da loja, segundo seus próprios idealizadores: Redbug é uma grife de camisetas que tem como marca registrada estampas modernas e exclusivas, onde a ironia é um tempero indispensável. Outro destaque da marca são as malhas de alta qualidade e conforto garantido.
P.S.: eu não ganhei um único centavo para divulgar, antes que me chamem de mercenário rsrsrsrsrsrsrs. Mas pagando, eu divulgo...


















Pôster panorâmico com detalhes da trama de "The Hobbit". Incrível!


Essa(s) imagem(ns) vale(m) por mil palavras...

A foto panorâmica que está abaixo será vista em modo ampliado após clicarem sobre ela. As imagens (ou cenas mescladas) mostram grandes passagens da trama do filme e, para quem leu o livro, é possível ver a fidelidade com a trama. As expectativas são grandes, mas... I believe in Peter Jackson.

Clique para se emocionar
Detalhe do poster panorâmico acima


Primeiras imagens do box de Batman: The Dark Knight Trilogy.


Fonte: Collider
Texto: Franz Lima.

O sonho de consumo de qualquer fã da trilogia de Christopher Nolan sobre o Batman estará em breve disponível para compra: o box com 6 DVD ou 5 Blu-Ray dos filmes. A arte que vocês verão é a versão inglesa onde o box de DVD e Blu-Ray têm as mesmas informações e extras, além de contarem com um livro sobre a arte e o making of da trilogia. Pelas fotografias, também é possível perceber que a única diferença (excetuando-se a qualidade de imagem, melhor no Blu-Ray) está no número de discos a menos na versão Blu-Ray, talvez em função da quantidade bem menor de extras para o primeiro filme (Batman Begins). As caixas para as duas versões também apresentam diferenças na concepção e, na minha humilde opinião, o box do DVD está muito mais bonito que a versão BRDisc.
Pedidos para os produtores da versão nacional: usem a arte da versão inglesa do DVD para os dois boxes, por favor, e não deixem de incluir o livro com a arte dos filmes. O colecionador brasileiro agradece...

O box dos DVD:


O box dos Blu-Ray:



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Primeira imagem oficial de The Wolverine. Via Collider.


A primeira imagem de Hugh Jackman como o Wolverine não traz muitas surpresas. Longe do estilizado uniforme negro, Logan está no Japão onde (nas HQ) viveu um grande amor. Mas nem tudo é lindo e, invariavelmente, a tradição japonesa e a violência. Caso seja fiel às histórias em quadrinhos, talvez possamos ver Logan contra o clã de ninjas assassinos e, quem sabe, Lady Letal e seus asseclas cyborgs. Uma coisa, contudo, posso afirmar: essa produção promete ser infinitamente melhor que o fracasso Wolverine: origens.
O filme também terá no elenco os atores  Will Yun Lee, Hiroyuki Sanada, Hal Yamanouchi, Tao OkamotoRila Fukushima . Wolverine estréia em 26 de julho de 2013.

Fonte: Collider.

Esse vídeo é para os que pensam que a Chun Li é fictícia...



Uma lutadora de Taekwondo postou um vídeo no Youtube com sua performance. Ela salta, chuta (muito rápido) e tem um alongamento incrível. Uma versão ocidental da lutadora de Street Fighter, a Chun Li. Confiram a atuação de Chloe Bruce...




Scorpion
Chun Li


Vídeo com esculturas ultrarrealistas de Ron Mueck.


Este post é para complementar um que fiz há pouco tempo sobre o escritor Ron Mueck. Suas obras são tão realistas que, durante as filmagens, é impossível ter uma idéia da dimensão real de suas obras. Vejam o vídeo e acessem o post inicial e, assim, terão acesso a um universo inacreditável. 


Rafinha Bastos e a telefonia celular no Brasil.


Rafinha Bastos tem sido um cara polêmico no nosso país. Mas agora não é hora de polêmicas. Através deste vídeo, o humorista mostra um painel da realidade da telefonia celular no Brasil. Inteligência e bom humor para ilustrar uma realidade muito complicada. Enjoy!!!
Assinem o canal dele no Youtube: Rafinha Bastos.



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Resenha do filme "Biutiful". Por Isabela Niella.



Assisti ao filme “biutiful” indicado pelo meu caro colega Franz Lima e posso dizer que mexeu comigo por conta da tristeza e da miséria vivida por todos no filme.
Não é o tipo de filme que costumo assistir, uma vez que prefiro ver aqueles que me ajudem a relaxar e me desligar da rotina já tão cansativa, mas admito que é um filme muito bom. Tanto a excelente interpretação dos atores, quanto o cenário e principalmente o enredo não deixam dúvida da qualidade do trabalho. 

A história em si é baseada na vida de um homem que batalha para manter seus filhos, vivendo e sobrevivendo no submundo de Barcelona e lutando contra o câncer. Este homem, Uxbal, além de criar um casal de filhos sozinho por causa da bipolaridade da esposa, Marambra, tem o dom de entrar em contato com os mortos ainda presos aos seus corpos por restarem-lhes pendências a serem resolvidas.
Além das dificuldades financeiras e problemas de relacionamento vividos pelos personagens principais, o filme mostra a realidade nua e crua da vida dos imigrantes ilegais negros e coreanos na luta pela sobrevivência.
Esses é um daqueles filmes que nos fazem pensar até que ponto o ser humano pode descer e se transformar em um ser sub-humano. Vidas desregradas, abandonadas pela sorte e pelo amor próprio. Exploração e descaso por parte daqueles que detêm o poder local. 

É um filme que impressiona e deixa marcas em quem assiste, não somente por causa das vidas dos personagens e seus desfechos, mas também pela relação entre a vida e a morte. As cenas com os mortos ainda não desligados dos seus corpos são pesadas e tristes, chocam quem não está preparado.
Apesar de todo quadro desfavorável de miséria, ainda podemos vislumbrar o amor de um pai pelos filhos que, mesmo com as dificuldades e a doença, faz o seu melhor para tentar garantir proteção e talvez um futuro para eles. 


Resenha da Graphic Novel "Habibi" de Craig Thompson


Por Franz Lima
Eu sempre desconfio das palavras elogiosas das contra-capas ou abas internas dos livros. O mesmo princípio eu aplico aos pôsteres de filmes e às capas de Histórias em Quadrinhos.
Mas há ocasiões em que o instinto clama e não nego tal chamado. Uma dessas ocasiões ocorreu recentemente comigo ao entrar em uma livraria e me deparara com a obra "Habibi", de Craig Thompson. Eu folheei rapidamente suas páginas e comprei sem maiores referências. Cometi o que alguns chamam de "tiro no escuro", o que implica em afirmar que uma atitude foi tomada sem conhecimento da causa. Ok, eu atirei no escuro, mas acertei o alvo entre os olhos.
A ilustração imita o formato das letras
Habibi é a mais recente obra do autor de Retalhos. Contudo, ser um novo trabalho de um autor premiado, volto a reforçar, pouco quer dizer, pois uma obra-prima não é garantia de outra na sequência, principalmente com as pressões do mercado editorial para a entrega rápida de novos trabalhos após um sucesso de vendas.
O apuro na arte da Graphic Novel

Esta Graphic Novel, entretanto, foge à regra. Primeiro, o tempo para produção e disponibilização do mercado foi muito grande. Passaram-se  longos 8 anos até a finalização e disponibilização da obra no mercado. Crai produziu o que pode ser considerada sua obra máxima em uma reação ao processo de rejeição (fobia) aos islâmicos. Por ser uma cultura pouco conhecida e em constante processo de degradação por parte das mídias ocidentais, Craig Thompson optou por criar um verdadeiro conto de fadas sobre a cultura e o comportamento das pessoas em um país tipicamente islâmico. Mas não se deixem enganar: Habibi é um conto de fadas como os antigos foram. Há força, impacto e verdade nos desenhos e palavras da Graphic Novel. Tudo cativa e impressiona... desde os desenhos estilizados (bem similares aos dos livros árabes antigos, plenos de formas geométricas belíssimas) até o uso da caligrafia.

A história se passa nas proximidades da cidade de Vanatólia (creio que seja uma alusão a Anatólia, no oeste da Ásia - Turquia) e mostra a relação de duas crianças que desde muito cedo são obrigadas a viver uma dura realidade. De um lado, uma menina que é vendida por causa da fome e desemprego que assolam sua família. Do outro lado, um menininho que é feito escravo junto com sua mãe. Com o tempo, os dois são unidos pelo destino e por muitas situações tristes e dolorosas. Juntos, eles passam a viver do amor de um pelo outro, mas um amor puro, capaz de superar as sequelas que só a vida e suas surpresas podem trazer. 

São 672 páginas de arte em estado puro. Ilustrações belas, detalhadas e, ao mesmo tempo, simples na mensagem que passam. Não há excessos, apesar do refinamento da produção. O que vemos desde a primeira página é um fenômeno. A combinação de roteiro, letras, desenhos e, principalmente, um recado para um mundo cada vez mais crítico quanto aos islâmicos torna "Habibi" uma pérola de valor inestimável. 
Craig Thompson precisou de uma grande lacuna para transformar idéias em arte, porém é fácil afirmar que cada segundo de espera valeu a pena. 
Lendo "Habibi", tenho plena certeza que as ideias sobre os muçulmanos irão mudar muito. Sim, eles tem muitas e gritantes diferenças de comportamento e religiosidade em relação aos ocidentais. Também tem um trato diferente com as mulheres e, muitas vezes, podem ser vistos por nós como radicais. Todavia, uma coisa teremos certeza: são pessoas como nós, diferenciadas por uma religião, que sofrem com a fome, as intempéries, a pobreza e a desigualdade social. Não há muitas diferenças básicas quando comparamos as duas realidades das vidas dos orientais e ocidentais.  Compreendê-los é muito melhor que odiá-los, valendo-se de estereótipos que não são a expressão da verdade, mas a personificação de um rancor e um ódio que não precisam ser propagados.

Thompson mesclou passagens do Corão com o livro das Mil e Uma Noites, além de acrescentar a essa fórmula um pouco da realidade de muitos países muçulmanos. A intenção da obra não é estimular uma admiração inquestionável pelo povo islâmico. A intenção da obra é estimular nossa vontade em conhecer um pouco mais da história de um povo guerreiro, trabalhador e unido. Muito dessa admiração nós passamos a ter quando conhecemos melhor a dupla protagonista da obra: Cam e Dodola. 
Com um conteúdo político e emocional muito grande, "Habibi" é certamente a melhor surpresa de 2012, uma verdadeira benção para um povo que é perseguido e desprezado por uma grande parte da população ocidental, principalmente após os mais recentes ataques terroristas.
Lendo "Habibi", aprendi que é possível nutrir esperança em um futuro, qualquer que seja sua nacionalidade, fé ou cor da pele. Craig provou o quanto é difícil produzir uma arte tão complexa, porém é inegável que o resultado superou todas as expectativas. Cam e Dodola irão flutuar em minha mente e alma como exemplos de superação, fé e amor. Eles são carismáticos, erram e buscam por esperança, assim como nós o fazemos. Eles são assustadoramente reais, assim como todas as barreiras e sofrimentos que os atingem até o fim da obra.

Leia e saiba que as barreiras usadas para transformar pessoas em monstros podem ser diminuídas. Não importa qual seja a cor da pele, o credo ou o sexo. O que basta é termos união e amor pelo próximo, pois por trás de cada ser humano há uma história... nem sempre tão bonita, mas sempre real. Craig contou não só as histórias de um menino que vira homem e de uma menina que se torna mulher e guerreira, ele comprovou que a união e a dedicação a quem amamos pode mudar o mundo.
Um detalhe muito importante e que mostra o zelo do autor está nas ilustrações do profeta Maomé sem o detalhamento da face, tal como preconiza a religião islâmica. Perfeito.
Ah! Lembram-se que no início eu disse não valorizar as notas e elogios que constam no livro? Bem, esse merece ter sua apresentação lançada aqui:

“Destinado a se tornar um clássico instantâneo.” - The Independent

“Cortante.
Habibi é um enorme feito de pesquisa, cuidado e tinta preta, e um lembrete de que todos os ‘povos do livro’, apesar das diferenças, dividem um mosaico de histórias.” - Zadie Smith, Harper’s Magazine

“Thompson é o Charles Dickens do quadrinho.
Habibi é uma obra-prima única.” - Elle

“Uma história maravilhosa e cativante, mas também indescritível neste curto espaço, pois dentro dela há ainda milhares de outras histórias. É como uma caixa de joias à qual você retornará de novo e de novo.” -
The Guardian


Habibi - por Craig Thompson
Páginas 672
Acabamento: Brochura
Tradução: Érico Assis
ISBN - 9788535921311
Selo: Quadrinhos na Cia.
Valor: R$ 45,00 na Livraria da Travessa
Leia um trecho em pdf

Abaixo, como complemento, uma entrevista cedida pelo desenhista ao jornal Folha de São Paulo.  
Thompson trabalhando


Você lançou Retalhos em 2003 e, um ano depois, Carnet de Voyage (inédito no Brasil). Só voltou a publicar algo novo agora, em 2011, com Habibi. Sete anos é um longo período...Pode apostar. Comecei a escrever Habibi no início de 2004, após retornar de uma turnê de lançamento de seis meses de Retalhos - que incluiu a produção de Carnet de Voyage. No verão de 2005 já tinha uma primeira versão, mas o final não funcionava. Entre o outono de 2005 e 2006 revisei o rascunho e redesenhei centenas de páginas. Já estava desesperado, sempre chegando a becos sem saída. Em outubro de 2006, resolvi começar a desenhar as páginas finais na esperança de que o livro se revelasse enquanto produzia. Em julho de 2009 ainda não sabia como encerrar. Durante cinco meses me concentrei exclusivamente nos últimos capítulos. Ilustrei as últimas três páginas em agosto de 2010. O ano anterior ao lançamento foi todo por conta de edição, e promoção.
Ao longo desses sete anos, durante a produção de Habibi, você trabalhou a partir de alguma rotina?Gastei dois anos somente escrevendo o livro. Escrevo texto e imagens juntos. Tendo a me deixar levar fazendo os rascunhos com muitos detalhes - em parte por trabalhar já com a composição das cenas no rascunho, mas principalmente por depender de amigos que leem os rascunhos e contribuem no processo editorial.
Entre a sua primeira graphic novel, Good-Bye Chunky Rice, e Retalhos houve quatro anos de intervalo. Esse intervalo tão grande influencia no resultado final de suas obras?Quatro anos é um bom intervalo quando levo em conta que não fui pago para fazer esses projetos. Enquanto produzia Chunky Rice, era designer gráfico em tempo integral e, na época da Retalhos, eu ganhava a vida como ilustrador. Fazer quadrinhos nessa época era um hobby. Com Habibi eu finalmente tive o privilégio de ganhar dinheiro com quadrinhos e, mesmo assim, ainda levou mais tempo de produção do que os trabalhos anteriores! O trabalho final tira benefício desse tempo investido.
Como consta em Retalhos, você cresceu em um ambiente cristão. Como foi escrever sobre o mundo islâmico em Habibi tendo a formação cristã conservadora que teve?Esse foi o elemento que tornou mais acessível a escrita sobre o Islã. Interagindo com amigos muçulmanos, vi que a vida deles não era tão diferente do ambiente em que cresci. São os mesmos estilos de vida, as mesmas morais e, principalmente, as mesmas histórias como fundamentos de ambas as crenças. Foi o meu ponto de acesso. O Alcorão contém algumas das mesmas histórias da Bíblia, mas de forma menos linear e mais poética.
Desde 2001, com os atentados do 11 de Setembro, é muito fácil cair em clichês e estereótipos relacionados ao islamismo. Quais cuidados você tomou para que isso não acontecesse?De certa forma, o livro é uma reação à "islamofobia". Confiei em um grupo de amigos muçulmanos como consultor. Confiava nos instintos deles em relação a cenas e assuntos aparentemente delicados. Nunca houve desejo de evitar situações mais complicadas, como pode acontecer com autores preocupados além da conta com uma abordagem politicamente correta.
Você publicou três trabalhos pela Top Shelf e lançou Habibi pela Pantheon Books. Como foi essa transição?Não vivia de quadrinhos até Habibi, até mudar para uma grande editora de livros. A Pantheon investe em ampla distribuição e promoção para que o livro alcance público além da ilhada comunidade de quadrinhos. Sempre senti que os quadrinhos têm potencial para alcançar uma audiência muito mais ampla da que existe.
Qual análise você faz desse investimento de editoras tradicionais no mercado de quadrinhos?É provavelmente uma moda passageira. O meio editorial está sob tanta pressão que os editores estão apostando em qualquer artifício que atraia novos leitores. Talvez as graphic novels possam durar por mais tempo como suporte para impressão do que a prosa. A prosa impõe um distanciamento técnico do leitor: é facilmente adaptável para um e-reader. Já as graphic novels contêm o traço do autor - os textos e desenhos são feitos à mão, criando uma certa intimidade com o leitor.
Você fez o prefácio de Daytripper, dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. O que acha do trabalho de ambos? Conhece algum outro artista vindo do Brasil além dos gêmeos?Amo o trabalho do Moon e do Bá. Eles fazem livros sensíveis, sexy e com muita humanidade. Elementos que quadrinhos precisam desesperadamente. Um cartunista brasileiro que procuro estar de olho é o Rafael Grampá. Há muitos fãs secos por mais trabalhos dele nos Estados Unidos.
Você alcançou sucesso de público e crítica tanto no mercado europeu como no norte-americano, ambientes com percepções diferentes sobre quadrinhos. A que atribui esse sucesso?O meu trabalho é influenciado por europeus - especialmente pelos autores franceses publicados pela editora L’Association nos anos 1990. Acho o sucesso de Retalhos uma anomalia. Produzi como uma reação ao quadrinho típico norte-americano. É uma história em quadrinho gigante em que, basicamente, nada acontece. Foi na hora certa. Na época, crescia o gosto pelas coletâneas em detrimento de publicações homeopáticas de poucas páginas.
No seu blog você deixa no ar a possibilidade da sua próxima obra ser um livro infantil, de ensaios ou um trabalho erótico. Já sabe qual será o escolhido?Estou trabalhando nos três ao mesmo tempo. Há uma flexibilidade para pular entre os livros e evitar bloqueios criativos. Mas é possível que acabe o livro infantil primeiro.
O período de produção desses próximos trabalhos também vai levar quase uma década?O livro de ensaios e o infantil devem ter 200 páginas cada um. O livro erótico deve ser menor, com 48. Pretendo terminar os três em quatro ou cinco anos. Vamos ver.

O Autor: Nascido em 1975, Thompson foi criado no Wisconsin, EUA. Em 2004 venceu os principais prêmios da indústria de quadrinhos norte-americana por Retalhos. Mantem fãs e leitores em dia com seu trabalho no blog www.blog.dootdootgarden.com

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