{lang: 'en-US'}

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lista com as séries mais pirateadas de 2012. Via Torrentfreak



Quer gostem ou não, enquanto não houver uma adequação de preços e um acesso melhor às séries, muitos irão baixar o conteúdo para assistir. É bom frisar que a maioria não faz o download para venda, mas para uso próprio.

As 10 mais pirateadas, segundo o Torrentfreak:
  1. Game of Thrones
  2. Dexter
  3. The Big Bang Theory
  4. How I Met Your Mother
  5. Breaking Bad
  6. The Walking Dead
  7. Homeland
  8. House
  9. Fringe Revolution
  10. Revolution

Game of Thrones: o mais pirateado de 2012.


Fonte: BBC

A série Game of Thrones foi a atração de TV mais pirateada pela internet neste ano (2012), segundo o relatório anual publicado pelo site Torrentfreak.
De acordo com o site, foram feitos 4.280.000 downloads ilegais de um episódio da série, o que representa mais do que a audiência média da série nos Estados Unidos.
O Torrentfreak afirmou que houve um ''pequeno aumento'' no download ilegal pela internet.
O aumento se deu mesmo após uma ampliação nos esforços para bloquear sites que fornecem acesso a conteúdos que infringem direitos autorais.
Investigações realizadas por autoridades dos Estados Unidos, México e Ucrânia levaram ao fechamento de dois dos mais populares sites de compartilhamento ilegal de arquivos em todo o mundo, o Megaupload e o Demonoid.
Game of Thrones é uma adaptação da série de livros fantásticos A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin. O seriado, farto em intriga política, violência e sexo, narra as aventuras fantásticas vividas nos sete reinos imaginários de Westeros, onde verões e invernos duram décadas inteiras

Restrições

O elevado número de download ilegais da série pode estar ligado ao fato de que a HBO, a emissora de TV paga que produz a série, não permite que serviços de streaming americanos, como Netflix, Hulu, Amazon Prime e outros, tenham acesso aos seus programas.
Para ter acesso à programação da HBO, é preciso acessar o serviço de streaming da emissora, o HBO Go Online, que só está disponível para seus assinantes.
Segundo o Torrentfreak, além dos Estados Unidos, a Austrália é um dos países que mais responde pelo download ilegal de episódios de Game of Thrones. Isso estaria ligado ao fato de que os capítulos da série são exibidos na Austrália uma semana depois da exibição original nos Estados Unidos.
Na opinião do editor do Torrentfreak, Ernesto Van Der Sar, o pirateamento de programas de TV poderia ser reduzido se os produtores de algumas das atrações televisivas mais pirateadas tornassem o conteúdo de suas acessível a um número maior de pessoas.
''Nem todas as pessoas que pirateiam o fazem porque é de graça, a disponibilidade também é um grande fator. A maior parte dos títulos que integram a lista de 10 séries mais pirateadas estão protegidos por paywalls e não são amplamente distribuídos. Se as companhias de TV as oferecessem a uma audiência maior, a pirataria seria menor do que é atualmente'', afirma Van Der Sar.
''Mas não tenho certeza de que do ponto de vista dos lucros essa seria a melhor decisão, já que eles se valem dessas assinaturas caras e ainda conseguem vender muitas delas. Se eles fossem permitir que as pessoas baixassem episódios avulsos do Netflix, por exemplo, eles provavelmente não fariam tanto dinheiro'', acrescenta o editor do Torrentfreak.

Medidas antipirataria

Diversos países estão tomando ações para coibir a pirataria. Os Estados Unidos e a Rússia - um dos países onde mais ocorrem downloads ilegais - assinaram um tratado conjunto se comprometendo a apreender e destruir equipamentos usados para piratear arquivos, a atuar juntos na criação de leis de combate aos downloads ilegais.
Entre as possíveis medidas estaria uma lei a ser implementada na Rússia que faria de servidores de internet possam ser punidos por dispor de conteúdo pirata em suas redes.
Os grandes servidores de internet americanos intruduzirão a partir do ano que vem um plano mediante o qual suspeitos de pirataria receberiam uma série de cartas de advertência e, se não cumprirem as determinações estariam sujeitos a punições como a redução da largura da banda e outras.
A Grã-Bretannha também pretende adotar medidas similiares a partir de 2013.

Franz says: não há mercado que possa competir com impostos abusivos, atraso de lançamento e preços altos. Os fãs preferem suas séries originais e, quase sempre, se sacrificam para tê-las assim. Porém é indiscutível que a faixa de preços de uma série em Blu-ray está altíssima. Que esta notícia sirva de alerta para os empresários que desejam enriquecimento às custas do entretenimento da população. Até quando vão nos explorar?




A legalidade que mata... fumo e bebidas.



Por: Franz Lima
Cheguei a um ponto da vida onde não dá mais para ser democrático ou tolerante, principalmente diante das calamidades provocadas pela imprudência, desrespeito e irresponsabilidade das pessoas. Honestamente, não há como sentir pena de um cidadão honesto e trabalhador que, motivado pelo álcool, mata. Por melhor que o indivíduo seja, sua irresponsabilidade gerou a perda de uma vida e isso não pode passar em branco. Quem perde um parente ou amigo sabe a dor provocada. Não há retorno para a morte, mas a justiça para quem foi o agente causador de tal fato já é um peso a menos nos ombros dos entes queridos. 
Nem todos presos pelo álcool são alcoólatras.
A Lei Seca é uma ótima ideia e tem gerado bons resultados. Entretanto, na minha opinião, isso não basta. Multas e prisão não são suficientes para amenizar as dores que a covardia de um bêbado ao volante pode causar. Sou categórico ao afirmar que apenas a TOTAL proibição de bebidas alcóolicas pode reduzir drasticamente as estatísticas tristes que temos diariamente. Rigor extremo para um problema extremo. Fim das drogas legalizadas é o minimo que os políticos preocupados com seu recesso, férias e aumentos poderiam lutar para que a sociedade melhore. 
Agora, antes que alguém diga "e meus direitos, onde ficam?", vou relembrar que o direito de um cidadão termina onde começa o de outro. Ponto. Que direito você quer? O de ingerir bebidas e perder o controle de suas ações? O direito a pegar um carro e sair sem qualquer controle? O direito de beber até não ter ciência do certo e errado e, por tal motivo, espancar alguém mais fraco? Sim, essas são as situações mais comuns em famílias onde há alcoólatras: violência familiar, abuso, doenças provacadas pelo consumo do álcool, descontrole, brigas e muito mais. Não há o tal do "bebo socialmente". Quem não bebe socialmente está isolado em um deserto, na floresta ou outro lugar ermo. Todos bebem socialmente e todos pagam por isso. 
Estou sendo exagerado?
Admiro o trabalho dos Alcoólicos Anônimos, porém ainda penso em uma sociedade onde não haverá necessidade de tal grupo. Utopia? Talvez... o que não implica em dizer que tal sonho seja menos importante.
Somem os estragos gerais (tratamento, hospitalização, transporte, acidentes, mortes, psicólogos, propagandas...) e verão o tamanho da despesa geral provocada pelo uso de bebidas alcóolicas. 
Opa! Alguém aí falou que esse mercado gera emprego? Sim, sem dúvida. Também gera muitos empregos o mercado das funerárias, floriculturas, bombeiros, polícia e tudo o mais relacionado ao problema e, tenho certeza que todos os profissionais citados iriam ficar satisfeitos com um corpo a menos, uma morte a menos nos gráficos. Ou estou errado?
Chega de campanhas milionárias com mensagens leves. Precisamos de atitude, força e determinação para extirpar esse mal. E não me venha dizer que na Holanda e em outros países as coisas fluem diferente, mesmo com total liberdade para usar bebidas e drogas. Lá também morrem pessoas por conta disso e, honestamente, é preciso tomar conta primeiro do seu próprio terreno para - somente - depois cuidar do terreno vizinho. São realidades diferentes. Aliás, quantos holandeses você conhece?
O mesmo que eu disse se aplica também aos cigarros. Outra droga "legal" que mata a longo prazo. Pessoas tem suas expectativas de vida reduzidas, gastam o que não tem e ainda diminuem a qualidade de vida para sustentar um vício. Cigarro e bebida matam, cada um com seu método, mas com eficiência comprovada. 
Então, após tanto falar, ficaremos rindo quando um amigo ficar bêbado ou fumar um Gudang? Qual a graça em ver uma pessoa morrendo lentamente? O que há de hilário em saber que alguém irá matar por ter bebido? Por que é engraçado dizer que vai 'fumar um cigarrinho' ou 'pegar uma bebidinha'? Usar as palavras no diminutivo irá minimizar as desgraças provocadas pelo vício?
Não há legislação do mundo que me convença que o direito ao uso de tais drogas é lícito, principalmente quando ele tira alimento de mesas, diminui a qualidade de vida, estraçalha famílias, mata pessoas e, em contrapartida, enriquece empresários despreocupados com todas essas desgraças.
A democracia pode ser contrária ao que digo, isso é fato. Contudo, a preservação da vida é favorável às minhas palavras. 

Concorde ou não, peço que deixe seu comentário sobre esse artigo.  Sua opinião é muito importante.

O vídeo abaixo é uma campanha antitabagista  inglesa. Ela procura chocar, mas imagens e sons são esquecidos. É preciso extirpar esse 'câncer' do nosso convívio.


Escultores chineses enfrentam frio extremo para criar escultura de gelo. Via BBC.


A arte tem seu preço, principalmente para esses escultores do gelo. Nós, simples espectadores, não temos a exata noção do sofrimento que é produzir algo desse gênero e grandiosidade, mas a oportunidade de entender um pouco melhor esse processo está no vídeo desse post, produzido pela BBC Brasil. Ao contemplar todas as adversidades em algo que quase sempre achamos banal, temos a clara oportunidade para valorizar e admirar mais o esforço não só por trás dessa obra como também de outras, seja na areia, tela ou no computador. Arte é a expressão máxima da inteligência e sensibilidade humanas. Admirar a arte com sinceridade é, acima de tudo, provar que também estamos equiparados aos que a criaram, pois nos aproximamos dos idealizadores ao buscar uma maior compreensão daquilo que produziram.
Franz Lima.



Obs.: A utilização de vídeos da rede BBC é permitida, desde que aceitos os termos e condições para tal.

sábado, 29 de dezembro de 2012

O que aconteceu com essa banda? Cadê o System of a Down?


Alguns anos atrás eu assisti a um clip que me surpreendeu não só pelo som (pesado e com conteúdo) como também com a performance e o visual dos integrantes - Chop Suey!. Na época, recordo bem, um amigo profetizou: "essa galera vai fazer sucesso". Profecias à parte, o System of a Down foi uma das melhores bandas que esteve no circuito musical dos últimos anos, inclusive vendendo muitos CD e DVD, algo em desuso atualmente. 
Hoje, vasculhando meus arquivos digitais, me deparei com alguns de seus clips e recordei o quanto eles são ótimos. Mas, afinal, o que ocorreu com o grupo?
Em resposta aos fãs, eis o que está acontecendo com a banda atualmente:
O System continua ativo, fazendo shows e mantendo contato com os fãs. Seu último álbum realmente foi o Hypnotize e não há novidades sobre outro trabalho em pauta. 

A discografia oficial da banda é:
1) System of a Down
2) Toxicity
3) Steal This Album!
4) Mesmerize
5) Hypnotize.

Os integrantes são:

Serj Tankian
Daron Malakian
Shavo Odadjian
John Dolmayan


Site oficial: S.O.A.D.



Serj tem trabalhos solo e sua última empreitada é cantar ao lado da Orquestra Sinfônica "Das Karussell Orchestra" e o vídeo sobre essa ótima notícia (com previsão de lançamento do CD para junho de 2013) está abaixo:




Aguardaremos novos álbuns e novos clips, pois o SOAD tem qualidade e não pode ter sua música encerrada tão preconcemente. A boa notícia é que os projetos individuais permanecem ativos. Curtam, agora, Question - um dos melhores clips do System.




Resenha da maxissérie "A Era do Apocalipse".


Por: Filipe Gomes Sena



            Os anos 90 não são famosos por ser uma época muito boa para os quadrinhos de forma geral. Muitos dizem, inclusive, que os mesmos devem ser esquecidos.
            Nos anos 90 eu não passava de uma criança. E eu gostava muito de gastar meu tempo folheando as HQs de um tio meu. Mesmo com pouca idade eu sabia que na Marvel os anos 90 tiveram um grande nome: X-Men. É inegável que nessa época os alunos de Xavier tiveram mais destaque que a grande maioria dos outros personagens da Casa das Ideias. Leitores mais recentes da Marvel podem achar o que eu estou dizendo uma coisa meio estranha, mas é fácil lembrar que os mutantes foram estrelas do filme que iniciou a onda de filmes de super-herois justamente devido a sua popularidade. Talvez o único que pode ter rivalizado com a popularidade dos X-Men nessa época tenha sido o Homem-Aranha.
            Os anos 90 foram a era dos X-Men, mas quando essa época é lembrada, surge na memória dos leitores de quadrinhos daquele tempo uma única era: A Era do Apocalipse.


            Quando eu soube que as historias d’A Era do Apocalipse seriam republicadas eu fui imediatamente inundado pela nostalgia. Apesar de ser bem novo na época, eu ainda conseguia lembrar do visual da maioria dos personagens, mesmo não lembrando absolutamente nada da história. Quando comecei a ler o primeiro volume sofri o choque que qualquer leitor de quadrinhos formado nos anos 2000 deve ter sofrido: A Era do Apocalipse é o resumo de como os quadrinhos eram feitos quase 20 anos atrás. Mas antes que você se revolte e pare de ler essa postagem deixe que eu me explique.
            Em A Era do Apocalipse o primeiro “problema”, com aspas bem grandes, é a arte. Caso você esteja acostumado com a arte das revistas de hoje é possível que ache estranho o traço e as cores da maioria das histórias, não só isso, o próprio design dos personagens pode causar estranheza, principalmente em personagens como Colossus e Dentes de Sabre, que tem o físico mais avantajado e os músculos muito exagerados, coisa que não acontece hoje. O mesmo vale para os uniformes, muito coloridos e de gosto relativamente duvidoso, e eu nem vou citar o estilo do cabelo dos personagens.
            O texto pode ser considerado outro “problema”. Excesso de descrições e explicações pra cada detalhe das ações de alguns personagens tornam algumas passagens um pouco enfadonhas. Os diálogos entre os personagens às vezes não são muito dinâmicos e a quantidade imensa de balões chega a desestimular a leitura em alguns momentos, principalmente por se tratar de volumes relativamente grandes. Inclusive não recomendo ler nenhum dos números em uma tacada só.
            Mas o mérito da historia está principalmente na caracterização dos personagens. A que talvez mais chame atenção é a do Magneto desse universo. Com a morte do Prof. Xavier ele funda os X-Men e toma pra si o ideal de convivência pacifica entre os humanos e os mutantes. Mas isso acaba mudando um pouco quando Apocalipse entra na jogada, dominando toda a América do Norte e iniciando o extermínio de todos os humanos. Os X-Men acabam se tornando uma das únicas esperanças de por fim à Era do Apocalipse. De maneira geral os personagens são mais duros e violentos do que suas versões originais. Falando nisso, vale a pena lembrar que a brutalidade, às vezes bastante exagerada, é algo constante em toda a história. Mesmo em passagens que os atos violentos não são mostrados, ainda são claramente sugeridos. Principalmente quando são descritas as formas que os servos de Apocalipse exterminam, escravizam e utilizam as vidas humanas para os mais diversos fins. Fora os diversos massacres citados ao longo da história, massacres esses que vitimaram as famílias e amigos de alguns dos personagens da história, responsáveis por alguns traumas e motivando alguns deles a por um fim no reinado de Apocalipse.
            A história completa d’A Era do Apocalipse se desenvolve ao longo de 11 arcos principais, que juntamente com algumas historias extras foram organizados e lançados em 6 volumes, num total de mais de 1400 páginas. O que ficou na minha cabeça quando eu li tudo foi a dificuldade que um leitor comum deve ter tido na época que essas historias foram lançadas. Acompanhar tantos arcos ao longo de vários meses não deve ter sido uma tarefa fácil*. 

            Em resumo a história mostra como os X-Men tentam destruir o reinado de Apocalipse, o ar de guerra muda depois que eles descobrem que algum problema no passado causou uma anomalia temporal e que se a linha temporal for reparada será o fim da Era do Apocalipse. Nesse ponto os X-Men se dividem e correm contra o tempo pra conseguir todos os elementos necessários para a reconstrução da linha temporal, e a partir daí o enredo realmente fica legal. Dentre os vários arcos que compõem essa saga gigante eu destaco o arco dos X-Men que são diretamente liderados por Vampira (Astonishing X-Men), o arco focado em Noturno e sua busca pela mutante Sina (X-Calibre), as historias cósmicas de Gambit e os X-Eternos em busca do cristal de M'Kraan (Gambit and the X-Ternals), o arco focado em Ciclope e na elite mutante a serviço de Apocalipse (X-Factor), o arco com a nova geração dos X-Men, os alunos de Colossus e Lince Negra (Generation Next) e o final da história (X-Men: Omega).
            Se você leu a publicação original de A Era do Apocalipse, se você perdeu alguma parte da historia ou simplesmente quer ler uma saga gigante sem precisar quebrar a cabeça pra saber qual história vem antes do que, essa é uma boa oportunidade. Mas fica o alerta para aqueles que não liam quadrinhos nesse tempo, ou quadrinhos desse tempo: a história nem tanto, mas a forma como ela é contada é muito datada. Por fim só resta dizer que esta é uma saga que merece lugar no acervo de qualquer um que é admirador antigo dos alunos de Xavier.

* Em resposta a esse questionamento do Filipe, eu respondo por ter sido um desses leitores: sim, acompanhar qualquer maxissérie da época era algo torturante e financeiramente quase impossível. Eu perdi algumas edições e só as recuperei muito tempo depois. Além disso, a opção da editora em publicar a série em diversas revistas de títulos diferentes é cansativa e desrespeitosa com o público. Mas como o próprio Filipe citou, até nos EUA a saga foi publicada em diversos títulos...
Franz


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Superman - Man of Steel. Trailer #2 Legendado. [HD] (1080p)


Um trailer onde o lado humano do Superman é exposto de forma dramática. Tal qual em Batman - The Dark Knight Trilogy, a atmosfera é densa, a trilha sonora impactante e triste, além de trechos que apontam algumas das intempéries que aguardam o Homem de Aço, inclusive alguém com poderes tão grandes quanto os dele. Em minha opinião, esse filme promete surpreender positivamente fãs e até os que não conhecem a história por trás do herói. 
Creio que chegou a hora de esquecermos os dois últimos filmes sobre o Superman... 

Ao clicar para assistir, não se esqueça de habilitar a legenda na parte inferior. 


Biblioteca Nacional lança editais para autores e criadores negros


Fonte: FBN.

Franz says: Essa é uma notícia interessante, mas ao mesmo tempo decepcionante. Explico: desde quando alguém compra ou publica um livro em função da cor do escritor? Ser negro, branco, vermelho ou azul não são quesitos para a escolha de uma obra literária. O escritor pode ser dourado, mas se não tiver talento, certamente ficará em um canto obscuro do esquecimento ou do descaso. Arte, talento, não tem coloração. Eu vejo nessa notícia apenas uma coisa: manobra política para agradar um segmento da sociedade. Nada mais. 
 
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MInC) lança nesta terça-feira, dia 20/11, três editais voltados para criadores e escritores negros. Os editais fazem parte do projeto do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) de valorização e fomento de produtores, criadores e escritores negros. Os lançamento dos editais faz parte da celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. 

Os objetivos dos editais são formar novos escritores, elevar o número de pesquisadores negros e de publicações de autores negros e incentivar pontos de leitura de cultura negra em todo o país de forma a se estabelecer novo paradigma em todas as linguagens apoiadas pelo MinC, com a participação efetiva da população negra brasileira.

O primeiro edital tem como objetivo a seleção de 01 projeto que implante 27 pontos de leitura e desenvolva atividades de mediação de leitura, criação literária, publicação, seleção de acervo e pesquisa que tratem de ações voltadas para a preservação da Cultura Negra e ações afirmativas de combate ao racismo no país.

O segundo edital selecionará até 23 projetos para concessão de bolsas, propostos por pesquisadores e pesquisadoras negras, visando incentivar a produção de trabalhos originais, em território brasileiro, em qualquer uma das áreas e subáreas do conhecimento definidas pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). 

O terceiro edital visa a formação de parcerias para o desenvolvimento de projetos editoriais sob a forma de coedição, a fim de produzir publicações de autores brasileiros negros, na forma de livros, em meio impresso e/ou digital, com o propósito de divulgar, valorizar, apoiar e ampliar a cultura brasileira dos afrodescendentes.

A cerimônia de lançamento dos editais contará com a presença da Ministra da Cultura, Marta Suplicy, do presidente da FBN, Galeno Amorim, do diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, do presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira, e do presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Antonio Grassi. O evento será no Museu Afro Brasil, no Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 11h. 

Veja aqui o Edital de Pontos de Leitura

Veja aqui o Edital de Apoio a Pesquisadores Negros

Veja aqui o Edital de Apoio à Coedição de Livros de Autores Negros


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Alguém já leu esse best-seller sobre economia?


A lei me permite permanecer em silêncio...Mas quem disse que eu quero ficar quieto?


Uma coisa todos vão concordar: a fotomontagem está inacreditável.

Vídeo: Pitty - Se você pensa. O clássico em nova interpretação.




Uma regravação que trouxe um clássico para as novas gerações. Boa pedida, Pitty.



Titãs em homenagem à cidade de São Paulo.


Fonte: Segs
 
Lugar Nenhum será o hit da banda paulistana no Réveillon da Paulista
 
A banda Titãs é um dos principais destaques do Réveillon da Paulista que  completa sua 16ª edição em 2012. Para comemorar e exaltar o amor que todos (nascidos aqui ou não) tem pela cidade que reúne pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo, o tema da festa será “Eu Amo São Paulo”. Celebrando esse amor em canções, todos os artistas que se apresentarão na noite de Réveillon cantarão uma canção em homenagem a cidade. O Titãs escolheu seu clássico “Lugar Nenhum” para enfatizar esse amor pela cidade que é qualquer lugar e lugar nenhum, como explica Sergio Brito em sua declaração de amor pela cidade. "Eu amo São Paulo porque é qualquer lugar e lugar nenhum". A letra quebra as barreiras patrióticas e remete a essa sensação única de viver em São Paulo que outros artistas como Caetano Veloso (Sampa) e Paulo Vanzoline (Ronda) também conhecem bem. Não precisa ser nascido em São Paulo para se sentir paulistano.
 
Os outros integrantes da banda também ressaltaram essa mistura que faz São Paulo ser o que é. Tony Bellotto declarou: "Eu amo SP porque é a cidade de todo mundo". Já Branco Mello falou sobre o acolhimento que só existe aqui. "São Paulo é de todos nós. São Paulo é tudo e aqui cabe o mundo inteiro".  Paulo Miklos fecha as declarações afirmando seu patriotismo pela cidade em que nasceu. “Meu amor por São Paulo é incondicional porque é a minha cidade natal".
 
Figurando entre umas das melhores bandas de rock nacional, o Titãs completou 30 anos em 2012 e traz para o palco do Réveillon na Paulista grandes sucessos, mas avisa aos fãs que o show não será o Cabeça Dinossauro, que fez parte da última turnê. A banda é a ultima atração a se apresentar já no começo da madrugada de 2013. A festa, que ainda terá a presença de Tiê, Daniela Mercury, Fernando e Sorocaba e Blitz será encerrada pelos Djs Mau Mau e Zé Pedro, que pretendem transformar a Paulista na maior balada do mundo.
 
LETRA DE "LUGAR NENHUM":

Não sou brasileiro,
Não sou estrangeiro,
Não sou brasileiro,
Não sou estrangeiro.
Não sou de nenhum lugar,
Sou de lugar nenhum.
Não sou de São Paulo, não sou japonês.
Não sou carioca, não sou português.
Não sou de Brasília, não sou do Brasil.
Nenhuma pátria me pariu.
Eu não tô nem aí.
Eu não tô nem aqui.
 

O primeiro Homem-Morcego da História.



Santo xamanismo, Batman! 
 
Ele não tinha Batmóvel nem cinto de utilidades, e não vivia em Gotham City. O primeiro homem-morcego de que temos registro surgiu na cultura Tairona, na atual Colômbia. Esta civilização viveu o seu auge entre os anos 800 e 1600 da nossa era, e deixou um rico legado. Assim como outros povos pré-colombianos, sua cultura era marcada pela associação entre o universo humano e a natureza, visível em vários registros iconográficos e esculturas que mostram seres híbridos. Um exemplo é o peitoral de ouro utilizado para fins religiosos, que traz um homem com asas pra lá de imponentes. Trata-se de um homem-morcego, representando um xamã em transe. Parece que, ao contrário do personagem dos quadrinhos, a versão sul-americana tinha superpoderes.

Franz says: nós também temos nosso Homem-Morcego: www.morcegaofm.com.br

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Resenha da obra gráfica: A Paixão do Arlequim, de Neil Gaiman e John Bolton.


A edição que tenho em mãos é da editora Conrad. Capa em cartão, algum material extra, porém não há o luxo das edições atuais que a Panini oferece... e eu afirmo que tais luxos não fazem falta. A história é relativamente simples - e perfeita em sua simplicidade - e foi escrita por Neil Gaiman, nosso velho conhecido do Apogeu. Na trama nós conhecemos um arlequim que resolve mostrar seu amor por uma mulher fixando seu coração, literalmentel, na porta dela. Apesar de um tanto mórbido, essa atitude desencadeia uma série de eventos que mudarão o destino de ambos. Esse é o diferencial entre as histórias comuns e as de Gaiman que, mesmo diante do óbvio, conseguem alcançar o incomum com reviravoltas ou abordagens inteligentes. Assim ocorre na "Paixão", onde os amantes chegam a uma encruzilhada em suas existências e é nela que são encontradas as opções para cada um. Então, nobre leitor, você poderia me questionar: se as coisas são tão simples, o que há de importante ou marcante nessa revista? Como resposta, deixarei algumas imagens da HQ e um único trecho da narrativa de Neil. Juntas, as duas formas de arte nos trouxeram uma história de amor que transcende os séculos. Além disso, os autores nos provam que ficar apaixonado pode ser bastante arriscado. Leiam e se surpreendam. Só gênios conseguem unir teatro, literatura e quadrinhos sem que isso pareça algo apelativo. Mas não permita que restos de seu coração fiquem jogados, pois você não sabe o que podem fazer deles...

INSPIRAÇÃO:

Missy, a Colombina, o Arlequim, o Pantaleão e até o próprio Pierrô são personagens da Commedia Dell'Arte e eles são a fonte para a inspiração desta fábula moderna.
Ao final da revista há uma breve explanação sobre o tema...

A ARTE:

John Bolton já é conhecido por seus trabalhos nos Livros da Magia. Suas ilustrações aparentam ser aquarelas em alguns casos e é nas faces que o talento se destaca. Nessa obra, Bolton prova o quanto é talentoso, adequando-se brilhantemente ao roteiro de Gaiman.

A TRAMA:

Escrita por Neil Gaiman, criador de Sandman e American Gods, A Paixão do Arlequim é uma história de aparente simplicidade, mas que tem várias mensagens em seu texto, principalmente sobre o tema "amor". Claro que numa história com o Arlequim, podemos esperar algumas brincadeiras só um pouco maldosas. Só um pouco.

DOSE DE REALIDADE:

Nem mesmo a magia de um ser mitológico como o Arlequim é capaz de sobrepor a fragilidade de suas ações diante da paixão. Honestamente, o apaixonado é o indivíduo mais frágil que existe.
Outra dose maciça de realidade está nessa descrição de Missy, a pretendida: "... e também standd te amante secreto morrej num engavetamento de três carros, na rodovia interestadual, e ela esperou até o fim do funeral, quando o dia já havia terminado, para depositar um lírio branco no túmulo dele."

EXTRAS:

Há um glossário e notas sobre a arlequinada e seus integrantes, o que denota respeito pelo leitor que não conhece o assunto. Essas notas não existiam na edição original.
Entretanto, não é necessário tal conhecimento para desfrutar a graphic novel.
Também há uma narrativa sobre o processo criativo de John Bolton e uma breve "biografia" de Neil Gaiman.

Dados técnicos:
Escrita por Neil Gaiman
Ilustrada por John Bolton
Editora Conrad
Ano de publicação - 2002
ISBN 85-87193-69-4

Preço na época (que saudade) R$ 9,90

Breve História em Quadrinhos reconta o nascimento de Cristo, mas nos dias atuais.



Uma versão criativa e inusitada sobre o nascimento de Cristo no ano de 2012 mostra o que provavelmente ocorreria em nossa sociedade cercada de Tablets, smartphones e todas as demais formas de comunicação, incluindo as redes sociais. Os desenhos estão muito bons e não há qualquer tipo de apelação ou crítica religiosa, apenas humor e uma visão interessante sobre o mais importante acontecimento para os Ocidentais (ou pelo menos a maioria deles). 
A HQ é curta e enfatiza a velocidade com que as informações trafegam pelo mundo. Um exercício de reflexão para todos nós...


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Uma estante para o Drácula ou os Faraós...


Sim, a criatividade pode ser mórbida, mas jamais deixará de ser criatividade. Então, o que falar de uma estante que pode acompanhá-lo para o além túmulo... ou melhor, uma estante que será seu caixão!
Pensando no apêgo que algumas pessoas tem por seus pertences, o fabricante dessa estante inovou ao criá-la a partir de peças de um caixão. Ou criou um caixão a partir de peças de uma estante. Sei lá!
Bem, seja você um Faraó, um vampiro ou um simples leitor exótico/excêntrico, o que conta é que agora os seus problemas acabaram (ou será sua vida que acabou?).


 

Clarice Falcão - Monomania. Uma das integrantes do Porta dos Fundos. Música e humor.



Fazendo muito sucesso, Clarice Falcão foi ao topo com suas participações hilárias no canal Porta dos Fundos. Mas o que ainda muita genta não sabe é que a bela atriz é também uma sensacional cantora. Com voz suave e letras cheias de humor e provocação, Clarice merece ser reconhecida pelo grande público por sua arte musical. Ela é mais uma prova de que beleza e talento podem trilhar o mesmo caminho.
Querem saber mais sobre seu trabalho? Assinem seu canal no You Tube e comprem o EP dela pelo ITunes
O vídeo abaixo é uma pequena demonstração do que verão e ouvirão...


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mensagem de Natal a vocês, meus caros amigos.


Franz says:
Esqueça seus preconceitos, medos e rancores. Esqueça quem os magoou, eles não merecem permanecer em seu coração. Esqueça que o tempo passa, pois não há aviso para nossa Hora. Esqueça os machucados, já que o tempo cura tudo. Esqueça seus erros e pense mais em formas para compensar quem penou por eles. Esqueça o velho já que o presente e o futuro lhe acenam, mas não abandone definitivamente os ensinamentos que só o passado possui. 
Hoje é Natal, mas não se esqueça de suas promessas. Mantenha sua palavra tão rígida quando uma muralha e isso será o suficiente para que seus sonhos se concretizem. Faça dos seus dias um motivo de alegria para os outros. Não propague a dor em um mundo já tão sombrio. 
Hoje é Natal, mas os dias que se seguem também são importantes. Use as lições dos grandes Mestres e aprimore seu caráter. Hoje é Natal, tempo de perdoar, mas, sobretudo, tempo de perdoar-se. Siga seu caminho e torne-se uma luz para que outros o guiem. 
Faça com que você seja um eterno Natal para todos que o amam...


Obrigado por tudo amigos. Feliz Natal. Merry Christmas.


Ziembinski: um pedaço (importante) da história do teatro no Brasil.


Este texto foi extraído na íntegra da extinta revista "Grandes Acontecimentos da História", número 31, publicada pela Editora Três (hoje responsável pela revista Isto É, entre outras) no ano de 1975. Por se tratar de material indisponível na web e com um conteúdo relevante, optei por disponibilizá-lo através do Apogeu. Boa leitura e bom proveito.
Franz.

Texto de Alberto Guzik

Os críticos dizem que dois nomes estão na origem do teatro brasileiro moderno: Nelson Rodrigues, que revolucionou a dramaturgia com Vestido de Noiva, e Ziembinski, diretor, ator e introdutor das novas técnicas de encenação. Foi ele o responsável por alguns dos espetáculos de maior brilho da melhor fase da arte cênica entre nós. Ziembinski não é somente um artista: é um artesão também, um técnico que conhece todos os mistérios do palco. A sua chegada ao Brasil, escapando aos horrores que a Segunda Guerra Mundial fizera cair sobre a Europa, é um marco. Dirigiu os nossos maiores atores, sendo ele também um ator de qualidades excepcionais. Aqui está sua vida.

Fernanda Montenegro e Ziembinski
Um grupo puxa a fila da renovação: Os Comediantes. começa o nosso futuro.

 Corre o ano de 1943. É dezembro e o calor carioca atinge a fulguração. O dia é 28. A estória (relembro que essa era a grafia da época) acontece no Teatro Municipal, enclave de cultura copiada do estrangeiro, arquitetura pesada contrastando decididamente com o tropical da paisagem circundante. Na sala de espetáculos, a ribalta é ocupada por um texto brasileiro, escrito por um desconhecido, encenado por outro e interpretado por amadores. O público é numeroso. A despeito de temerem que a produção possa incorrer no pecado de provincianismo, cederam à insistência do dramaturgo que, afinal, é um jornalista de futuro. Uma personagem, Lúcia, profere a última fala: O Buquê. Simultaneamente, sobre o edifício, caem o pano e o silêncio. A platéia, envolta na sobriedade dos ternos, nos tailleurs cheios de ombreiras e drapeados, nos chapéus e nas luvas, fica imobilizado pela surpresa. Passa algum tempo. Então irrompe em um violento clamor, aplaude com fúria. É mais que a consagração de Os Comediantes, um grupo esforçado, de Nelson Rodrigues, um escritor nascente, de Santa Rosa, um cenógrafo de grande valor. Trata-se do surgimento de uma linguagem cênica especificamente local, atual e viva. A emersão do primeiro marco global do teatro brasileiro moderno. E há mais um homem cuja parte no feito foi essencial.
O nome é Zbigniev Marian Ziembinski. O som, exótico para nossa raiz latina, fica por conta do idioma que o gerou, o nobre e musical polonês que Thomas Mann definiu como "suave e opaco". Igualmente sonoro é o substantivo que identifica o lugar no qual nasceu, Wieliczka, uma quase-cidade não muito distante da atual fronteira tcheca, brotando do sopé dos fabulosos e sugestivos Montes Cárpatos, aninhada na bainha da Galícia repleta de contrastes e cor local, que nada tem a ver com outra Galícia mais íntima nossa, a espanhola, dependurada a cavaleiro de Portugal, portão para o Atlântico. Wieliczka é tão modesta que no mais das vezes não ocupa o espaço dos aristocráticos dicionários geográficos. Seu ponto de referência mais imediato, e do qual não está muito distante, é Cracóvia, bela e sábia, a origem se perdendo nas brumas da elaboração da cultura européia, antiga capital do milenar império polonês, o maior repositário nacional de monumentos históricos. 
Ziembinski é do signo de Peixes, 17 de março de 1908. O pai, médico da salinas, tesouro do lugar. A mãe, simples e suficientemente mãe. A infância não transcorre como sói acontecer, prescrevendo e administrando doses habituais de felicidade e infelicidade. Marcam-na o agitado e o violento do período, que presenciou a longa e amarga luta do país pela reunificação de seu território, esquartejado entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. A progressão da Primeira Guerra Mundial lhe serve como fundo de cena. O armistício traria no bojo o germe de modificações radicais. E a independência aconteceu em novembro de 1918, parida pelas mãos insistentes de Joseph Pilsudski, mas não teria a paz por companheira. A briga pelas fronteiras continuaria até as vésperas da Segunda Guerra, travada com armas diplomaticamente enluvadas, nos salões ricos e barrocos de Versailles ou Spa. Noutras ocasiões vestia a forma dolorosamente concreta e sangrenta da escaramuça armada. A Polônia era o centro do fervilhante caldeirão, a Europa Oriental, de longa data a principal usina geradora de desassossego no planeta.
A turbulência atingiu a distante Wieliczka; para a guerra nenhum canto é suficientemente remoto. Ziembinski, filho único, passou os primeiros anos ao lado de feridos de guerra, quase um enfermeiro. Mas a sucessão de percalços não atingiu aquela tremenda estatura capaz de desfigurar o cotidiano. Ainda havia uma rotina caseira e outra, escolar. Inspirado pelo gênero, número e grau das primeiras atividades, namorou a medicina e o exemplo do pai; a decisão, no entanto, sofreria o drástico das alterações provocadas pela realidade. Em 1919 se localizam acontecimentos que determinariam seu futuro: a perda da figura paterna e a descoberta de uma vocação. O falecimento do dr. Ziembinski, contagiado por um paciente, foi acompanhado de perto pela primeira representação teatral. Numa produção escolar, encarregaram-no de um anjo. O menino se emocionou e chorou pra valer. Era o início de uma paixão permanente e absorvente. A subsistência familiar, com ânimo e orçamento abalados, recebeu apoio da gente das salinas que, se vale a memória do menino, idolatrava o médico desaparecido. E essa ajuda permitiu ao garoto partir de Wieliczka, perseguindo sonhos e estudos mais elevados.

A fabulosa Varsóvia 

A primeira escala foi Cracóvia, aos treze anos. Aos quinze, a autonomia de vôo já bastava para atingir Varsóvia. Na fabulosa capital, os micróbios do cientificismo foram definitivamente esterilizados. Inscreveu-se inicialmente na faculdade de letras e depois na escola dramática. O visgo dos bancos escolares não o agarrou por muito tempo. Em 1926, fez um teste de interpretação na rigorosa e ranheta Sociedade dos Artistas dos Palcos Poloneses. Aprovado, foi contratado pelo Teatro de Cracóvia. O sucesso chegou com a velocidade adequada aos predestinados. Após dois anos na venerável cidade, criando grandes e pequenos papéis, um triunfo estrondoso motivou o chamado de Zelwerowicz. E Zelwerowicz, encenador famoso, diretor da escola dramática, ofereceu a Ziembinski o posto de primeiro ator jovem na inauguração do Teatro de Wilno. Lá nasceram depois o Oberon skakespeariano, o Klestakhov gogoliano. E o ator também deu os primeiros passos rumo à encenação. A etapa seguinte era inevitável. Quando o Teatro Polonês, de Varsóvia, acenou-lhe com um convite de trabalho, estava solidificada sua fama de melhor intérprete jovem do país. E foi isso em 1928. Nos onze anos seguintes ela só fez aumentar, acrescida da nomeada como encenador. Durante esse período, trocou a capital por Lodz e voltou a trocar Lodz pela capital. As horas vagas, Ziembinski as aproveitou para casar com Maria Prózinska, ter um filho, Krystzoff, e descasar. O rebento, nascido em 1935, é hoje ator importante na terra natal.
A alvorada da Segunda Guerra foi encontrar nossa personagem passando férias na Croácia, em território iuguslavo. Ao saber da derrota das forças polonesas, subjugadas pela estratégia aparentemente irresistível dos generais de Hitler, Ziembinski fugiu do nazismo e do serviço militar. Não podia saber, mas estava abandonando para sempre a sementeira da qual brotara. Internou-se pela Romênia adentro e, a caminho de Paris, encontrou tempo para quatro meses de espetáculos dedicados a algumas tropas polacas acantonadas no país então vizinho. Em 1940 chega à capital francesa, depois de sinuoso trajeto que incluiu a Itália. Em 41, com a poderosa arremetida germânica nos calcanhares, consegue do embaixador Souza Dantas um visto de entrada no Brasil. A viagem marítima exibe Casablanca e Cadiz aos olhos estonteados do viajante. A difusão da guerra prende-o, bem como ao navio Alcina, por seis meses, em Dakar. Finalmente, lá por volta das cinco da tarde do dia 6 de julho de 41, a embarcação atraca na praça Mauá, cais do porto de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Objetivo: Hollywood.

Se acreditarmos no que sussurram alguns horticulares da história do teatro tupiniquim, o objetivo de Ziembinski não era o luminoso ex-Distrito Federal. Queria chegar a uma paisagem também reluzente, mas de outro feitio, banhada pelo sol do hemisfério norte, debruçada sobre o Pacífico,  a policromia determinada pelos tons do processo tecnicolor: Hollywood, Los Angeles, Califórnia. Se houvesse arribado até aquelas bandas, sem dúvida seria mais um dos grandes profissionais eslavos, Maria Ouspenskaya e Richar Boleslavski como exemplos, que ajudaram a acelerar o processo de enobrecimento do cinema. Mas Ziembinski não partiu, cativado, como ainda contam, por quase todas as belezas naturais cariocas. Em setembro, portanto logo após sua chegada, Witold Malcuzinsky esteve no Rio para dar um concerto em benefício da Cruz Vermelha polonesa. Após o recital, a gente da sociedade local lhe ofereceu um coquetel no Hotel Central, Praia do Flamengo. E durante a festa, o ator estrangeiro, obviamente presente, foi apresentado ao jovem Agostinho Olavo, ligado desde 1938 a um grupo de moços que mantinham um conjunto de teatro amador conhecido como Os Comediantes, temerariamente mirando reformular a atividade cênica que predominava no país. Na mesma noite Ziembinski conheceu o restante do grupo, reunido em casa de Belá Paes Leme.
Quando o dinâmico e ímpar Santa Rosa recordou as lições de Jouvet, desejando "comediantes"e não meros "atores", vinha na esteira de forte animação com a renovação teatral. Seus esforços haviam sido antecipados de perto pelo Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e pelo Teatro Universitário de Jerusa Camões. E havia muito que mudar. O teatro brasileiro roncava em berço esquálido, ignorando as lições européias, copiadas com tanta avidez no século passado. Dos triunfos russos de Stanislavski, Meyerhold e Vakhtangov, alemães de Piscator e Jessner, franceses de Copeau, Jouvet, Dullin, Batty e Pitoeff, poucos sabiam. Da mesma forma, as propostas de Appia e Gordon Craig, a ferocidade de Shaw, a terrível sonoridade de Strindberg, a virulência de Ibsen, a grandeza de O´Neill, a suave ferocidade de Tchekhov, eram propriedade de raros iniciados.
O Teatro Municipal do Rio, inaugurado em 1909 sem a presença eventualmente benéfica de Arthur Azevedo, era reduto das excelências importadas. No final dos anos 20 e início dos anos 30 já se haviam levantado contra o marasmo imperante as vozes zangadas de Oswald de Andrade, Alvaro Moreyra e Renato Vianna. Em vão. O entusiasmo do primeiro morreu junto à barreira dos textos não encenados. Os dois últimos promoveram a fundação de companhias que se diluíram no insucesso. O mesmo sufoco já fora imposto antes à experiência nacionalista de Arthur de Azevedo no Teatro da Exposição, em 1908, e ao Teatro da Natureza, de Itália Fausta, Gomes Cardim e Alexandre Azevedo, em 1916. O sucesso estava com a revista, a burleta, o teatro ligeiro e o dramalhão, avô da telenovela. Nos primeiros vinte anos do século, os preconceitos do público e a ausência de uma tradição sólida esterilizaram os esforços razoavelmente simbolistas do vistoso João do Rio e do sensível Roberto Gomes. Nos vinte seguintes, glorificaram a discutível dramaturgia de costumes de Oduvaldo Vianna, Gastão Tojeiro e do pretensioso Paulo de Magalhães. Imperando sobre o rarefeito público de teatro se encontravam Leopoldo Fróes, Procópio Ferreira, Ema D´Ávila, Jaime Costa, grandiosos, ainda que estagnados. A quase mendicidade das companhias profissionais as obrigava a mambembar pelos brasis sempre que os ouvintes da capital escasseavam, o que acontecia com muita frequência. O janotismo de Fróes e, depois, a elegância de Dulcina, eram exceções. A rarefação de recursos exigia o apelo ao telão pintado, aos parcos objetos de cena. As próprias atrizes eram as financiadoras dos figurinos que usavam em cena. Uma estranha fase essa do teatro vera-cruzense, miserável e agônico, apaixonado e vibrante!
Sobre esse panorama de desalento desaba a pujança de Ziembinski, vindo da febre do teatro polonês, da formação séria e profunda na arte do ator e do diretor, do alentado estudo dos estilos e história do teatro, da tempestade desencadeada por novas tendências como o expressionismo alemão. Sua dimensão e a fama que o precedia do além-Atlântico, trazida pela boca de conterrâneos emigrados, impulsionaram a força juvenil de Os Comediantes e lhe ofereceram o amparo sólido de uma já longa vivência com a prática teatral. O grupo contava com certa experiência e prestígio. A montagem de estréia, A Verdade de Cada Um, de Pirandello, seguida de perto pela Mulher e Três Palhaços,  de Marcel Achard, denotam a preocupação com a escolha de um repertório que então parecia significativo e palpitante. Estava-se em 1940. Mas os primeiros sucessos, que fortaleceram a posição dos amadores e abriram portas para alguma ajuda externa e oficial, não bastaram para consolidar sua situação financeira, que continuava a ter o precário como companheiro inseparável.


"Eminência parda"


Tônia Carrero e Ziembinski
Mal chegado, Ziembinski já estava à vontade e sem cerimônias em Os Comediantes. Em novembro de 41, a remontagem do Pirandello obedecia às ordens de Adacto Filho, mas contava com uma emminence grise (guess who) que palpitou o quanto quis durante os ensaios e se encarregou da iluminação. Toda ordem de dificuldade, as mais fiéis espectadoras dos esforços cênicos desta terra, atrasava a nova temporada. Intermináveis discussões se travavam ao redor do repertório. Os artistas buscavam freneticamente textos nacionais que teimavam em não aparecer. Brutus Pedreira, Santa Rosa e seus companheiros se metiam em papos sem fim, elaborando no ar hipóteses capazes de entornar a falta de dinheiro. E, em companhia de atores mais impacientes, componentes de um outro grupo recente, ligado de modo oblíquo a Os Comediantes, Ziembinski ofereceu às pranchas do palco as primeiras provas brasileiras de seu talento. O conjunto, adequadamente intitulado Teatro dos Novos, mostrou primeiro À Beira da Estrada, de Jean Jacques Bernard. Vieram, então, As preciosas Ridículas e Orfeu, Molière e Cocteau. E com isso já corria novembro de 43. A proximidade da temporada seguinte de Os Comediantes levou os Novos a incluírem sua nova montagem, Fim de Jornada, de Sheriff, no repertório daquele grupo. E com ela chegaram também Um Capricho, do romântico Musset, Escola de Maridos, Molière, claro,  e O Escravo de Lúcio Cardoso, cuja escrita é fascinante para o romance e falha no teatro. Logo depois foi a vez de Vestido de Noiva. O resto é história.

Caem as tradições.

Só um exemplo da importância do TBC
Desse agrupamento de espetáculos, Ziembinski encenou os textos de Sheriff e Nelson Rodrigues. Janeiro de 44 assistiria a Pelleas e Melisanda, do volátil e melancólico Maurice Maeterlinck. Eram montagens que viravam a mesa de nossas tradições e causavam espécie. Encontravam defensores e atacantes apaixonados. Cenários concebidos em íntimo acordo com a perspectiva e a leitura do diretor, iluminações cuidadosamente pensadas, interpretações diversas do usual, assentadas em minuciosos esquadrinhamentos psicológicos das personagens. Ziembinski tinha também a função de professor. Não de caso pensado; sem querer, os ensaios acabavam sendo aulas, preparavam novos atores, segundo metodologias antes desconhecidas. Ao mesmo tempo, em São Paulo, tinham lugar as importantes experiências igualmente amadoras de Alfredo Mesquita e Décio de Almeida Prado. O Brasil armava posição de arranque na corrida que travaria para tentar alcançar em cinco anos o espaço que o teatro europeu percorrera em 50.
O efeito sobre o teatro profissional foi imediato. Procópio anunciou novas temporadas onde a pièce-de-resistence seria a mostragem de textos renomados. Luis Iglésias chamou para si novos atores, Eva Todor e Sonia Oiticica, convocando também a experiência da ensaiadora lusa Esther Leão, que já colaborara com o Teatro do Estudante. Pouco depois, em 44, Dulcina, a primeira dama, promoveria antológica temporada no Municipal, oferecendo de enfiada César e Cleópatra e Santa Joana, de Shaw, Anfitrião 38 de Giraudoux, Bodas de Sangue, de Lorca. Reciprocamente, tanto Os Comediantes quanto o teatro brasileiro influíram sobre Ziembinski. Forçaram-no a modificar razoavelmente seu tempo teatral, outrora polonês, favorecedor da lentidão, longas pausas, olhares eloqüentes. Inúmeros reparos lhe foram feitos, alguns assumidos, muitos outros não.
Prossegue vinculado ao conjunto que lhe deu projeção e em  46 tem lugar outra encenação de peso e qualidade. Ao lado de Olga Navarro e Jardel Filho, dirige e interpreta Desejo, talvez o primeiro O´Neill daqui. A profissionalização dos Comediantes era inevitável. Mas o grupo não conseguirá  resistir por muito tempo. Montherlant e a Rainha Morta, Jorge Amado e as Terras do Sem Fim, adaptadas, Edgard da Rocha Miranda e Não Sou Eu... remontagens do Vestido e de Desejo já não são mais atividades vitais. Apenas os movimentos agônicos do fim próximo. Muito fora feito. Em cena uma nova geração de atores. Deságua no nada o esforço administrativo e heróico de Miroel Silveira. Fora um trabalho desbravador, pioneiro. De seus frutos, narra Sábato Magaldi, saiu o Teatro Brasileiro de Comédia. E do legendário TBC sairá, por identificação ou contraste, todo o teatro nacional contemporâneo.


Absorvendo o Brasil


A dissolução de Os Comediantes altera a carreira de Ziembinski. O homem, mais que um ator, um encenador, é um analista, um filósofo do teatro. Há 34 anos vem ativando um longo processo de adaptação, "absorvendo e sendo absorvido pelo Brasil", com afirmou um dia. Ao longo de três décadas, a forte presença marca três gerações de gente de teatro. O pensador constata crises e conflitos, sugere soluções, busca saídas. Em 48 são as montagens do rodriguiano Anjo Negro, Eurípedes entra na dança com Medéia, vê-se Uma Rua Chamada Pecado que não é outra senão O Bonde Chamado Desejo de Tenesse Williams. A primeira direção é para Maria Della Costa e Sandro que contavam com a formidável colaboração da excepcional Itália Fausta. As duas seguintes, para Henriette Morineau. 49 vai encontrá-lo em São Paulo, onde redirige Anjo Negro e entra de ator na Estrada do Tabaco, a densidade escrita por Erskine Caldwell. Alguns meses em Recife, dando aulas de teatro e novamente o Rio. Em companhia própria, surgem Assim Falou Freud e Adolescência. Retorna a São Paulo, seduzido pela opulência do TBC que ostenta luxo digno de um barão do café. De início, limita-se a um teatro de segundas-feiras. Não passa muito tempo, no entanto, para que Franco Zampari lhe ofereça um lugar como ator e diretor da casa de espetáculos da rua Major Diogo. E em 1950, Ziembinski passa a contar entre o elenco permanente da primeira grande quimera empresário-teatral da nação. No TBC despende a maior parte de sua vida teatral de cá. Enfileiram-se Renard e Pega-Fogo, Schiller e Maria Stuart, Ben Jonson e Volpone,  Abílio e Paiol de Velho, Dickens e o Grilo da Lareira, Dumas Fils e a inefável Dama das Camélias. O TBC tem papel essencial em sua vida artística. 

Dirige e é dirigido
Cacilda Becker


Não somente dirige como é dirigido por outros encenadores talentosos. Conhecendo os italianos Adolfo Celi, Luciano Salce e Flammínio Bollini, é forçado a confrontar com outras as próprias teorias de encenação. Em 57 sai do TBC para a Companhia Cacilda Becker. Cria O Santo e a Porca - Suassuna; Longa Jornada Noite Adentro - O´Neill; César e Cleópatra - Shaw. Regressa ao Rio. São As Três Irmãs unindo Tchekhov ao Teatro Nacional de Comédia. De novo em São Paulo é o Exercício Para Cinco Dedos, uma espécie de Teorema à americana e às avessas, e o truculento Boca de Ouro do ex-desbravador Nelson Rodrigues. Pela primeira vez faz televisão. Em 62, volta ao Rio para se encontrar com Ibsen e os Espectros, em companhia de Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa,  dois ex-alunos.
 
Viagem-nostalgia

Em 63, a Polônia, temporariamente. Viagem-nostalgia, leva para a antiga pátria (naturalizou-se brasileiro em 59) uma contribuição verde-amarela. Traduz e encena O Boca e Vereda da Salvação que em Varsóvia fica em cartaz por dois anos. Retorna em 64. Cinema, televisão, teatro. Descalços no Parque, Perda Irreparável, Os Físicos, O Santo Inquérito, Toda Nudez Será Castigada, A Volta ao Lar. Espetáculos de qualidades várias, intenções várias. Assim como ao longo de toda a sua vida, grandes sucessos, grandes fracassos e os mais irritantes, os cinzentamente razoáveis. O que predomina é uma essencial honestidade no trato com a matéria-prima do teatro. Uma vontade de acerto, descoberta, encontro. Ziembinski toma posições provocantes, contraditórias até, mas sempre vivas. Em 68, São Paulo, faz os pirandellianos Gigantes da Montanha. Afirmando que não há diferenças entre um homem de sessenta anos e uma mulher de sessenta anos, vive o papel-título da Celestina, a complicada obra única e prima de Fernando de Rojas. O espetáculo é constrangedor. Mas uma interpretação, a de Ziembinski, exibe uma qualidade de rara lapidação. Em 71, excursiona pelo país, enlouquecendo com o Henrique IV de Pirandello. Atua freneticamente na televisão que, em 73, o encontrará como diretor executivo da Divisão de Novelas da Rede Globo. Em 71, faz Vivendo em Cima da Árvore, uma tolice de Peter Ustinov. Em 72, consegue injetar comovedora humanidade na superfície rasa do Check-Up de Paulo Pontes. Agora está preparando a remontagem do Vestido de Noiva. A proposta é reconstituir o original de 43. O plano parece infeliz e anacrônico, mas não deixa de estabelecer um curioso suspense. Capricho a que encenador e autor têm direito. Mas, sabe-se que não será a mesma coisa. Outra época, outro cenógrafo, outros atores. Tanta água correu nesse tempo! Como recuperar uma realidade que eles mesmos ajudaram a modificar? O teatro brasileiro se expandiu, criou alguma raiz, passou a ter um peso mínimo (melhor que o anterior, nulo) na cultura nacional, adquiriu uma força raquítica mas palpável. Conseguiu até certa tradição!
Ziembinski foi uma das alavancas, talvez a mais poderosa alavanca individual, que partejou e forçou a reformulação da cultura cênica local. A figura corpulenta, rosto redondo e pronunciadamente eslavo, testa alta, cabelos rareando e inteiramente brancos, cicatriz funda na face esquerda, a voz tornada áspera e estranhável pelo sublinhado do sotaque, passou a fazer parte de duas Histórias do Teatro, façanha difícil. Um homem que há três anos afirmava: "O país ainda se prepara para encontrar sua própria forma teatral, embora talvez não se chame mais espetáculo teatral, mas no qual a nação se realizaria através de conceitos afins ao drama e adaptados ao seu temperamento, seu sangue, sua sensibilidade melódica" e acrescentava que seria capaz de realizar tal espetáculo desde que lhe fossem dadas as condições necessárias. Integrado na paisagem do cartão-postal da Guanabara, seu universo centro-europeu tropicalizado pelas palmeiras (hoje rarefeitas) e pelo mar (agora poluído), dedica o pouco lazer à fotografia e a uma célebre coleção de discos classicos. Ainda hoje plenamente dono de seu instigante talento. Zbigniev Marian Ziembinski, de que já escreveram "Zimba para os mais chegados, mestre Zimba para os mais novos".

Alberto Guzik

Nota: Ziembinski faleceu no Rio de Janeiro apenas 3 anos após essa matéria, em 1978. Abaixo vocês terão uma lista completa (disponível também em Itaú Cultural) com todos os espetáculos dos quais ele participou, seja como ator, diretor, tradutor, técnico ou produtor.

Adaptação
1951 - São Paulo SP  -  O Grilo da Lareira
1969 - São Paulo SP  -  A Celestina


Cenografia
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Anjo Negro
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Lua de Sangue
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Uma Rua Chamada Pecado
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Medéia
1949 - Recife PE  -  Pais e Filhos
1949 - Recife PE  -  Esquina Perigosa
1949 - Recife PE  -  Além do Horizonte


Direção
1941 - Rio de Janeiro RJ  -  À Beira da Estrada
1942 - Rio de Janeiro RJ  -  Orfeu
1942 - Rio de Janeiro RJ  -  As Preciosas Ridículas
1943 - Rio de Janeiro RJ  -  Fim de Jornada
1943 - Rio de Janeiro RJ  -  Pelleas e Melisanda
1943 - Rio de Janeiro RJ  -  Vestido de Noiva
1945 - Rio de Janeiro RJ  -  Vestido de Noiva
1945 - Rio de Janeiro RJ  -  A Família Barrett
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  A Rainha Morta
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  Desejo
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  Era uma Vez um Preso
1947 - São Paulo SP  -  Vestido de Noiva
1947 - Rio de Janeiro RJ  -  Não Sou Eu
1947 - Rio de Janeiro RJ  -  Vestido de Noiva
1947 - São Paulo SP  -  Era uma Vez um Preso
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Uma Rua Chamada Pecado
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Medéia
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Homens
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Lua de Sangue
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Anjo Negro
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Revolta em Recife
1949 - Recife PE  -  Fim de Jornada
1949 - Recife PE  -  Em Viagem
1949 - Recife PE  -  Além do Horizonte
1949 - Recife PE  -  Esquina Perigosa
1949 - Recife PE  -  Nossa Cidade
1949 - Recife PE  -  Pais e Filhos
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Dorotéia
1950 - São Paulo SP  -  A Endemoniada
1950 - São Paulo SP  -  O Homem de Flor na Boca
1950 - São Paulo SP  -  Pega Fogo
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Amanhã, Se Não Chover
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Helena Fechou a Porta
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Assim Falou Freud
1950 - São Paulo SP  -  O Banquete
1950 - São Paulo SP  -  O Cavalheiro da Lua
1950 - São Paulo SP  -  Lembranças de Berta
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Adolescência
1950 - São Paulo SP  -  Cavaleiro da Lua
1950 - São Paulo SP  -  Rachel
1951 - São Paulo SP  -  O Grilo da Lareira
1951 - São Paulo SP  -  Harvey
1951 - São Paulo SP  -  Paiol Velho
1953 - São Paulo SP  -  Se Eu Quisesse
1953 - São Paulo SP  -  Divórcio para Três
1953 - São Paulo SP  -  Desejo
1954 - São Paulo SP  -  Um Dia Feliz
1954 - São Paulo SP  -  Negócios de Estado
1954 - São Paulo SP  -  Cândida
1954 - São Paulo SP  -  ...E o Noroeste Soprou
1954 - São Paulo SP  -  Um Pedido de Casamento
1955 - São Paulo SP  -  Volpone
1955 - São Paulo SP  -  Maria Stuart
1956 - Rio de Janeiro RJ  -  Divórcio para Três
1956 - São Paulo SP  -  Manouche
1956 - Rio de Janeiro RJ  -  Maria Stuart
1957 - Rio de Janeiro RJ  -  Leonor de Mendonça
1957 - Rio de Janeiro RJ  -  Adorável Júlia
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  O Santo e a Porca
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  O Protocolo
1958 - Porto Alegre RS  -  Santa Martha Fabril S / A
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  Jornada de um Longo Dia para Dentro da Noite
1958 - Porto Alegre RS  -  Maria Stuart
1958 - Porto Alegre RS  -  Santa Martha Fabril
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  Pega Fogo
1959 - São Paulo SP  -  Santa Marta Fabril S. A.
1959 - São Paulo SP  -  Os Perigos da Pureza
1959 - São Paulo SP  -  Desejo
1960 - Rio de Janeiro RJ  -  As Três Irmãs
1960 - Rio de Janeiro RJ  -  Carrossel do Casamento
1960 - São Paulo SP  -  Boca de Ouro
1960 - Rio de Janeiro RJ  -  Sangue no Domingo
1960 - São Paulo SP  -  Exercício para Cinco Dedos
1960 - (Portugal)  -  O Santo e a Porca
1961 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Espectros
1961 - Rio de Janeiro RJ  -  Círculo Vicioso
1962 - Rio de Janeiro RJ  -  Zefa entre os Homens
1962 - São Paulo SP  -  Paixão da Terra
1963 - Cracóvia (Polônia)  -  Boca de Ouro
1963 - São Paulo SP  -  César e Cleópatra
1964 - Rio de Janeiro RJ  -  Descalços no Parque
1964 - Varsóvia (Polônia)  -  Vereda da Salvação
1965 - Rio de Janeiro RJ  -  A Perda Irreparável
1965 - Rio de Janeiro RJ  -  Toda Nudez Será Castigada
1966 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Físicos
1966 - Rio de Janeiro RJ  -  Orquídeas Para Cláudia
1966 - Rio de Janeiro RJ  -  O Santo Inquérito
1967 - Rio de Janeiro RJ  -  Toda Nudez Será Castigada
1969 - São Paulo SP  -  A Celestina
1969 - Brasília DF  -  A Mulher sem Pecado
1969 - Rio de Janeiro RJ  -  O Marido de Conceição Saldanha
1970 - Brasília DF  -  Henrique IV
1971 - Rio de Janeiro RJ  -  Vivendo em Cima da Árvore
1972 - Rio de Janeiro RJ  -  Dom Casmurro
1976 - Rio de Janeiro RJ  -  Vestido de Noiva
1976 - Rio de Janeiro RJ  -  Quarteto


Interpretação
1943 - Rio de Janeiro RJ  -  Pelleas e Melisanda
1943 - Rio de Janeiro RJ  -  Fim de Jornada
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  Desejo
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  Era uma Vez um Preso
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  Festival do 2º Aniversário do Teatro Experimental do Negro
1946 - Rio de Janeiro RJ  -  A Rainha Morta
1947 - Rio de Janeiro RJ  -  Não Sou Eu
1947 - Rio de Janeiro RJ  -  Terras do Sem Fim
1947 - São Paulo SP  -  Era uma Vez um Preso
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Homens
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Lua de Sangue
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Vestir os Nus
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Revolta em Recife
1949 - Recife PE  -  Fim de Jornada
1949 - São Paulo SP  -  Estrada do Tabaco
1949 - Recife PE  -  Em Viagem
1949 - Recife PE  -  Nossa Cidade
1950 - São Paulo SP  -  Do Mundo Nada Se Leva
1950 - São Paulo SP  -  Pega Fogo
1950 - São Paulo SP  -  O Cavalheiro da Lua
1950 - São Paulo SP  -  O Banquete
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Assim Falou Freud
1950 - São Paulo SP  -  Cavaleiro da Lua
1950 - Rio de Janeiro RJ  -  Adolescência
1951 - São Paulo SP  -  Arsênico e Alfazema
1951 - São Paulo SP  -  Harvey
1951 - São Paulo SP  -  O Grilo da Lareira
1951 - São Paulo SP  -  Convite ao Baile
1951 - São Paulo SP  -  Ralé
1952 - São Paulo SP  -  Antígone
1952 - São Paulo SP  -  Vá com Deus
1953 - São Paulo SP  -  Se Eu Quisesse
1953 - São Paulo SP  -  Na Terra como no Céu
1953 - São Paulo SP  -  Divórcio para Três
1954 - São Paulo SP  -  Negócios de Estado
1954 - São Paulo SP  -  Cândida
1954 - São Paulo SP  -  ...E o Noroeste Soprou
1954 - São Paulo SP  -  Mortos sem Sepultura
1954 - São Paulo SP  -  Um Dia Feliz
1955 - São Paulo SP  -  Os Filhos de Eduardo
1955 - São Paulo SP  -  Volpone
1956 - São Paulo SP  -  Gata em Teto de Zinco Quente
1956 - São Paulo SP  -  Manouche
1956 - Rio de Janeiro RJ  -  Divórcio para Três
1957 - São Paulo SP  -  As Provas de Amor
1957 - São Paulo SP  -  A Rainha e os Rebeldes
1957 - Rio de Janeiro RJ  -  Adorável Júlia
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  O Santo e a Porca
1958 - Porto Alegre RS  -  Santa Martha Fabril S / A
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  Jornada de um Longo Dia para Dentro da Noite
1958 - Porto Alegre RS  -  Maria Stuart
1958 - Rio de Janeiro RJ  -  Pega Fogo
1958 - Porto Alegre RS  -  Santa Martha Fabril
1959 - São Paulo SP  -  Santa Marta Fabril S. A.
1959 - São Paulo SP  -  Os Perigos da Pureza
1960 - Rio de Janeiro RJ  -  Don João Tenório
1960 - São Paulo SP  -  Boca de Ouro
1960 - Rio de Janeiro RJ  -  Sangue no Domingo
1960 - São Paulo SP  -  Exercício para Cinco Dedos
1961 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Espectros
1961 - Rio de Janeiro RJ  -  Círculo Vicioso
1963 - São Paulo SP  -  César e Cleópatra
1964 - Rio de Janeiro RJ  -  Descalços no Parque
1965 - Rio de Janeiro RJ  -  A Perda Irreparável
1966 - Rio de Janeiro RJ  -  Os Físicos
1967 - Rio de Janeiro RJ  -  A Volta do Lar
1968 - São Paulo SP  -  Volta ao Lar
1969 - São Paulo SP  -  Os Gigantes da Montanha
1969 - São Paulo SP  -  A Celestina
1970 - Brasília DF  -  Henrique IV
1971 - Rio de Janeiro RJ  -  Vivendo em Cima da Árvore
1972 - Rio de Janeiro RJ  -  Check-up
1976 - Rio de Janeiro RJ  -  Quarteto


Figurino
1948 - Rio de Janeiro RJ  -  Medéia


Iluminação
1940 - Rio de Janeiro RJ  -  A Verdade de Cada Um
1959 - São Paulo SP  -  Gente como a Gente


Produção
1959 - São Paulo SP  -  Maria Stuart


Tradução
1963 - Cracóvia (Polônia)  -  Boca de Ouro
1964 - Varsóvia (Polônia)  -  Vereda da Salvação
 


←  Anterior Proxima  → Página inicial