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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nota de falecimento: escritor Oliver Sacks falece aos 82 anos.


Comentários: Franz Lima
Em fevereiro deste ano, publiquei um texto sobre a relevância e a coragem das atitudes do escritor e neurologista Oliver Sacks diante da morte inevitável. Infelizmente, após uma luta ferrenha, a doença venceu-o. 
Domingo, aos 82 anos, Sacks sucumbiu a um câncer agressivo. Entretanto, repito, seu exemplo permanecerá para aqueles que eram seus fãs ou para quem só agora passou a conhecer suas obras e realizações, seja como escritor ou neurologista. Uma de suas obras foi transposta para o cinema com Robin Williams interpretando o próprio neurologista no filme "Tempo de Despertar".
A matéria abaixo foi publicada no O Globo.

"Sinto-me grato por ter tido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou de cara com a morte. Depende de mim escolher como quero viver os meses que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que puder"

NOVA YORK — O neurologista e escritor britânico Oliver Sacks morreu no domingo em decorrência de um câncer, aos 82 anos. O escritor, que ficou famoso com livros como o “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, usava seus casos clínicos, pacientes e as doenças que tratava para refletir sobre a consciência e a condição humana. Sua assistente pessoal, Kate Edgar, confirmou que Sacks morreu em sua casa em Nova York.
Em artigo publicado no jornal “New York Times” em fevereiro, o neurologista anunciou que um melanoma em seu olho havia se espalhado para o fígado e que ele estava nos estágios finais de um câncer terminal. Ele enfrentava a doença havia nove anos.
Como médico e escritor, Sacks alcançou um nível de notoriedade raro entre os cientistas. Mais de um milhão de cópias de seus livros foram vendidas nos Estados Unidos, o seu trabalho foi adaptado para cinema e teatro, e ele recebe cerca de 10 mil cartas por ano.
Seu livro “Despertares”, de 1973, sobre um grupo de doentes com casos raros de encefalite, foi levado aos cinemas em 1990, sendo protagonizado por Robin Williams e Robert De Niro.
Sacks foi um cronista ávido de sua própria vida. Em seu livro de memórias, “Tio Tungstênio”, ele escreveu sobre sua infância, sua família médica, e as paixões químicas que despertaram seu amor pela ciência.
Num pequeno intervalo de sua carregada agenda em Nova York, o neurologista participou da Bienal do Livro do Rio e deu palestras em São Paulo, em 2005.
RELATO EMOCIONANTE
No artigo intitulado “My own life” (Minha própria vida), Sacks abordou a recente descoberta de que um terço de seu fígado havia sido tomado por metástases.
“Sinto-me grato por terem sido concedidos nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado e, apesar de seu avanço poder ser retardado, este tipo particular de câncer não pode ser interrompido. Cabe a mim agora escolher como viver os meses que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, mais profunda, mais produtiva que posso”, escreveu Sacks no texto publicano no “NYT”.

domingo, 30 de agosto de 2015

Mauricio de Sousa, Georges Simenon, Saint-Exupéry e outros lançamentos pela Cia da Letras.



A queda do céu, Davi Kopenawa e Bruce Albert (Tradução de Beatriz Perrone-Moisés)
A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade – foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador. A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo. Recheada de visões xamânicas e meditações etnográficas sobre os brancos, esta obra não é apenas uma porta de entrada para um universo complexo e revelador. É uma ferramenta crítica poderosa para questionar a noção de progresso e desenvolvimento defendida por aqueles que os Yanomami – com intuição profética e precisão sociológica – chamam de “povo da mercadoria”.

A garota na teia de aranha – Millennium vol.4, David Lagercrantz (Tradução de Guilherme Braga e Fernanda Sarmatz Åkesson)

A genial e atormentada justiceira Lisbeth Salander está de volta. Mas por que Lisbeth, uma hacker fria e calculista que nunca dá um passo sem pesar as consequências, teria cometido um crime gravíssimo e ainda provocado de forma quase infantil um dos maiores especialistas em segurança dos Estados Unidos? Depois de finalmente se livrar da polícia sueca e de todas as acusações que pesavam sobre si, que motivo ela teria para se atirar em outro lamaceiro político? É o que se pergunta Mikael Blomkvist, principal repórter da explosiva revista Millennium, além de amigo e eventual amante de Lisbeth. Mas Blomkvist precisa lidar com seus próprios demônios: afundada numa crise sem precedentes, a revista foi comprada por um grupo que pretende modernizá-la. Nada mais repulsivo ao jornalista que prefere apurar e pesquisar suas histórias a ceder às demandas e ao ruído das redes sociais. Ainda assim, há tempos o repórter não emplaca um de seus furos, e por isso não hesita em sair no meio da madrugada para atender a um chamado que promete ser a grande história de sua carreira. Presos a uma teia de aranha mortífera, Lisbeth e Blomkvist terão mais uma vez que unir forças, agora contra uma perigosa conspiração internacional. Uma volta em grande estilo da dupla que mudou para sempre os romances de mistério e aventura.


Devagar e simples, André Lara Resende 

André Lara Resende herdou do pai, Otto, o dom da palavra, o prazer do convívio, a clareza de raciocínio e o foco no que importa. E aprimorou essas qualidades ao longo da vida. Este livro é um exemplo dessas virtudes. Os treze artigos aqui reunidos têm alguns eixos comuns, que não derivam apenas de um passageiro interesse do autor no momento em que os escreveu. Alguns são imprescindíveis para o debate público do momento no Brasil. Outros são muito relevantes para entender o atual debate no mundo e seu significado para o Brasil.


O caso de Saint-Fiacre, Georges Simenon (Tradução de Eduardo Brandão)

O caso Saint-Fiacre é o décimo terceiro livro protagonizado por Jules Maigret, em que, finalmente, conhecemos seu passado. Ele é filho do administrador de um castelo ao sul de Paris, para onde volta pela primeira vez desde o enterro do pai. O motivo? Um bilhete anônimo: um crime seria cometido no local durante a missa de finados. Antes do fim do sermão, a condessa de Saint-Fiacre morre subitamente. Sua família está falindo. O filho é um aproveitador. O secretário, seu amante e possível herdeiro. Os atuais administradores do castelo, oportunistas em potencial. O padre, um omisso.

Seguinte


A revista on-line Capitolina surgiu em 2014 como uma alternativa à mídia tradicional voltada para meninas adolescentes. Sua proposta é criar um conteúdo colaborativo, inclusivo e livre de preconceitos, abordando temas como relacionamentos, feminismo, cinema, moda, games, viagens e muito mais. Esta edição reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos, todos eles ilustrados. No total, são 41 jovens escritoras e 23 artistas talentosas. Para completar, há atividades interativas para que cada leitora ajude a construir o livro e dê a ele seu toque pessoal. As leitoras vão encontrar conselhos, dicas, reflexões, muito apoio e, principalmente, a sensação de que não estão sozinhas.


Os bons segredos, Sarah Dessen (Tradução de Cristian Clemente)

Sydney sempre se sentiu invisível, já que Peyton, seu irmão mais velho, era o foco da atenção da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paralítico, e vai para a prisão. Sydney parece ser a única a responsabilizá-lo, ao contrário de seus pais, que enxergam o filho como vítima. Para fugir do clima insuportável em casa, certa tarde Sydney entra numa pizzaria ao acaso. Lá conhece Layla, filha do dono do restaurante, e a amizade entre as duas é instantânea. Logo Sydney se vê contando à garota segredos que ninguém mais sabe, e encontra entre a família dela um espaço onde todos a enxergam e a aceitam como é.

Penguin-Companhia

Hamlet, William Shakespeare (Tradução de Lawrence Flores Pereira)

Um jovem príncipe se reúne com o fantasma de seu pai, que alega que seu próprio irmão, agora casado com sua viúva, o assassinou. O príncipe cria um plano para testar a veracidade de tal acusação, forjando uma brutal loucura para traçar sua vingança. Mas sua aparente insanidade logo começa a causar estragos – para culpados e inocentes.


Piloto de guerra, Antoine de Saint-Exupéry (Tradução de Mônica Cristina Corrêa)

Durante a Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry serviu como piloto nas forças armadas francesas. Em 1940, foi designado para um sobrevoo da região de Arras, ao norte da França, numa missão de alto risco. Em parte relato dessa expedição, em parte indagação sobre o sentido da guerra – o conflito não é uma aventura, mas uma doença, afirma o narrador -, Piloto de guerra é um clássico a ser redescoberto por todas as gerações de leitores.

Companhia das Letrinhas

O pequeno príncipe, Antoine de Saint-Exupéry (Tradução de Mônica Cristina Corrêa)

Nesta edição, depois de ler a história do piloto que encontra um menino de cachos dourados no deserto do Saara, o leitor é convidado a fazer um mergulho na vida do autor e nos detalhes e curiosidades que envolvem a obra, em um posfácio recheado de fotos inéditas e informações imprescindíveis.


Mônica é daltônica?, Mauricio de Souza

Nesta história, a primeira publicada na revista Mônica, em 1970, o Zé Luís – e não o Cebolinha, acredite se quiser -, inaugura a tradição dos planos mirabolantes para tentar acabar com as temidas coelhadas da dona da rua. E o Titi, o Cascão, o Cebolinha, junto com o líder do grupo, executam passo a passo o combinado, até que… Além de descobrir o fim da aventura, o leitor vai conhecer curiosidades sobre a turma e as ilustrações surpreendentes de Odilon Moraes, que reinterpreta um clássico de Mauricio de Sousa.

sábado, 29 de agosto de 2015

Livro inacabado de autor de 'O Senhor dos Anéis' é lançado no Reino Unido



Fonte: Divirta-se, com base no texto original da Agence France-Presse

A primeira obra em prosa do autor de 'O Senhor dos Anéis', John Ronald Reuel (JRR) Tolkien, um texto inédito e inacabado que é precursor de seus livros mais famosos, foi lançada na quinta-feira no Reino Unido.


Escrito em 1914-1915, quando JRR Tolkien era ainda um estudante na prestigiosa Universidade de Oxford, 'A história de Kullervo' (The Story of Kullervo) se inspira no trágico destino de um personagem da mitologia finlandesa.

Apaixonado desde jovem pelas línguas antigas, o jovem Tolkien estava particularmente interessado em uma coletânea de velhas histórias finlandesas, a "Kalevala", que conta a história de Kullervo. 

"Com esta história, é a primeira vez que JRR Tolkien, que até então era um poeta, começou a escrever um texto em prosa", explica Vincent Ferré, professor de literatura comparada da Universidade de Paris Leste.

"Podemos dizer que Tolkien faz seus ensaios", afirmou ainda o especialista no escritor britânico, que vê no texto "um exercício de estilo juvenil". 

"Por fim, abandona esta historia antes de acabá-la, para passar a escrever textos mais pessoais e originais". 

Audiência maior

'A história de Kullervo' já foi publicada em 2010 na revista acadêmica 'Estudos Tolkien' pela professora Verlyn Flieger, da Universidade americana de Maryland. Ela copiou o manuscrito escrito com lápis por Tolkien e conservado na famosa biblioteca Bodleian de Oxford. 




"Pensei que merecia um público mais amplo que os assinantes de uma revista acadêmica, e assim me dirigi aos herdeiros de Tolkien para propor a eles publicá-lo em separado", afirmou Flieger. 

Uma vez que obteve seu acordo, colocou-se em contato com a editora das obras de Tolkien, HarperCollins, para supervisionar esta edição que também contém notas do escritor.

"É sua primeira obra mítica em prosa, e por isso, precursora do que vem depois", afirmou Flieger. 

"Também é inegável que é sua obra mais sombria, que esboça os aspectos mais obscuros de seu mundo inventado", a Terra do Meio, cenário das aventuras do Senhor dos Anéis.

Kullervo é, dessa forma, "uma das fontes de Turin Turambar, uma figura central na mitologia de Tolkien, o futuro herói de "Os filhos de Húrin" e de um capítulo de Silmarillion.

"Ambos são malditos, seu pai conheceu um fim trágico, vítima de um personagem com poderes mágicos", explicou Ferré. 

O 'Silmarillion', que foi publicado postumamente em 1977 (JRR Tolkien morreu em 1973), é uma saga que abrange as histórias de 'O Hobbit' e 'O Senhor dos Anéis'.

Páginas desconhecidas

Outros manuscritos de Tolkien foram publicados nos últimos anos, incluindo 'Os filhos de Húrin', em 2007, 'A lenda de Sigurd e Gudrún', em 2009, e a 'A queda de Artur', em 2013. 

Segundo Flieger, ainda há muitos textos inéditos de Tolkien na biblioteca Bodleian, principalmente "notas para conferências, assim como escritos mais curtos".

"Há centenas de páginas de Tolkien ainda desconhecidas para o público em geral, especialmente em relação a suas línguas inventadas", explicou Ferré, que, no entanto, duvida que possam constituir novas obras.

O filho de JRR Tolkien, Christopher Tolkien, já publicou tudo que podia ser publicado, completou Ferré.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ESPN convida torcedores vestidos com a camisa de seu time para interagir em painel digital e receber notícias do time do coração


A ação intitulada: “Está com a camisa do seu time? Então chega perto”, pode ser conferida na Avenida Paulista, 1776 até hoje, 27.08, das 7 às 00h.
A ESPN lança uma ação de marketing para homenagear os fãs de futebol que vestem a camisa do seu time. O canal, em parceria, com a Otima, desenvolveu uma ação inédita no Brasil onde o torcedor vestido com a camisa de seu time é convidado a interagir na frente do painel digital e, em seguida, recebe notícias do seu time de coração.
A ação tem divertido muitos torcedores, que ao se aproximarem do painel digital com a camisa do seu time, recebem notícias do seu clube do coração. Segundo o diretor comercial da Otima, Nilson Moyses, para desenvolver o projeto foi preciso criar um software que reconhecesse rapidamente todos os escudos dos clubes, participantes da série A, do campeonato brasileiro, e gerar notícias do clube para o fã.
Para a Sarah Buchwitz, head de marketing da ESPN, o futebol é uma paixão que envolve todas as pessoas. “Criamos a ação: Está com a camisa do seu time? Então chega perto, para promover o programa Bate Bola e interagir e homenagear torcedores e clubes. É uma ação que reforça nossa estratégia de marketing de criar ações diferenciadas, complementares e convergentes. Hoje estamos presente em todas as mídias: Internet, mobiliário urbano da Otima, painéis da Eletromídia, estações da CPTM, jornais, rádios e filmes para TV por assinatura”, explica Sarah Buchwitz.
Sobre a ESPN

A ESPN chegou ao país em 1989 e foi o primeiro canal de esportes da TV paga brasileira. Em 1995 a empresa criou o canal ESPN Brasil. Em abril de 2009, lançou o ESPN HD, em alta definição, que a partir de julho de 2012 passou a se chamar ESPN+, com uma programação diferenciada. As atividades da ESPN Internacional incluem televisão, rádio, impresso, internet, banda larga, internet sem fio, produtos de consumo, e gestão de eventos.

A empresa mantêm escritórios e/ou instalações de produção em locais-chave de todo o mundo incluindo Bangalore, Bristol (EUA), Buenos Aires, Cidade do México, Hong Kong, Londres, Miami, Melbourne, Mumbai, New York, Rio de Janeiro, São Paulo, Sidney e Toronto. Desde 1983, ESPN (originalmente fundada em Bristol, Connecticut, em 1979) tem crescido ao redor do mundo, se estabelecendo como a marca líder mundial em esportes. A filosofia da empresa de crescimento global é a de sempre servir aos fãs do esporte e ser relevante localmente, com conteúdos e produtos que preencham sua grande paixão e dedicação.
Sobre a Otima

A Otima Concessionária de Exploração de Mobiliário Urbano é responsável, por um período de 25 anos, pela instalação e manutenção dos novos abrigos de ônibus e totens indicativos de parada da cidade de São Paulo. Em dois anos de atuação, a concessionária já instalou 5.630 novos abrigos e 2.513 totens na capital paulistana, números que são atualizados semanalmente. Até o fim de 2015, será concluída a troca dos 6.500 abrigos da cidade e de 2.537 totens indicativos. A substituição dos 12.500 totens será concluída até o fim de 2018.
Site oficial - https://www.otima.com/


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pesquisadores fazem estudo inédito sobre o gato-do-mato


Parceria envolve profissionais de Itaipu e professores e alunos da UFFS

Uma pesquisa inédita sobre o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), realizada no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) segunda (24) e terça-feira (25), vai levantar informações importantes sobre a espécie. Quatro professores e seis alunos do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), de Realeza (PR), sob a coordenação de profissionais de Itaipu, analisaram quatro aspectos: protocolo anestésico, avaliação ocular, auditiva e cardíaca. Esse é o mais completo estudo feito sobre a espécie no mundo.


O trabalho foi concluído com um check-up para verificar o estado de saúde do animal. Foi analisada a saúde bucal e foram coletadas amostras de sangue para verificar o funcionamento de órgãos, como rins e fígado, além de um radiograma do tórax. Nos dois dias, foram estudados 15 exemplares de gato-do-mato, todos do plantel do refúgio. O número de espécimes permite aos pesquisadores extrapolar dados de forma estatística para toda espécie e criar parâmetros nos quatro temas estudados, que possam servir de base para futuros estudos.

Antes do procedimento, o animal foi pesado e sedado. Para isso foi criado um protocolo de anestesia. Foi medida a dosagem do relaxante muscular, anestésico e analgésico e sua influência na pressão arterial, na frequência cardíaca e na sensibilidade do animal.

Visão apurada

Para se ter ideia do ineditismo da pesquisa, até antes do estudo, não existia no mundo todo informações sobre as características dos olhos do gato-do-mato. ?Fizemos uma avaliação oftalmológica completa?, explica o professor de clínica cirúrgica da UFFS, Gentil Ferreira Gonçalves. ?Medimos a produção de lágrimas, a pressão interocular, e mensuramos o bulbo ocular com o ultrassom?.

Uma das possíveis conclusões diz respeito à diferença da visão do gato-do-mato e do gato doméstico (Felis catus). A espécie estudada tem uma acuidade visual mais apurada, visto o tamanho e disposição das estruturas dentro do olho, conclui o especialista. A causa pode ser a necessidade, na vida silvestre, de caçar e se defender dos predadores.

Nova cartilagem

Outra informação inédita foi uma pequena cartilagem encontrada entre os dois canais, vertical e horizontal, do ouvido do gato-do-mato, que não existe no gato doméstico. ?Não podemos nem nomear esta cartilagem porque nunca vimos isso em outro animal?, diz a professora de obstetrícia e técnica cirúrgica, Fabíola Dalmolin.

Com um aparelho de videotoscopia do RBV, foi analisado o ouvido do felino. A nova estrutura foi confirmada com um posterior raio-x da cabeça. ?Talvez esta cartilagem possa ter relação com a acústica, já que o gato-do-mato depende da audição para se proteger dos predadores?, teoriza.

Saúde cardíaca


Segundo a professora de Clínica de Animais de Companhia, Tatiana Champion, os estudos cardíacos analisaram a saúde de cada animal, mas, neste caso, não podem ser extrapolados para toda espécie. ?O número de animais estudados é pequeno para definirmos, por exemplo, se a espécie tem predisposição a uma cardiopatia?, explica.

Mas a análise ajuda a identificar com antecedência insuficiências e arritmias, já prevendo o uso de medicamento contínuo no futuro. Em cada animal, foi feito o eletrocardiograma, o ecocardiograma, além de uma radiografia do tórax, que verificou o estado do pulmão. Os dados farão parte da ficha dos animais e ajudarão em seu tratamento.

Perpetuação do conhecimento

Para o médico-veterinário Zalmir Cubas, de Itaipu, que coordenou o trabalho, a parceria com a academia é fundamental para multiplicação do conhecimento. ?Nós temos estrutura e plantel dos animais, mas não somos especialistas nestas áreas. Os alunos vão produzir artigos e trabalhos; serão eles que continuarão os estudos e o compartilhamento das informações?.

Segundo Zalmir, outras pesquisas como esta podem ser feitas em espécies como a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii), este último, animal ameaçado de extinção. Um curso de ecocardiograma em animais silvestres também pode ser realizado no Hospital Veterinário do RBV.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Confira os novos eventos literários do final de agosto pela Companhia das Letras.


Raphael Montes autografa seu novo livro
Terça-feira, 25 de agosto, às 18h30
Em O vilarejo, Raphael Montes cria sete histórias de horror e suspense. O autor lança o livro pelo selo Suma de Letras em São Paulo na loja da Companhia das Letras.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073 — São Paulo, SP

Debate A revolução dos bichos
Terça-feira, 25 de agosto, às 20h
Para comemorar os 70 anos de publicação de A revolução dos bichos, Jerônimo Teixeira e Demétrio Magnoli fazem um debate sobre uma das maiores obras de George Orwell em São Paulo.
Local: Livraria da Vila — Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena — São Paulo, SP

Performance poética com Arnaldo Antunes
Quarta-feira, 26 de agosto, às 20h
Autor de Agora aqui ninguém precisa de si, Arnaldo Antunes faz uma performance poética no aniversário do Sesc Palladium. Saiba mais.
Local: Sesc Palladium — Avenida Augusto de Lima, 420, Centro — Belo Horizonte, BH

Festival Literário de Araxá
Autores do Grupo Companhia das Letras estão na programação do Fliaraxá 2015, que acontece de 26 a 30 de agosto em Araxá-MG. Veja a programação:
  • Oficina de Microcontos com Luiz Ruffato
    Quinta-feira, 27 de agosto, às 15h, e sexta-feira, 28  de agosto, às 10h
    Autor de Flores artificiais, Luiz Ruffato promove uma oficina de microcontos com Jose Santos.
  • Mesa com Bernardo Carvalho
    Quinta-feira, 27 de agosto, às 19h
    Bernardo Carvalho dialoga com o tradutor Leopoldo Brizuela sobre o livro Nove noites na mesa “As muitas noites da literatura”.
  • Mesa com Luiz Ruffato
    Quinta-feira, 27 de agosto, às 20h
    Marina Colasanti e Luiz Ruffato falam do processo de criação na mesa “Escrevendo para todos”. 
  • Oficina com Gonçalo Tavares
    Sexta-feira, 28 de agosto, às 16h, e sábado, 29 de agosto, às 17h
    O autor de Aprender a rezar na era da técnica participa de oficina de escrita.
  • Mesa com Frei Betto
    Sexta-feira, 28 de agosto, às 19h
    Frei Betto, que acaba de lançar Um Deus muito humano, participa da mesa “Mistérios da literatura”.
  • Mesa com Gonçalo Tavares
    Sexta-feira, 28 de agosto, às 20h
    Gonçalo Tavares e José Paulo Cavalcanti Filho falam sobre Fernando Pessoa na mesa “Fernando Pessoa e as longas viagens da língua portuguesa”.
  • Mesa com Marçal Aquino
    Sábado, 29 de agosto, às 15h
    Autor de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábiosMarçal Aquino fala sobre o livro que vira filme na mesa “Cinema e literatura”, com Santiago Nazarian e Antônia Pellegrino.
  • Mesa com Xico Sá
    Sábado, 29 de agosto, às 16h
    Xixo Sá, autor de Big Jato, fala sobre memória, literatura, ficção e realidade em mesa com Sérgio Abranches.
  • Mesa com Carlos de Brito e Mello
    Sábado, 29 de agosto, às 19h
    Autor de A cidade, o inquisidor e os ordinários divide a mesa “Ficção e realidade, verdades e mentiras” com Mary Del Priore e Carlos Herculano Lopes.
  • Palestra com Mauricio de Sousa
    Domingo, 30 de agosto, às 14h
    O criador da Turma da Mônica, que acaba de lançar o primeiro livro do projeto de releitura da personagem pela Companhia das Letrinhas, Mônica é daltônica?realiza palestra para o público da Fliaraxá.
Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling no Litercultura
Sexta-feira, 28 de agosto, às 21h
As autoras de Brasil: Uma biografia, participam de mais um capítulo do Litercultura, em Curitiba.
Local: Palácio Garibaldi — Praça Garibaldi, 12 — Curitiba, PR

Lançamento de Ainda estou aqui
Sábado, 29 de agosto, às 16h
Marcelo Rubens Paiva autografa seu novo livro, Ainda estou aqui, em São Paulo.
Local: Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional — São Paulo, SP

Lançamento de O livro das semelhanças
Sábado, 29 de agosto, às 11h
Ana Martins Marques autografa O livro das semelhanças em Belo Horizonte.
Local: Livraria e Editora Scriptum — Rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi — Belo Horizonte, MG
Bate-papo com Alice Ruiz
Segunda-feira, 31 de agosto, às 19h30
Para o lançamento de seu novo livro, Outro silêncio, Alice Ruiz bate um papo com os leitores na noite de autógrafos.
Local: Teatro Eva Herz na Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional — São Paulo, SP

CVV promove simpósio sobre prevenção do suicídio. Divulgue!!!!


CVV promove V Simpósio Internacional e II Debate sobre suicídio na mídia

Eventos gratuitos ocorrem próximo ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio no Rio de Janeiro


O CVV é a entidade atua há mais tempo na prevenção do suicídio no Brasil e uma das mais antigas no mundo, com 53 anos completos no início de 2015. Com esse histórico, a instituição sem fins lucrativos e atuação nacional organiza dois eventos com o intuito de gerar discussão e consequente conscientização da população a respeito do assunto na semana de 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

V Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio
Pelo quinto ano consecutivo ocorre o Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, neste ano na cidade do Rio de Janeiro. As edições anteriores foram realizadas em Guarulhos (SP), São Paulo capital, Florianópolis (SC) e Brasília (DF). Robert Gellert Paris Junior, presidente do CVV - Centro de Valorização da Vida, comenta que essa alternância de localidades é uma das formas encontradas para aumentar a abrangência do debate. “O silêncio tem se mostrado o maior vilão do aumento dos casos de suicídio em todo o mundo”, comenta Robert que também é membro do Befrienders Worldwide, entidade que congrega iniciativas pela prevenção do suicídio em diversos países. “É preciso quebrar esse tabu, mostrar que suicídio tem prevenção em pelo menos 90% dos casos e estimular que o assunto seja abordado pela imprensa, em escolas, consultórios médicos, instituições religiosas, rodas de amigos e dentro dos lares.”

O V Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio ocorre em 11 de setembro com a presença de um representante da Dinamarca, além de profissionais brasileiros com experiência internacional. Formam a mesa: o educador Jeppe Kristen Toft diretor do Livslinien Institute da Dinamarca; Dr. Neury José Botega, psiquiatra da Unicamp – Universidade de Campinas; Dr. Humberto Corrêa, psiquiatra da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais e vice-presidente da Associação Latinoamericana de Suicidologia; Dr. Carlos Felipe D’Oliveira, psiquiatra, ex-coordenador da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio; e Robert Gellert Paris Junior, presidente do Centro de Valorização da Vida.

II Debate “A dificuldade da abordagem do suicídio na mídia”
No dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o CVV realiza o II Debate “A dificuldade da abordagem do suicídio na mídia”, um evento de jornalistas para jornalistas, com a finalidade de discutir os motivos que levam a imprensa a evitar o assunto, e alternativas viáveis para contribuir de forma efetiva com o debate popular e consequente redução nos altos índices de suicídios. Também realizado no Rio de Janeiro, a iniciativa conta com a presença de André Trigueiro, da Rede Globo e autor de um recente livro sobre prevenção do suicídio; Flávia Oliveira, da Globo News; Luis Fernando Correa, médico comentarista da Rede Globo e Rádio CBN; Fernando Molica, do jornal O Dia e Portal IG; e Rodolfo Schneider, do Grupo Bandeirantes.

Ambos os eventos são gratuitos e abertos ao público. Para se inscrever, basta acessar os links:
V Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio – inscrição.
II Debate “A dificuldade da abordagem do suicídio na mídia” – inscrição.

Movimento Setembro Amarelo
Além dos dois encontros na semana do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o CVV está empenhado no movimento Setembro Amarelo, iniciativa estimulada mundialmente pelo IASP – Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio que consiste em iluminar ou sinalizar locais públicos com faixas ou símbolos amarelos.

Diversos endereços do CVV em todo o país vão colocar uma faixa amarela na sua fachada, e seus voluntários buscam o apoio de municípios, estados e da federação para iluminar ou identificar monumentos e prédios públicos durante todo o mês de setembro.

Qualquer pessoa pode colaborar com o Movimento, com a iluminação ou a identificação da fachada de uma casa ou prédio, promoção de motoata (passeio de motos) com balões, fitas ou panos amarelos, caminhadas com camisetas amarelas ou outras ações que impactem a população. Todos que mandarem fotos de suas iniciativas para a fanpage do CVV (https://www.facebook.com/cvv141poderão ver o material compartilhado no Facebook. Algumas dessas fotos serão enviados ao IASP que vai reunir as principais ações ao redor do mundo.


Serviço – Simpósio e Debate sobre prevenção do suicídio

II Debate “A Dificuldade da abordagem do suicídio na mídia”

Data: 10 de setembro de 2015 (Dia Mundial de Prevenção do Suicídio)
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Av. República do Chile, 65 – 1º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Inscrições pelo link
Participação gratuita

Participantes:

André Trigueiro (mediador)
Jornalista da Rede Globo, colunista do G1, ex-âncora do Jornal das Dez da Globo News, professor de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, autor de diversos livros, sendo o mais recente sobre prevenção do suicídio (Viver é a melhor opção).

Flávia Oliveira
Jornalista especializada em economia e indicadores sociais, colunista da editoria Sociedade do jornal O Globo, comentarista do programa Estúdio i da Globo News.

Luis Fernando Correa
Médico especialista em Clínica Médica e Terapia Intensiva e MBA em Gestão de Saúde, comentarista sobre saúde da Rede Globo e da Rádio CBN.

Fernando Molica
Editor e colunista do jornal O Dia e do Portal IG, teve passagens pelo O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Fantástico. É autor de diversos livros, ex-diretor da Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo,  organizou e coordenou o MBA em Jornalismo Investigativo e Realidade Brasileira da Fundação Getúlio Vargas.

Rodolfo Schneider
Diretor de jornalismo do Grupo Bandeirantes no Rio de Janeiro, âncora da Rádio Band News e colunista do jornal Metro.


V Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio

Data: 11 de setembro de 2015
Horário: 14h às 18h
Local: Av. República do Chile, 65 – 1º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Inscrições pelo link
Participação gratuita

Temas e Participantes:

Robert Gellert Paris Junior (coordenador)
Presidente do Centro de Valorização da Vida e membro do conselho do Befrienders Worldwide.

Prevenção do suicídio e atendimento via chat
Jeppe Kristen Toft
Educador, diretor do Livslinien Institute, entidade dinamarquesa que trabalha na prevenção do suicídio, coordenador da região Europa do Befrienders Worldwide.

Crise suicida – avaliação e manejo
Dr. Neury José Botega
Médico psiquiatra com pós-doutorado pela Universidade de Londres. Professor da Unicamp, pesquisador e autor de livros sobre a interface entre a psiquiatria e outras especialidades médicas, prevenção do comportamento suicida, e qualidade de vida.

Vencer o estigma para prevenir - aspectos culturais e históricos do comportamento suicida
Dr. Humberto Corrêa
Médico psiquiatra com pós-doutorado pela Université Paris-Decartes-Hopital Sainte Anne em Paris. Professor da UFMG, vice-presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, presidente da Rede Mundial de Suicidólogos (2008-2010), vice-presidente da Associação Latinoamericana de Suicidologia (2007-2015).

A imitação e o contágio - o caso de Cotriguaçu/MT
Dr. Carlos Felipe D’Oliveira
Médico psiquiatra com mestrado em ciências da saúde pela Fundação Oswaldo Cruz. Coordenador da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio (2006 – 2009), representante brasileiro no IASP – Associação Internacional de Prevenção do Suicídio (2006 – 2008), coordenador de saúde no Mercosul (2007 – 2012) e consultor internacional de projetos de saúde.


Sobre o CVV

O CVV - Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os mais de um milhão de atendimentos anuais são realizados por 2.200 voluntários em 18 estados mais o Distrito Federal, pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 70 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

Outras informações também podem ser obtidas na nossa página www.facebook.com/cvv141

É associado ao Befrienders Worldwide (www.befrienders.org), entidade que congrega as instituições congêneres de todo o mundo e participou da força tarefa que elaborou a Política Nacional de Prevenção do Suicídio do Ministério da Saúde.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lições de Tolstói. Via Livros e Pessoas.


Fernando Vicente
Fonte: Livros e Pessoas/El País

O escritor russo nos ensina em ‘Guerra e paz’ que apesar de todo o mau que há na vida, a humanidade vai deixando para trás, pouco a pouco, seu pior

Por: Mario Vargas Llosa, no El País

Li Guerra e Paz pela primeira vez há meio século, em um volume único da Pléiade, durante as minhas primeiras férias remuneradas pela Agência France Presse, em Perros-Guirec. Estava escrevendo naquele período o meu primeiro romance, e vivia obcecado com a ideia de que, diferentemente do que ocorre com outros gêneros literários, a quantidade, no romance, era um ingrediente essencial da qualidade; de que os grandes romances costumavam ser também romances grandes –longos— porque abrangiam tantos aspectos da realidade que davam a sensação de expressar a totalidade da experiência humana.
O romance de Tolstói parecia confirmar milimetricamente essa teoria. A partir de um começo frívolo e mundano naqueles salões elegantes de São Petersburgo e de Moscou, com aqueles nobres que falavam mais em francês do que em russo, a história ia descendo e se espraiando por toda a complexa sociedade russa, expondo-a com toda a sua ilimitada gama de classes e tipos sociais, dos príncipes e generais aos servos e camponeses, passando pelos comerciantes e as senhoritas em idade de casar, os libertinos e os maçons, os religiosos e os aproveitadores, os soldados, os artistas, os arrivistas, os místicos, até envolver o leitor na vertigem de ter sob os seus olhos uma história na qual atuavam todas as variações possíveis daquilo que é humano.
Em minha lembrança, o que mais se destacava nesse romance eram as batalhas, a odisseia extraordinária do velho general Kutúzov, que, de derrota em derrota, vai aos poucos desgastando as tropas napoleônicas invasoras até que, com a ajuda do inverno brutal, da neve e da fome, consegue acabar com elas. Na minha cabeça, firmava-se a falsa ideia de que, se fosse preciso resumir Guerra e Paz em uma só frase, daria para dizer que se tratava de um grande mural épico sobre como o povo russo rechaçou as empreitadas imperialistas de Napoleão Bonaparte, “o inimigo da humanidade”, e defendeu a sua soberania; ou seja: um grande romance nacionalista e militar, de exaltação à guerra, à tradição e às supostas virtudes castrenses do povo russo.
Constato agora, nesta segunda leitura, que eu estava enganado. Longe de apresentar a guerra como uma experiência virtuosa na qual se forjam o moral, a personalidade e a grandeza de um país, o romance a expõe com todo o seu horror, mostrando em cada batalha –especialmente na alucinante descrição da vitória de Napoleão em Austerlitz— a monstruosa carnificina que ela provoca, a penúria e as injustiças que atingem os homens comuns, que constituem a maioria de suas vítimas; assim como a estupidez macabra e criminosa daqueles que detonam essas tragédias falando em honra, em patriotismo, em valores cívicos e militares, palavras cujo vazio e cuja pequenez se mostram evidentes aos primeiros disparos dos canhões. O romance de Tolstói tem muito mais a ver com a paz do que com a guerra. O amor à história e à cultura russa que indiscutivelmente o impregna não exalta em nada o som e a fúria das matanças, mas sim aquela vida interior intensa, cheia de reflexão, de dúvidas, a busca da verdade e o esforço em fazer o bem aos outros, tudo isso encarnado no bondoso e pacífico Pierre Bezúkhov, o herói do romance.
Embora a tradução de Guerra e Paz para o espanhol que estou lendo não seja excelente, a genialidade de Tolstói se faz presente a cada passagem, em tudo o que ele relata, e mais no que oculta do que no que explicita. Seus silêncios são sempre eloquentes, comunicam algo, estimulam a curiosidade do leitor, que fica preso ao texto, ansioso para saber se o príncipe Andrei finalmente declarará o seu amor a Natasha, se o casamento combinado realmente acontecerá, ou se o excêntrico príncipe Nikolai Andreiévitch conseguirá impedi-lo. Não há quase nenhum episódio no romance que não deixe algo no ar, que não se interrompa deixando de revelar ao leitor algum elemento ou informação decisivos, de modo a fazer com que sua atenção não diminua, se mantenha sempre ávida e alerta. É realmente extraordinário como em um romance tão amplo, tão diversificado, com tantos personagens, a trama é sempre conduzida com tanta perfeição por um narrador onisciente que nunca perde o controle, que delimita com absoluta maestria o tempo dedicado a cada um, que vai avançando sem descuidar nem preterir de nenhum deles, dando a todos o tempo e o espaço apropriados para fazer com que tudo avance conforme avança a própria vida, por vezes muito vagarosamente, por vezes em saltos frenéticos, com suas doses diárias de alegrias, tragédias, sonhos, amores e fantasias.
Nesta releitura de Guerra e Paz, percebo algo que não tinha entendido na primeira vez: a dimensão espiritual da história é muito mais relevante do que aquilo que se passa nos salões ou no campo de batalha. A filosofia, a religião, a procura de uma verdade que torne possível distinguir claramente o bem e o mal e agir a partir disso são preocupações centrais dos principais personagens, inclusive dos chefes militares, como o general Kutúzov, personagem deslumbrante, que, apesar de ter passado a vida inteira em combate –ainda se nota a cicatriz deixada por uma bala atirada pelos turcos e que lhe atravessou o rosto–, é um homem eminentemente ético, desprovido de ódio, de quem se poderia dizer que faz a guerra porque não há alternativa e alguém tem de fazê-la, mas que preferiria dedicar seu tempo a tarefas mais intelectuais e espirituais.
Embora, “falando friamente”, as coisas que acontecem em Guerra e Paz sejam terríveis, duvido que alguém saia de sua leitura entristecido ou pessimista. Ao contrário, o romance nos transmite a sensação de que, apesar de todo o mal que há na vida, da fartura existente em matéria de canalhices e pessoas vis que querem sempre levar a melhor, no fim das contas os bons são em número maior do que os maus, os momentos de prazer e de tranquilidade são maiores do que os de amargura e ódio, e que, mesmo que isso nem sempre seja evidente, a humanidade vai aos poucos deixando para trás aquilo que ela ainda carrega consigo de pior, ou seja, de uma forma frequentemente invisível, vai melhorando e se redimindo.
O maior feito de Tolstói, como o de Cervantes ao escrever Dom Quixote, o de Balzac com a sua Comédia Humana, o de Dickens com Oliver Twist, o de Victor Hugo com Os Miseráveis, ou ainda o de Faulkner com sua saga sulina, foi, provavelmente, este: mesmo nos fazendo mergulhar nos esgotos da vida humana, seus romances injetam dentro de nós a convicção de que, apesar de tudo, a aventura humana é infinitamente mais rica e apaixonante do que as misérias e as baixezas que também existem nela; que, vista em seu conjunto, de uma perspectiva mais serena, ela merece ser vivida, nem que seja apenas porque, neste mundo, podemos viver não apenas das verdades, mas também, graças aos grandes romances, das mentiras.
Não poderia encerrar esta coluna sem fazer em público uma pergunta que está martelando dentro de minha cabeça desde que eu soube do fato: como foi possível que o primeiro prêmio Nobel de Literatura tenha sido dado a Sully Prudhomme e não a Tolstói, que também concorria a ele? Será que não estava tão claro na época, como está agora, que Guerra e Paz é um desses raros milagres que só acontecem no universo da literatura a cada cem anos?

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